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Found it vsergios found Jardim do Freixo

Sunday, January 17, 2010Lisboa, Portugal

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Era uma vez uma Árvore no meio de uma imensa floresta verde. A árvore tinha muitas amigas, mas eram todas diferentes dela. Todas iguais, mas diferentes dela. Falavam todas umas com as outras, principalmente em dias que o vento apitava mais forte. Mas eram pinheiros, as outras árvores. E a nossa árvore era um imponente e alegre freixo.
Um dia entrou na floresta verde um camponês das redondezas. Estava estafado do trabalho e sentou-se à sombra fresquinha das árvores. Gostou. Gostou e começou a vir ter com as árvores todos os dias, na hora de maior calor, para descansar da lavoura.
Mas houve um dia que a lavoura não correu bem. E quando descansava pensou, encostado ao freixo, olhando as réstias de azul do céu que se escapavam pelo meio das airosas copas, que poderia ter muito menos trabalho do que a penosa lavoura, se começasse a vender aquela rica madeirinha. Não pensou duas vezes e no dia seguinte veio preparado com uma serra para tratar da saúde a um pinheiro. E assim fez. Deitou o frondoso pinheiro abaixo e foi vende-lo à beira do caminho, lá mais abaixo.
O pinheiro que escolheu era efectivamente frondoso, bonito, verde. Toda a gente que passava admirava o pinheiro como se nunca tivessem visto árvores tão bonitas.
Foi a uma quinta-feira, dia de feira na Malveira, que o fazendeiro-mor da zona passou e, tal como todos, não conseguiu passar sem parar. Ficou maravilhado e comprou o pinheiro ao camponês.
Foi exibir o pinheiro para a feira. Sentiu-se mais importante ainda, aquele fazendeiro vaidoso. Ao perguntarem onde o tinha conseguido, não hesitou em responder o primeiro nome que lhe surgiu, foi na Venda do Pinheiro. E assim ficou baptizada aquela pacata aldeia.
O camponês, que tinha galho uns patacos com a história, e na ânsia dos tostões fáceis, todas as quartas-feiras ia ter com as árvores amigas. As amigas iam tendo cada vez menos alegria nas conversas umas com as outras. E cada vez eram menos as árvores que conseguiam falar, e cada vez se podia contemplar mais o azul do céu.
Até que chegou um dia que a árvore amiga ficou sozinha. Ficou sozinha, mas com a fresquinha sombra para oferecer ao camponês. Apesar de tudo, sentia-se feliz em poder oferecer algo. Algo muito valioso. E as crianças brincavam felizes à sombra do Freixo, balançavam-se nos seus galhos, brincavam com as suas folhas e com elas faziam coroas de reis.
E um dia veio um ministro e mandou deitar abaixo o Freixo.
Os meninos ficaram tristes e o ministro mandou construir um parque.
E hoje os meninos brincam felizes, e o Freixo está na placa à entrada, junto com o airoso nome do ministro.

Obrigado pela cache.
Vitor Sérgio, Vitória, João, Martinzes e Ripajos

This entry was edited by vsergios on Tuesday, 08 February 2011 at 07:36:15.

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