A Capela de São Pedro de Varais ou Capela de Varães, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1950, localiza-se na freguesia de Vile. O seu enquadramento é rural, isolado, destacado em plataforma, na vertente de dois montes escarpados, conhecido por "monte do cão vermelho", nos contrafortes da Serra de Arga. Ergue-se num adro lajeado e com "solo-cimento".
Arquitetura religiosa, românica. Capela rural, de planta longitudinal composta de nave única e capela-mor quadrangular irregular. Coberturas escalonadas com telhados de 2 águas. Frontispício orientado, terminado em empena truncada por sineira, de arco pleno e rematada em empena. Portal de arco quebrado, com duas aduelas sobre imposta saliente, assente em pés direitos e tímpano com cruz hasteada ladeada por dois sinos - saimões dentro de círculos; encima-o rosácea. Fachadas laterais iguais, com pórtico de arco quebrado, de duas aduelas sobre pés-direitos e tímpano com cruz hasteada, enquadrado por duas frestas capialçadas para fora, à exceção de uma na fachada N., e com moldura curva superior. Sob as frestas, surgem dois ou três cachorros dispostos regularmente. Cornija biselada assente sobre modilhões lisos ou de motivos geométricos. Interior rebocado, com as frestas capialçadas para dentro com moldura curva superior. Pavimento de lajes graníticas irregulares e teto com forro de madeira. No lado da Epístola, arcossólio de arco quebrado chanfrado, mas já sem tampa. Arco triunfal, quebrado, sobre impostas salientes e encimado por pequena fresta entaipada. É envolvido por pinturas a fresco, desenvolvidas em três registos, separados por friso ocre liso traçado a terra sienna de traçado livre sem preocupação de esquadria. No primeiro registo figura o Martírio de São Sebastião, no segundo um monge inserido numa edícula, segurando um livro e uma cruz, e no terceiro três cenas separadas por friso: na primeira figura Cristo morto no regaço da Virgem, tendo São João à esquerda e Maria Madalena enxugando as lágrimas, à direita; na segundo, ao centro, figura uma imagem muito incompleta e ainda por identificar; e na do lado esquerdo ilegível. Mesa de altar colateral, no lado da Epístola, em pedra, com o pano lateral pintado com motivos geométricos. O intradorso do arco é pintado com motivos decorativos variados, de forma geométrica. Capela-mor com duas frestas capialçadas para o interior e arcossólio sem tampa no lado do Evangelho; na parede testeira, pinturas a fresco, enquadradas por frisos geométricos e vegetalistas separadores; uma outra cena existe à volta da fresta sobre o arco triunfal. Retábulo-mor em pedra, com embutidos de várias cores, de nicho entre pilastras e arquivoltas a pleno centro, sobrepostas por raios e mitra papal com chaves - símbolo do Apóstolo Pedro. Mesa de altar também em pedra, com sebastos, sanefa e pano central destacados.
Cronologia: Séc. 10 / 12 - Provável construção de uma ermida alto-medieval, de que a metade inferior da capela-mor parecem ser os restos subsistentes; 1128 - documentos anteriores, referem-na como simples ermida pertencente ao Convento Vitoriano das Donas; séc. 12 / 13 - provável reconstrução ou ampliação da capela; 1258 - referida nas Inquirições; 1320, 23 Maio - Papa João XXII concede Bula a D. Dinis, por 3 anos, para ajudar na guerra contra os mouros, através da décima de todas as rendas eclesiásticas do seu reino, com exceção das igrejas, comendas e benefícios pertencentes à Ordem de Malta, onde se incluía a capela de São Pedro de Varais; séc. 13 / 14 - reconstrução; 1321 - o censual do cabido de Tui para o Arcediago da Terra da Vinha atribui-lhe o rendimento de 1 quarteiro de trigo e 1 libra de cera; 1551 / 1581 - O censual de Fr. Baltasar Limpo dá conta dos seus benefícios, metade na posse do mosteiro de São Salvador da Torre e outra metade na mão de senhores leigos. Refere também a confirmação duma doação do padroado ao Marquês de Vila Real por estes Senhores, feita pelo Arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa; 1640 / 1641 - as povoações de Vile e Azevedo, até ali congregadas numa só freguesia e tendo-a por matriz comum, desmembraram-se noutras freguesias, cada 1 delas procurando ter matriz própria; os párocos de Vile, não se contentando apenas com a sua nova igreja de São Sebastião, obtiveram direito à posse da antiga matriz, a ponto de irem ali anualmente dizer missa no dia de São Pedro; posteriormente, os de Azevedo obrigaram à sua cedência, integrando-a na interparoquial Confraria de Santo Isidoro; 1748 - data do altar-mor; 1758 - Memórias Paroquiais referem-na já na dependência do Mosteiro de Tibães, que supria o necessário à fábrica da igreja; 1850 - reparação pela confraria de Santo Isidoro; 1995 - assinatura de protocolo entre a Região de Turismo do Alto Minho, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a Direcção-Geral do Património e o Fundo de Turismo para recuperação, beneficiação e criação de um itinerário de visitas integradas das igrejas românicas da bacia do Alto Minho; 1997 - durante os trabalhos arqueológicos, pôs-se a descoberto, fronteiro à fachada principal, o afloramento rochoso com diversos recortes artificiais, vestígios de afeiçoamento da rocha para receber uma estrutura, possivelmente de um alpendre; perpendicularmente ao cunhal SE. da nave identificou-se parte de um alicerce, que poderá corresponder a restos de um simples anexo ou de uma ala de um edifício mais complexo; 1998, final - lançamento público do Itinerário Românico da Ribeira Minho.
Dados técnicos: Sistema estrutural de paredes portantes.
Materiais: Granito, talha, frescos e madeira. Pavimento de lajes e cobertura de telha
Intervenções realizadas: DGEMN: 1992 - Substituição da cobertura e da única porta, demolição da base do púlpito; 1997 - peritagem e diagnóstico das pinturas murais interiores: levantamento de cal para perceção da extensão e estado de conservação das pinturas encontradas; análise superficial e recolha de amostras de vários pontos para análise laboratorial; intervenções pontuais de emergência; 1998 - obras de conservação e beneficiação geral do imóvel e arranjos exteriores: beneficiação dos paramentos exteriores; limpeza e refechamento das juntas; limpeza do pavimento interior; revisão geral das coberturas; sondagem ao entaipamento da rosácea; dreno perimetral da capela com acompanhamento por arqueólogos da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, no âmbito do protocolo realizado com a DGEMN, tendo-se descoberto uma necrópole da antiga paróquia com ruínas a N. da capela, sob a densa vegetação; fronteiro à fachada principal perpendicularmente ao cunhal SE. da nave identificou-se parte de um alicerce, que poderá corresponder a restos de um simples anexo ou de uma ala de um edifício mais complexo; arranjo da envolvente com construção de muros e pavimentação; desentaipamento dos portais laterais e feitura de portas; 1999 - tratamento e reconstituição da rosácea; trabalhos de conservação e restauro das pinturas murais do interior; beneficiação do caminho de acesso à capela. Junta de Freguesia de Vile: anos 90 - aproveitamento das plataformas criadas na sua proximidade para apoio a atividades de lazer, com colocação de mesas de pedra, um fontanário e sanitários públicos; 2000 - conservação de paramentos interiores da nave e capela-mor e execução de altar; 2001 - reparação de pavimentos e drenagens exteriores, destruídos pelo temporal.
Observações: Segundo a tradição, foi inicialmente uma igreja conventual, contudo nem os documentos fazem qualquer alusão ao facto, nem os vestígios materiais são suficientes para atestá-lo. Os cachorros dispostos nas duas fachadas laterais serviriam para suporte de alpendre, como era comum na época. Durante os desaterros no adro, afloraram à superfície algumas ruínas, designadamente partes de sepulturas nas proximidades do portal lateral S., o alicerce de uma parede e entalhes escavados na rocha. O alicerce, descoberto perpendicularmente ao cunhal SE. da nave, é constituído por alvenaria de blocos graníticos de várias dimensões, toscamente afeiçoados e alinhados em duas fiadas paralelas. Sobre ele elevar-se-ia uma parede com 90 cm de espessura, como revelam as marcas do seu arranque no cunhal da nave. Aí são visíveis os silhares partidos que "engatavam" na parede da igreja denunciando uma contemporaneidade construtiva dos vestígios, que poderão corresponder a restos de um anexo ou da ala de um edifício mais complexo. Frente à fachada principal identificaram-se diversos recortes artificiais na rocha, de planta quadrada, paralelamente à parede, infletindo em ângulo reto para esta fachada no topo N. Este embasamento poderá ter pertencido a um alpendre / pórtico, que antecederia a estrada. Segundo os autores do artigo "Capela de São Pedro de Varais" in "Monumentos" nº 13 ( p. 140 ) a diferença de aparelho entre a nave e a metade inferior da capela-mor, das cornijas e cachorros e das frestas poderão ser justificadas por três fases construtivas distintas; 1) séc. 10 a 12 - como ermida alto-medieval, de que a metade inferior da capela-mor parece ser o resto subsistente; 2) séc. 12 - 13 - reconstrução / ampliação românica; séc. 13 - 14 - reconstrução gótica. As pinturas a fresco foram realizadas com pigmentos minerais de terras vermelhas, ocres, ocres amarelos naturais, vermelhão e negro. Os rebocos são constituídos por cal e areia fina e com muitas partículas de origem marítima como crustáceos. São compactados e finos não tendo havido preocupação de nivelamento exaustivo da superfície.
O local
De fácil acesso, este sítio tem sido bem aproveitado e valorizado. Um local calmo e agradável, com amplo estacionamento, mesas de piquenique, churrasqueira, fontes de água e árvores que proporcionam sombra. Excelente para um ótimo momento em família e/ou amigos.
A cache
A cache encontra-se nas imediações do complexo e o acesso a partir daqui até ela é complicado e relativo, ou seja, caberá ao geocacher decidir o percurso.
A dificuldade de terreno inicial atribuída pode variar, conforme o trajeto optado pelo geocacher e pela oscilação no crescimento da vegetação.
Deve o geocacher levar material de escrita.
Pede-se cuidado e zelo no manuseamento do container de forma a preservar e prolongar a durabilidade do mesmo.