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Found it Gato Maltês found Lapa da Cerejeira

Sunday, March 15, 2015Santarém, Portugal

#630 - 15:25

O tempo, esse escultor de martelo e cinzel que vai gravando eternamente cada segundo da existência, metrónomo inexorável da sinfonia da vida, apura os sentidos, aguça a sensibilidade, molda o talhe do carácter humano, destapa as entrelinhas escondidas no fingimento do disfarce e revela o desconhecido. Esse passageiro oculto em cada recanto de uma fracção de segundo, abafa as amizades de ocasião e avigora os laços fraternos da irmandade não consanguínea. Altivo e implacável, não solicita autorização a quem vem ao mundo para celebrar contrato vitalício, que se reserva a interromper sem anúncio prévio, no momento do primeiro choro após a saída do ventre materno.

Contudo, para o génio da relatividade, o tempo não é uma constante, mas sim uma variável relativa que não pode ser medida exactamente do mesmo modo em todo lado. Se para os amantes o tempo tem asas, para quem espera, o tempo é um sorvedouro da perseverança, que teima em gotejar lentamente em vez de correr como um rio.

O gigante abráquio da ampulheta consegue façanhas extraordinárias, criando, movendo e desconstruindo montanhas e, algumas vezes, quando o permitimos, cura aquilo que a razão não consegue sarar. Ele é o responsável pela suposta selectividade com que cunho outros afazeres de mérito muito maior do que esta actividade de procurar supostos tesouros, e também por me desviar intencionalmente dos caminhos fáceis que conduzem à veleidade oculta.

Graças à habilidade paciente e persistência perene, este artífice de mãos invisíveis criou e deu corpo ao motivo principal, apelidado de “Lapa das Cerejeiras”, e que tem vindo a desenrolar esta prosa. Gosto muito desta denominação, não apenas pela eloquência, mas também pelo sápido e colorido substantivo, que despertou em mim a necessidade de o visitar. Isto, sem referir a credibilidade qualitativa dos seus criadores – os simpáticos e amistosos “Capitães da Areia”.

A caminhada, desde o estacionamento até ao cerne da visita, é merecedora de destaque, tanto pela beleza natural, como pelo trilho rochoso que me fez roer de arrependimento por não ter comigo a minha fiel bicicleta. No entanto, atendendo ao tamanho limite que este tipo de registo possui, não posso desperdiçar caracteres que me poderão faltar mais à frente para complementar ao máximo a minha impressão.

A chegada à lapa ocorreu sem a menor das dificuldades. Após o primeiro passo em direcção da entrada, os sentidos apuraram-se e as ligações ao mundo exterior quedaram-se silenciosamente à “porta”.
- “Bem-vindo ao mundo colorido da tranquilidade” - ecoava repetidamente em surdina no meu pensamento, enquanto o olhar se deliciava com o festim de cores e tonalidades mágicas que conferem a toda a abóbada uma beleza de encantar. Como se não bastasse, a luz, amaciada pelas barreiras naturais que os diversificados ângulos proporcionam, desperta os mais variados pigmentos que, graças à sua selectividade colorida, fariam certamente envergonhar o mais garrido dos arcos-íris.

O som harmonioso do silêncio no interior, ocasionalmente interrompido pelo chilrear dos pássaros que, enamorados pela anunciada primavera, se faziam escutar no exterior, poderia servir perfeitamente para orientar o mais puro exercício de meditação. Aleatoriamente, entre o piar melodioso de um pássaro e o cantar do vento, um pingo, acertando em cheio num minúsculo charco, repetia o som da sua queda em todas as direcções.

Muito mais poderia ser dito, sem favor algum, sobre quão bela e interessante é esta EC. Um exemplo perfeito de que no geocaching, para quem não vive de aparências, o contentor é, na maioria das vezes, o que menos importa.

Agradeço aos owners a partilha deste mágico espaço, toda a informação na listing e a descoberta que me tornou mais rico e feliz.

Bebi da fonte e sem pressa, porque o tempo, durante a minha presença na lapa, correu à velocidade que muito bem quis. Afinal, a pressa é inimiga da utópica perfeição!

OPEC – TFTEC.

O caminho...

Additional Images Additional Images

O caminho... O caminho...

O caminho rochoso. O caminho rochoso.

A primavera está à porta. A primavera está à porta.

À entrada. À entrada.

Another world. Another world.

A saída. A saída.

O pilar do tempo. O pilar do tempo.

Despertar... Despertar...

"Escapade" "Escapade"

Pedaços caídos do céu. Pedaços caídos do céu.

Realidade espaço-tempo... Realidade espaço-tempo...

Uma gota no charco. Uma gota no charco.

A saída A saída

Return to the real world. Return to the real world.

Indícios primaveris. Indícios primaveris.

Beleza singela. Beleza singela.

As saudades da minha bicicleta aqui. As saudades da minha bicicleta aqui.

Caprichos resilientes. Caprichos resilientes.

Sometimes it is necessary to ride the stormy way! Sometimes it is necessary to ride the stormy way!

Outra forma de olhar. Outra forma de olhar.

Um tapete aos meus pés. Um tapete aos meus pés.

With arms wide open... thanks! With arms wide open... thanks!

infoAn Earthcache is an educational form of a virtual cache. The reward for these caches is learning more about the planet on which we live - its landscapes, its geology or the minerals and fossils that are found there. Many Earthcaches are in National Parks. Some are multi-cache in form, and some have a physical log book located in or close to a Visitor Center. Earthcaches are developed in association with the Geological Society of America. For more information go to http://www.geosociety.org/earthcache/
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