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A Fosforeira Portuguesa (Creche e Refeitório) Traditional Cache

Hidden : 07/22/2021
Difficulty:
2 out of 5
Terrain:
1.5 out of 5

Size: Size:   micro (micro)

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Geocache Description:


Notas
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Deixa a cache como a encontraste: se tiveste de retirar alguma coisa para chegar a ela, por favor volta a pô-la no sítio.
Não é necessário entrar no terreno do edifício.
Tenta ser discreto, há muggles à volta (e dentro!) do terreno.
Leva o teu próprio material de escrita, e, por favor, não deites fora os elásticos do logbook! Age da mesma forma que quererias que agissem com a tua cache.

 

Em 1885, sob o reinado de Carlos I, Hintze Ribeiro, então Presidente do Concelho e Ministro da Fazenda, mandou encerrar as muitas fábricas de fósforos espalhadas pelo país fora. As instalações precárias, associadas ao domínio deficiente da arte fosforeira, já tinham causado demasiados danos: incêndios, envenenamento dos trabalhadores e poluição do meio-ambiente. Ribeiro concedeu o monopólio da indústria à Companhia Portuguesa de Fósforos, por um período de 30 anos. Esta montou duas grandes fábricas em Lisboa e no Porto. Em 1925, já sob a égide da Primeira República, a Companhia reorganizou-se para formar a Sociedade Nacional de Fósforos. Logo no ano seguinte passou a ter competição vinda de Espinho: a Fosforeira Portuguesa tinha nascido.

A infame Licença Anual para a utilização de isqueiro instituída por Salazar foi, na realidade, uma medida proteccionista. A indústria fosforeira era uma mais-valia para Portugal: tanto os accionistas como a matéria-prima (com excepção do fosfato) eram todos de origem nacional, e as exportações asseguravam a entrada de divisa estrangeira no país. O isqueiro, introduzido nos mercados internacionais na década de 20, ameaçava directamente a sobrevivência das fosforeiras. A indústria atingiu o seu apogeu nos anos 60, empregando no total mais de 800 trabalhadores e atingindo um volume de vendas superior a 100,000 contos, dos quais 12% correspondiam a exportações. A Fosforeira Portuguesa destacava-se pelas regalias gratuitas que concedia aos trabalhadores: refeições, creche para as crianças, e até apoio na doença.

Mas os tempos mudaram, como é seu costume. A contestada Licença Anual, em vigor desde 1937, foi abolida quatro anos antes da queda do Estado Novo. Em conjunto com a maior abertura do país aos mercados internacionais, que praticavam preços inferiores aos que a indústria nacional conseguia suportar, instalou-se o início do declínio irreversível das fosforeiras nacionais.

Os filumenistas e saudosos do fósforo continuaram a sustentar as duas empresas que restavam: a Sociedade Nacional e, claro, a Fosforeira Portuguesa. A primeira encerrou definitivamente em 1993, sendo absorvida por um sócio estrangeiro, a Swedish Match. A Fosforeira Portuguesa passou a ser a única produtora nacional, continuando a laborar na sua unidade em Espinho, composta por dois quarteirões inteiros, ambos entre as ruas 18 e 20. A fábrica ficava no delimitado pelas ruas 37 e 35; o edifício secundário, imediatamente a norte entre as ruas 35 e 33, servia de creche, refeitório e armazém. Este último foi o primeiro a fechar, em 1998, como medida de contenção de despesas. Em Setembro de 2006, contando já só com 39 empregados, a fábrica encerrou também. Hoje em dia, o que sobra da indústria é a empresa Chama Viva, sediada em Gaia, e que se apresenta como sucessora da Fosforeira Portuguesa: o seu primeiro administrador foi o antigo director de produção da Fosforeira, e de quem os antigos trabalhadores aparentemente não guardam boa memória.

Em 2016, no quarteirão da fábrica, começou a ser construído um complexo comercial e habitacional, com preservação parcial da antiga fachada de tijolo. O quarteirão vizinho não teve a mesma sorte: apesar de ter sido adquirido pela Misericórdia de Espinho logo em 2006, para a construção de um centro que iria acolher doentes de Alzheimer, nenhuma obra foi feita. O edifício, degradado mas ainda intacto, tornou-se local de visita para jovens curiosos munidos de skates, e, eventualmente, toxicodependentes. Sentindo-se incomodados e inseguros, os vizinhos pediram que o edifício fosse entaipado. O pequenino muro exterior foi reforçado com arame farpado, apoiado em varões de metal ao longo da sua extensão. Embora o terreno à volta do edifício continue a ter algumas frequências estranhas, os únicos residentes permanentes são uma colónia de gatos, alimentada e cuidada pelos vizinhos.

Entretanto, o edifício continua a resistir ao abandono: perscrutando silenciosamente quem por ele passa, vai reacendendo memórias dos tempos áureos da indústria espinhense.

Leituras sugeridas

Os Fósforos e a Fosforeira Portuguesa

Fosforeira Portuguesa em risco de encerrar

Misericórdia de Espinho compra parte das instalações da Fosforeira Portuguesa

 

English version here!

Don't behave like the well-intentioned but indisciplned locals: leave the cache as you found it! If you removed/manipulated anything to get to it, please set it all back into place afterwards :-)
No, you don't have to jump the wall.
Please use stealth, there are both regular muggles passing by, and a few suspicious (and probably high) ones within the grounds. Don't fret though, Espinho is a very safe and beautiful city!

Please bring your own pen, and don't throw away the rubber bands!
 

In 1885, under the rule of Carlos I, the then Council President and Plantation Minister, Ernesto Hintze Ribeiro, decreed that the many match-makers spread throughout the country be shut down. The plentiful micro-factories, sometimes taking up no more than a few square metres, and run by amateurs with no knowledge of the craft or basic safety measures, had already inflicted too much damage: major fires, fossy jaw and environmental damage had been dealt to the country and its people in generous portions. Ribeiro then issued a monopoly to the Companhia Portuguesa de Fósforos that should remain in effect for a thirty-year period. The company had set about building and equipping two large factories in Lisbon and Oporto. By 1925, after the monarchy had fallen and the country had passed into the First Republic, the Companhia reorganized itself into the Sociedade Nacional de Fósforos, opening itself up to new shareholders so as to prepare for the end of its monopoly. In any event, by the following year it met its first competitor: the Fosforeira Portuguesa had risen in sunny, seaside Espinho.

Portugal's first attempt at democracy lasted no more than 16 years. By 1926, the embattled First Republic fell victim to a military coup d'état that eventually brought about the authoritarian, isolationist and theocratic Estado Novo, headed by Salazar Slitherin One of the most infamous decrees from the bygone era limited the ownership and usage of lighters to those willing to apply for a costly and seldom-issued yearly licence, which is often portrayed as the result of capricious, severe legislators. In reality, it was a protectionist measure, designed to ensure the survival of the domestic match-making industry. The cigarette lighter, first brough to the international market by Ronson Consumer Products, was very much a deadly menace to the common match. The national match industry was an asset to the country's economy and aligned itself well with the Estado Novo isolationist policies: all of the shareholders and raw materials (save for phosphorus) were portuguese, and the products made for a profitable export. The industry reached its peak in the '60s: it employed more than 800 skilled workers and the sales volume was about 100,000 contos, 12% of which was the result of exports. The Fosforeira Portuguesa was well-known for the many free amenities it offered its employees: preschool for the children, a fully equipped mess hall, and even healthcare assistance, at a time when a national health service did not yet exist.

But times changed, as they are wont to do. The much-contested lighter licence, which had been in effect since 1937, was finally abolished 4 years before the Estado Novo fell. The country opened itself up to international trade, and soon matches from other european countries and China flooded the market, at much lower prices than the local industry could afford. The irrevocable decline had been set in motion.

Local match enthusiasts offered succour to the two remaining companies, Sociedade Nacional and, of course, Fosforeira Portuguesa. The former met its demise in 1993, and was taken over by Swedish Match.. From then on, Fosforeira Portuguesa was on its own. Its facilities in Espinho, comprising two whole blocks between 18th and 20th Streets, kept labouring on. The southernmost block, between 37th and 35th Streets, housed the factory itself. Immediately to the north, the block between 35th and 33rd Streets housed the preschool, mess hall and storage facilities. The latter block was the first to shut down, as a cost-cutting measure, in 1998. And then September 2006 came: now employing but 39 skilled and senior employees, the factory was finally shut down.

Ten years later, the quarter housing the factory was converted into a commercial and residential complex, preserving part of the original red brick façade. The other quarter met a different fate (or, perhaps, none at all): the Espinho chapter of the Santa Casa da Misericórdia, a for-profit catholic organization, acquired it in 2006, intending it to become a luxury nursing home for Alzheimer's patients. Yet, to this day nothing has come out of it. The buildings therein, though touched by superficial decay, kept standing, and still do today. Soon, groups of curious, skateboard-yielding youngsters began meeting in the grounds; later on, drug addicts became the mainstay. The startled neighbourhood demanded that the buildings be walled up. The outer wall, standing less than a metre tall, was reinforced with barbed wire. Though the grounds are still occasionally haunted by spectres which are less than hale, presently the only permanent tenants are a colony of sterilized street cats, fed and watched over by kind souls in the neighbourhood.

Meanwhile, the building silently resists the ravages of time, an honoured ghost rekindling the memories of passers-by of the golden age of industry in sunny, seaside Espinho.

Further reading

Matches and the Fosforeira Portuguesa (pt)

Fosforeira Portuguesa in risk of closure (pt)

Misericórdia de Espinho acquires part of Fosforeira Portuguesa's former assets (pt)

Additional Hints (Decrypt)

Qronvkb qn crqen pbz svgn cergn. Aãb cerpvfnf qr fnygne b zheb. Genm ençãb cnen bf tngvaubf! R snm srfgvaunf à crdhravan cergn r oenapn qn sbgb, fr gvirerf n fbegr qryn gr ive phzcevzragne :-) Haqre gur ebpx jvgu jvgu oynpx gncr.

Decryption Key

A|B|C|D|E|F|G|H|I|J|K|L|M
-------------------------
N|O|P|Q|R|S|T|U|V|W|X|Y|Z

(letter above equals below, and vice versa)