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Fornos II - Ruínas de Abul [Alcácer do Sal]

A cache by clcortez Send Message to Owner Message this owner
Hidden : 7/17/2007
In Setúbal, Portugal
Difficulty:
2 out of 5
Terrain:
3 out of 5

Size: Size: regular (regular)

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Geocache Description:


FORNOS II - RUÍNAS DE ABUL


Bem vindo a esta cache que lhe dá a conhecer as Ruínas de Abul, (ou a Feitoria Feníncia como também é conhecida) que terá sido um importante centro romano de olaria, tal como terá sido o local onde estava a cache Fornos do Pinheiro, a cache “irmã” desta.

Esta cache surge como a 2ª sobre este tema, mas também como alternativa à outra colocada dentro da Herdade do Pinheiro, uma vez que a dona da herdade, sem razão aparente, mandou fechar o local das ruínas apesar de ser um local de Interesse Público reconhecido pelo IPAAR. Depois de alguns contactos com as entidades competentes não obtive uma resposta conclusiva sobre este assunto. Decidi então avançar com esta cache neste local até porque ele só por si é magnífico e merecedor desta cache, quer pela paisagem quer pelo enquadramento histórico.

Obrigado ao geocacher Almeidara pela força que me deu para a colocação desta cache!:)

 

O Local

A cache encontra-se na Estação Arqueológica de Abul, um local que terá sido um importante estabelecimento comercial do século VII-VI a.C. de fundação Fenícia.

As notícias sobre o grande complexo de Abul remontam aos anos 70 do século XX, quando foi dada a conhecer a notícia sobre o Pinheiro (Almeida, Zbyszewski e Ferreira 1971). Estes autores, na resenha que fizeram dos  fornos romanos conhecidos em Portugal, referiram-se a: "(...) mais dois[fornos] na Herdade do Monte Novo a caminho do Monte da Abula. Nesta última localidade há uma colina juncada de restos de cerâmica para construção, lusitanoromanos. Tratar-se-á de mais um forno ainda enterrado?“ (Almeida, Zbyszewski e Ferreira 1971, 159). A partir de então, o local passou a constar obrigatoriamente em qualquer notícia sobre a produção oleira do baixo Sado; no entanto, só recentemente ali se realizaram escavações, que vieram revelar um local mais complexo do que se supunha. De um ponto de vista espacial, os autores da escavação identificaram uma ocupação de época romana, instalada junto de construções orientalizantes, logo no primeiro terço do séc. I d.C. (Abul A). O centro oleiro propriamente dito terá começado a laborar na época de Cláudio, fabricando cerâmica comum, de paredes finas, pesos, etc.; regista-se igualmente a produção de ânforas (e respectivos opérculos), com apreciável variedade formal, ao nível dos detalhes.

Nos meados do século I d.C. foi instalada uma bateria de cinco fornos cerâmicos de planta circular, com canal central, grelha suportada por arcos paralelos entre si e perpendiculares ao eixo central do forno, com uma parede de fachada comum. Esta fachada teria um alpendre suportado por pilares.

No que diz respeito às ânforas fabricadas, o padrão de Abul não é muito distinto do identificado no Pinheiro. Para lá da fase inicial, aquilo a que os autores da escavação chamaram a fase de ensaio para a criação de um novo tipo de ânfora (também documentado no Pinheiro. Toda a bateria de fornos terá funcionado durante este período, excepto o forno nº 1, convertido em forno de cal. No período entre os fins do séc. II e os inícios do III d.C., uma vez mais, regista-se um abrandamento da laboração, com a diversificação da produção, seguida de uma retoma, que parece ter durado até aos meados do séc. III, época em que o local foi abandonado, devido a causas relacionadas com a alteração do nível médio das águas do Sado. Nas suas proximidades terá surgido então Abul D, que terá funcionado, fabricando igualmente ânforas, durante os séculos IV e V.

À semelhança do verificado no Pinheiro, produziram-se aqui contentores idênticos ao encontrados nos fornos junto à cache Fornos do Pinheiro.

Foi também escavada uma estrutura de armazém, que terá acompanhado toda a vida do centro oleiro, ainda que não tenha sido possível determinar o momento preciso da sua construção. Embora não seja fácil enquadrar o centro oleiro no contexto do povoamento romano do baixo Sado, há vários elementos relevantes a reter. Em primeiro lugar, a abundância de materiais importados, documentada na primeira fase da ocupação do sítio (sigillata itálica, “paredes finas” e cerâmicas oriundas da Baetica), esclarece cabalmente sobre o carácter romano do arranque da actividade oleira, sugerindo mesmo que se trataria de uma actividade relacionada com elites (entenda-se, a propriedade da figlina). Um segundo aspecto interessante, é justamente a enorme similitude com a história do vizinho complexo do Pinheiro, o que nos dá uma clara ideia de que há uma dinâmica comum a vários dos centros oleiros sadinos, se não mesmo lusitanos, em sentido lato, uma vez que no Morraçal da Ajuda e em lugares do baixo Tejo se observam óbvias semelhanças em todo o processo. Finalmente, o abandono da Abul A, por razões ecológicas e a sua possível substituição por Abul D (que, sublinhe-se, não foi objecto de escavações), alerta-nos, a um tempo: para a importância que os fenómenos naturais poderão ter para a história concreta de cada local, cujas dinâmicas de utilização se poderiam explicar em outros quadros, que não os meramente económicos; e para a necessidade de proceder com redobradas cautelas na hora de interpretar a contabilidade dos centros oleiros das distintas regiões, já que alguns poderão ter desaparecido em virtude de micro transformações ecológicas, imperceptíveis a uma escala mais ampla, conhecendo continuidades em paragens próximas, mas imunes a estes microfenómenos.

 

Um pouco de história...os Romanos e os fornos

Na História do Império Romano, a Lusitânia e em particular a região dos estuários dos rios Tejo e Sado, são importantes por possuírem a maior concentração de unidades industriais de preparados de peixe de todo o Império.

img_210.jpg (33875 bytes)O clima e a morfologia do curso inferior do Sado, associados a uma costa muito rica em peixes, possibilitaram que aqui, se tivesse desenvolvido uma importante indústria de conserva e transformação do pescado.

Complementarmente, houve necessidade de extrair o sal em grandes quantidades, fabricar barcos, anzóis e redes, construir cetárias, armazéns, fornos e habitações, e comercializar as produções. Estas actividades não só dinamizaram economicamente o Sado, como também para aqui trouxeram pessoas provenientes de outras regiões da Romanidade, de diversos costumes e religiões.

Sem posterior conservação, muito reduzida ficaria a importância da pesca, já que o consumo de peixe fresco, se restringiria às zonas litorais e fluviais. No Sado, os romanos salgaram o peixe ou transformaram-no em produtos comestíveis: garum, liquamen, hallec, muria.

Estes produtos eram envasados em recipientes cerâmicos, potes e ânforas, e comercializados a grandes distancias, atingindo os mais diversos mercados.

A indústria piscícola apenas se pode desenvolver graças à existência de barreiros e lenhas nas margens do Sado, que permitiram fabricar os contentores.

Fornos romanos

A quantidade de fornos de ânforas que já foram descobertos, mais de duas dezenas, permitem compreender a forma como se organizava a produção, graças à analise das marcas que as ânforas ostentavam.

img_211.jpg (41389 bytes)Assim, encontramos marcas estampadas, com o nome do produtor das ânforas e marcas esgrafitadas, gravadas antes da cozedura, controlando a produção dos oleiros.

As pastas das ânforas são muito características, brandas e arenosas, quartzíticas e micáceas, geralmente de textura folheada, totalmente distintas dos fabricos norte-africanos e béticos.

Os fornos do Sado são de planta circular, em conjuntos que optimizam os custos da produção. As mesmas razões económicas levaram-nos a obedecer a um padrão locativo: próximo de barreiros, em terra firme, imediatamente junto à água e em zonas acostáveis, com fácil acesso à lenha, aos barros e ao transporte.

Sob o ponto de vista produtivo, o baixo Sado comportava-se como um todo, articulando-se à volta da indústria piscícola, que quase monopolizou a sua indústria.

 

 

A cache : 

Esta cache está dentro da Herdade do Monte Novo, que fica a sul da Herdade do Pinheiro. Esta herdade como que abraça o Sado e nos metros finais a comunhão com o rio e os arrozais é constante. Não se espante de ver algumas espécies de fauna pouco comuns, por exemplo no dia que colocámos a cache avistámos algumas águias, corvos e até uns parentes afastados das lontras, os vulgarmente conhecidos "saca-rabos".  Se quiser pode passar as cercas que encontrar, mas deve deixar tudo exactamente como encontrou! Apesar da cerca, o sítio onde esta a cache pode ser visitado, no entanto só a cerca proteje-o dos animais de grande porte que por ali andam..:)  Deixe a cache bem escondida, tal como a encontrou!

 

Para melhor desfrutar esta cache sugiro um roteiro:

Na E. N. 5, se vier de Setubal ou Lisboa, virar à direita para PINHEIRO e MONTE NOVO na coordenada N 38º 28.574 O 008º 35.643. Siga sempre em frente, e após passar o corte para a Herdade do Pinheiro vá atento, ´começará por avistar arrozais do seu lado esquerdo, e mais à frente do lado direito um monte com uma antiga Escola Primária abandonada, relembrando os muitos trabalhadores que em tempos ali trabalharam, casaram, tiveram filhos e os mesmos ali cresceram e foram criados. Quando chegar a um local onde a estrada se divide em duas vá pela direita. Logo à frente atenção porque irá passar a linha do comboio. Em seguida, numa curva apertada à esquerda irá encontrar do lado direito uma entrada branca e azula aberta. É por aí o caminho para a cache, mas para já siga pela estrada de alcatrão até ao Monte Novo e repare na interacção entre estas gentes e a linha de comboio com os arrozais. Deslumbrante, não é? Terá que voltar atrás e siga agora pelo tal portão em direcção à cache. Um veículo automóvel normal pode não chegar perto da cache mas pode percorrer grande parte do caminho. Siga cerca de 2kms e ao ver dois caminhos siga pelo da direita. Mais à frente, já na beira do rio, irá atravessar o Canal (que traz água desde a barragem do Pego até quase às Mouriscas durante dezenas de quilómetros. Se quiser para para o ver atenção às crianças, são mais de 3m de profundidade. Logo em seguida irá atravessar um campo de arroz. Terá oportunidade de observar aí as garças e as cegonhas pousadas nos campos alagados. Se for no inverno ou em altura de chuvas recentes atenção ao nível da água! Depois de um ultimo monte chegará ao local da cache, onde se situa a Estação Arqueológica de Abul. Aprecie o local, deixe as ruínas e a cache para o fim. Do lado direito repare nas construções abandonadas dos trabalhadores do campo, onde antes se situava o Monte de Abul, hoje em ruínas. Em seguida, dirija-se ao antigo Centro de Interpretação, passe o portão e vá até ao porto palafítico. Um local bem aprasível, pena estar tão abandonado. Depois de voltar ao portão e de ver o painel informativo siga no caminho por trás do mesmo e a cerca de 10m deste está a entrada na vedação das ruínas. Visite-as, encontre a cache e no fim não se esqueça de fechar a vedação.

Espero que aprecie o passeio e a cache!:)

 

Esta cache é um recipiente regular com cerca de +/- 10x15x8cm. 

O conteúdo inicial, além do logbook, lápis, afia e documentação é :

- 1 boneco tigre
- 1 carrinho
- 1 bolsa Disney
- 1 helicópetro
- 1 fita de pescoço

 

Ah, e não se esqueça nunca: "Cache in, Trash out!"

                         English version:

                       There is no vital information for the hunt in the portuguese text. Hint is properly translated. For an automated english translation of the text either use the following link follow or drop me an e-mail and I'll be glad to send it to you.

    Português (versão original) ¤ menu > início :: Fornos II - Ruínas de Abul [Alcácer do Sal ]

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Additional Hints (Decrypt)

CG: Cbe geáf qb sbeab, ab zheb qn pbafgehçãb,whagb nb puãb.
RA: Oruvaq gur bira, va gur jnyy, pybfr gb gur tebhaq.

Decryption Key

A|B|C|D|E|F|G|H|I|J|K|L|M
-------------------------
N|O|P|Q|R|S|T|U|V|W|X|Y|Z

(letter above equals below, and vice versa)

 

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