Convento de Brancanes

O Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, dito mais simplesmente Convento de Brancanes, em Setúbal, foi fundado em 1682 por Frei António das Chagas, para nele se formarem missionários na sequência do prestígio apostólico dos frades franciscanos conhecidos pelos ‘missionários do Varatojo’.
O edifício, localizado na encosta de uma elevação a noroeste da cidade, na freguesia da Anunciada, esconde-se por trás da Serra da Arrábida, a sul e a oeste, mostrando, a norte e a leste, o esplendor de uma história.
Foi o primeiro de outros que se seguiram: em 1753 o Seminário Apostólico de S. Francisco em Vinhais; em 1790 o Convento de S. Francisco de Mesão Frio; de 1826 a 1833 o Seminário Apostólico de Santa Maria Madalena do Monte da Falperra.
Invadido pelas tropas de Napoleão e incendiado em Outubro de 1910, o antigo Convento de Brancanes viveu episódios militares, sociais e religiosos que marcaram a memória colectiva de Setúbal.
Em 11 de Junho de 1761 ingressou como noviço no Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes Alexandre José da Silva, onde tomou os votos e professou a 13 de Junho de 1762, adoptando então o nome religioso por que é conhecido: frei Alexandre da Sagrada Família.
Após o terramoto de 1755, a Câmara de Setúbal instalou-se e passou a funcionar no Convento de Brancanes. Também aquando das invasões Francesas (princípio do século XIX), estes ocuparam o Convento para nele instalarem um hospital militar
Aquando das invasões francesas, foi ocupado pelas tropas napoleónicas, que o transformaram em hospital militar. Destruída e desrespeitada pelos soldados franceses, em Março de 1808, que profanaram várias sepulturas para saquear objectos de valor, a igreja de Nossa Senhora dos Anjos começou a ser reconstruída em 1811.
A história religiosa do Convento de Brancanes chega ao fim em 1834, com a Reforma Geral Eclesiástica, que ditou a extinção de mosteiros, conventos, hospícios, colégios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas.
O Convento possuía uma importante biblioteca com livros raros que, foram queimados na sequência de fogo posto pela população em fúria, danificando o edifício, tal como vieram também a fazer ao edifício dos Paços do Concelho. No calor da noite de 4 para 5 de Outubro de 1910, o convento foi incendiado e, a partir desse ano, unidades militares ficaram ali alojadas, dando início a um processo de transformação e de adaptação às novas funções desencadeado ao longo do século XX.
Mudanças que não respeitaram a natureza do imóvel, o qual foi ocupado pelo Batalhão do Serviço de Saúde do Exército, no início dos anos 80. Em 1998, o quartel deu lugar ao Estabelecimento Prisional de Brancanes, até 2007, tendo sido desactivado das anteriores funções militares e vendido a uma entidade privada.
Actualmente, poucos são os vestígios do primitivo templo, além das fachadas. Com o interior completamente alterado, não existe capela lateral na nave, nem revestimento azulejar, de talha ou policromo.
Apesar de todas as alterações arquitectónicas conventuais que o edifício sofreu, junto da entrada do que em tempos foi a Capela de Nossa Senhora da Guia encontra-se uma pedra tumular que assinala a sepultura da marquesa de Minas, falecida a 1 de Janeiro de 1747.
A salvaguarda deste património é imperiosa e, por todo o valor que lhe é inerente, a Autarquia decidiu proteger o antigo Convento de Brancanes através da abertura do processo de classificação de Imóvel de Interesse Municipal, atribuição assentida pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
Os destinos deste imóvel vão ainda mais longe, com a construção de uma unidade hoteleira e de um condomínio habitacional. O projecto já recebeu o parecer favorável da Câmara Municipal, com a salvaguarda de condicionantes como as acessibilidades e o enquadramento paisagístico.
Deixem a cache camuflada tal e qual como estava, obrigado.
