ROTA DAS FONTES
As fontes públicas permitiram a sobrevivência das populações até à chegada da água canalizada a todas as casas. Durante séculos, as populações deslocavam-se, de cântaro na mão ou à cabeça, para obter o maior bem essencial.
As fontes foram durante muitos anos locais de culto, encontro e convívio das gentes que viviam em seu redor. As suas histórias e lendas fazem assim parte da memória coletiva destas populações.
Neste projecto GC irão visitar algumas dos pontos de água potável mais importantes da freguesia de Santa Margarida da Coutada.
FONTE DE LUCAS - CARDAL
Esta é das mais antigas da freguesia. Conta o Sr. Ângelo que esta fonte de águas tão puras teve uma “vida” muito atribulada.
Duma muralha com cerca de 4 metros de altura, uma pequena bica com tubo feito em cobre largava água para duas pias feitas em pedra, que eram usadas para dar água aos animais. Sem grandes alternativas, os populares esperavam a sua vez para poder encher os seus cântaros. Iam de madrugada pois o tempo era precioso e havia muito trabalho pela frente.
No ano 1938, a escassez de água que saía da fonte obrigou a Câmara Municipal de Constância a efectuar obras urgentes na fonte. Foi aumentada a mina, e a água canalizada com tubos galvanizados para que a água saísse límpida e pura. Era esta pureza que levava a que o Dr. João Godinho, dono da farmácia de Constância a levar água desta fonte para fazer medicamentos.
Nesta obra, com o motivo de aumentar o caudal da água, a fonte foi mudada mais para norte, a cerca de 30 metros da fonte original.
Os canos usados eram estreitos e entupiam. Uns anos depois, esta fonte volta ao seu local de origem. É colocada uma torneira e são feitas novas pias. Na mesma altura em cima da mina, foi construído um poço com uma roldana manual, que as gentes do Cardal usavam para tirar água mais
rapidamente. Nesta altura a água corria em ambos os locais.
Actualmente esta fonte, convertida apenas no poço e na fonte mais a norte, deixa-nos apenas viajar pelos tempos remotos apenas se pode apreciar a paisagem uma vez que a água já não corre.
(com o apoio e texto da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada)