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Sepulturas na Rocha - "Campas"

A cache by sendines Send Message to Owner Message this owner
Hidden : 08/10/2017
Difficulty:
3 out of 5
Terrain:
4 out of 5

Size: Size:   small (small)

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Geocache Description:

Sepulturas na Rocha - "Campas"


Elas estão por aí, onde menos se espera, ao abandono, esquecidas, no meio de giestas, silvas, urzes, estevas; muitas vezes, em alto, no cimo de um qualquer barroquinho, outras vezes em baixo, rente ao chão, quase sempre desenhadas em pedras de raiz, as pedras fixas ou "perafitas", muito raramente em pedras móveis do tipo dos sarcófagos feitos em lasca de pedra fina mas não tão profundas e sem tampa...
Chamam-lhes antropomórficas, no meu entender, e no que respeita a uma grande parte delas, erradamente, já que muitas não têm a forma do corpo humano ( anthropós ): são verdadeiros podomorfos gigantes, são triangulares, rectangulares, por vezes autênticas "banheiras" a que eu preferiria chamar barcos ou barcas, dada a simbologia...
Porque a única característica em comum é estarem escavadas na pedra talvez a designação mais acertada devesse ser de sepulturas rupestres.
O povo chama-lhes também pias , e como não houvera de ser?! (…) As gentes rurais, na sua simplicidade, chamam-lhes ainda, e penso que com razão (mais adiante explicarei!), camas das moiras pois acreditam que em certas datas, nomeadamente na noite de S. João, se vêm ali deitar e adormecer até o sol raiar, lindas moças loiras e morenas, tendo ao lado, em alguns casos, segundo a lenda, meadas de linho feito oiro e mantas repletas de figos secos ou a secar...à espera do primeiro felizardo que seja capaz de lhes quebrar o encantamento...
Votadas ao abandono e ao esquecimento, verdadeiras relíquias do passado, mas certamente em relação com o fenómeno da Morte, qualquer que tenha sido a sua função, velhas de séculos ou milénios, perderam de todo a dignidade que tiveram, com largas responsabilidades para todos aqueles que estão pagos para cuidar de tudo o que seja cultura e património, a começar pelos órgãos autárquicos de base, sejam as Juntas de Freguesia, sejam as Câmaras, sejam IPAR(S) e quejandos. (…)
A cultura, um pouco como o ar, o céu, o mar, o sol, a água, são bens, que por serem de todos, não são de ninguém. Este tipo de sepulturas encontram-se, regra geral, aos pares, por vezes em grupos de três, raramente isoladas, não sem que, mais raramente ainda constituam verdadeiras necrópoles ou cemitérios com dezenas de exemplares, caso de S. Gens (Fornotelheiro - Celorico da Beira), Moreira de Rei (Trancoso) e até mesmo em Trancoso próximo e a NE do Tribunal Judicial. Em face dos elementos disponíveis, não há, ou eu não conheço, uma teoria verdadeiramente consistente que acerca delas justifique e dê alguma lógica à sua função e até à sua datação cronológica, tendo em atenção o fenómeno da Morte e os rituais próprios desta ou daquela época, seja, no geral, a inumação ou a incineração dos corpos. Não há, assim, unanimidade quanto à função nem quanto à época a que pertencem, acontecendo até, e no que à inumação se refere, haver fortes contradições entre as teorias propostas e o que na realidade concreta se passa, seja, nomeadamente, a falta de profundidade das "covas", seja a ausência de tampas, seja o serem parte dos alicerces de velhas capelas ou templos paleo-cristãos. Do que pude apurar e, nomeadamente, quanto à sua datação cronológica, há quem as considere pré-históricas (Breuil), quem as situe na Baixa Idade Média quando se encontram junto de templos medievais (Amorim Girão); e outros dizem-nas ainda romanas ou paleo-cristãs, ou seja, dos primórdios do cristianismo (Rocha Peixoto). Adensa-se o enigma e as dificuldades quanto à sua interpretação aumentam, penso, porque este tipo de sepulturas rupestres se encontram hoje totalmente descontextualizadas em relação ao tipo de povoamento em que estiveram integradas. Difícil, assim, para não dizer impossível, uma interpretação correcta e fidedigna para o fenómeno se não for tido em conta e recriado o contexto em que elas (sepulturas) estiveram vivas na sua função fúnebre de honrar e dar acareio aos mortos. É assim minha convicção que este tipo de sepulturas rupestres, nomeadamente essas que se encontram por aí perdidas por cerros e matagais, são, no geral, lusitanas, pertencem cronologicamente à época do ferro, funcionaram, estou em crer, no mínimo, até ao advento e instalação do cristianismo (séculos II e III DC), e estiveram integradas em um tipo de povoamento disperso que precedeu a romanização, a qual terá dado origem ao povoamento moderno ou concentrado, que é o actual, também este em vias de sofrer forte descaracterização, como é sabido, dada a desertificação rural que campeia e a que vamos assistindo impunemente.
Texto retirado do blog: Na rota das Pedras Por estas terras dá-se o nome de "Campas" e neste local existe só uma, pelo menos só se consegue ver uma.

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