Pinheiro
Embora seja hoje o primeiro
número oficial na celebração profana das Festas Nicolinas, e também
de longe o mais participado, o “Pinheiro”, tal como
hoje o conhecemos, não é um dos primitivos Números Nicolinos. O seu
aparecimento como número nicolino deve-se à evolução do
aproveitamento de uma tradição popular tipicamente minhota, que
consistia em levantar no largo onde se realizam as festas, um
grande mastro, normalmente um pinheiro, anunciador do início dos
festejos, aí permanecendo ao longo da duração das festas. De tal
modo que inicialmente, o grande anunciador das Festas Nicolinas não
era o “Pinheiro”, mas antes o “Pregão”, uma
vez que se realiza no dia antecedente ao dia de S.Nicolau
(6/Dezembro), servindo precisamente para anunciar a realização de
mais uma festas.
De qualquer forma, o “Pinheiro” representa hoje o
mais participado número nicolino, sendo igualmente o mais difundido
por todo o país. As raízes deste cortejo, remontam aos inícios do
século XIX e o seu modelo mantém-se na essência, inalterado: o
“Pinheiro” segue enfeitado com lanternas e um festão
com as cores escolásticas (verde e branco), pousado em carros
puxados por juntas de bois, levando à sua frente uma representação
da figura da deusa Minerva, deusa da sabedoria (que na realidade é
desempenhada por um homem travestido com um traje de soldado
romano). O cortejo é liderado pela figura máxima deste dia, um
membro da Comissão de Festas, o Chefe de Bombos. É ele quem conduz
e lidera todo o cortejo do “Pinheiro”, e atrás de si e
da sua “boneca” – que usa para marcar o ritmo dos
bombos – seguem os estudantes, novos e velhos, rufando nas
caixas o toque do Pinheiro e batendo forte nos bombos ao ritmo
marcado pelo Chefe de Bombos.
O “Pinheiro”
encerra igualmente uma simbologia que se prende com o facto de ser
tradicionalmente conduzido apenas pelos homens da cidade. O
“Pinheiro” é, neste sentido, a representação simbólica
e figurativa da órgão sexual masculino (daí o facto de se escolher,
por tradição, “o mais alto pinheiro da região”), que é
ostentado orgulhosamente pelos homens da cidade, numa manifestação
de masculinidade durante o cortejo que se mantém inalterada nos
comportamentos dos participantes até aos nossos dias. E esta
ostentação masculina é desempenhada perante as meninas da cidade
que, tradicionalmente, assistem ao desfile sem poder participar.
Razão pela qual, aliás, em sua homenagem, lhes é dedicado o número
das “Maçãzinhas” no dia mais importante (dia 6 de
Dezembro, dia de S.Nicolau), estando as meninas nas janelas,
representação simbólica do local onde estiveram ao longo de todo os
números.
A título de mera curiosidade é de referir que, por uma única
vez, houve um ano em que o “Pinheiro” não se festejou a
29, mas antes a 30 de Novembro; foi em 1951, devendo-se essa
alteração ao facto de, nesse ano, o regime republicano ter
decretado luto nacional pelo falecimento da Rainha D.Amélia de
Orleans e Bragança, viúva de D.Carlos I. Este facto, até por ter
sido isolado, não só manifesta a associação inequívoca dos
estudantes vimaranenses e da festa nicolina ao decretado luto
nacional, como serviu como uma forma de prestar respeito, à herança
e à História da Nação Portuguesa.
No dia do
“Pinheiro”, o cortejo é antecipado pelas tradicionais
“Ceias Nicolinas”. Na origem directa da tradição das
Ceias Nicolinas está a Ceia que os Irmãos de São Nicolau (membros
da Irmandade de S.Nicolau) tinham por hábito realizar, todos os
anos, na passagem do dia da festa religiosa do santo, com o
objectivo de conviver, apreciar o desempenho da Irmandade naquele
ano e programar actividades futuras. Tendo como base esta Ceia e
tendo em conta que o “Pinheiro” é o único número que se
realiza à noite (razão principal do seu sucesso em termos de adesão
da população), as “Ceias Nicolinas” foram sendo
criadas, como um jantar de convívio entre grupos de antigos
estudantes, que se encontram apenas uma vez por ano, neste dia,
para juntos desfilarem pelas ruas da cidade relembrando os velhos
tempos. Constituíram-se algumas Ceias famosas como a do
“jantar do penico” na tasca do Carneiro, a da Pescoça,
a do Zé da Costa e a do Terrinha. Hoje em dia, reúnem ainda muitas
tertúlias nicolinas neste dia.
A “Ceia Nicolina” é tradicionalmente composta por
caldo verde com tora, papas de sarrabulho, rojões de porco com
batatas, tripas com grelos e castanhas assadas, sempre bem regadas
com (muito) vinho verde da região (branco ou tinto). Este é um dia
muito especial, em que regressam à terra os vimaranenses de todo o
Mundo. O cortejo arranca sempre à meia-noite (0.00h), num desfile
de milhares de pessoas, saindo como antigamente do Terreiro do Cano
ao lado do Campo de S.Mamede (parte alta da cidade), passando
depois pelo Castelo de Guimarães, Palheiros, Rua de Santo António,
Toural, Alameda S.Dâmaso e Campo da Feira, vindo depois a terminar
no Largo de S.Gualter, ao lado da Igreja de Santos Passos, num
local agora definitivo, onde tem uma placa evocativa.
Após o final do cortejo, numa tradição ainda recente mas que faz
já parte integrante da “Noite do Pinheiro”, os
estudantes deslocam-se até à Alameda Abel Salazar, em frente ao
antigo e simbólico Liceu Nacional de Guimarães, para aí ficarem a
rufar o toque do Pinheiro, até ao raiar do dia. Esta tradição
iniciou-se porque há alguns anos, não havia dispensa de aulas na
manhã a seguir ao “Pinheiro”, razão pela qual, os
estudantes ali ficavam a tocar até ao início das aulas do dia
seguinte, para impedir a sua realização. Como se diz num escrito de
1883, manda a tradição que o Pinheiro “tem de levantar-se com
a costumada bandeira para anunciar os Festejos de São
Nicolau”.
Igreja e Convento de São Francisco
Não são claras as origens do antigo Convento e Igreja de São
Francisco, em Guimarães.
As opiniões mais consensuais situam a sua origem nos inícios do
século XIII, em pleno reinado de D. Afonso III, o que lhe confere o
estatuto de ser uma das primeiras casas conventuais nacionais, mas
da sua volumetria original nada existe actualmente pois seria
demolido no reinado de D. Dinis, pois colocava em perigo parte da
muralha da cidade.
A actual fachada apresenta um portal ogival composto por três
arquivoltas, assentes em três pares de colunelos, ladeado por dois
contrafortes e encimado por um óculo, já sem a sua rosácea gótica,
com empena triangular no remate da cobertura.
No lado direito da fachada ergue-se a torre sineira coberta por
um coruchéu prismático, tendo adossado um edifício do século XVIII.
De referir ainda a Sala do Capítulo, edificação do gótico
quatrocentista, com o seu portal e as janelas que abrem para o
claustro, obra de 1591, do mestre Gonçalo Lopes.
Os jardins do claustro têm ao centro, um chafariz que proveio do
Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães.