Antigos Fornos de Carvão em Cavernães

Até há meia dúzia de anos ainda era frequente ver-se, por essa charneca fora e até nas proximidades da aldeia de Cavernães, fumo saindo da terra, assinalando a presença de fornos tradicionais onde se fazia CARVÃO de sobro. No chão dispunham-se dois malhais, arrumados paralelamente uns ao outro, e sobre eles, outros paus de madeira forte, cruzados com os primeiros. Estava feita a base em que se ia colocar muita lenha, assim como quem faz uma cabana de paus toda muito bem composta e bem compacta, primeiro a lenha mais grossa, no fim a mais miudinha.
Os mestres carvoeiros, que ainda os há sabedores da arte e cheios de memórias dela, falam de fornos de lenha que chegavam a levar duas toneladas e mais, de que resultariam, no fim, uns trezentos quilos de carvão. À volta da lenha assim disposta colocava-se rama verde ou mato, fosse tojo, sargaço, fetos ou até junco. Não era para atear, era para abafar, que nisto de fazer carvão o segredo está em ir queimando devagarinho, numa combustão que seja lenta para que a lenha se vá transformando em carvão e em cinza não. Por cima de tudo fechava-se com terra: leiva se fosse Inverno, aterrando à finca com terra seca, nas outras ocasiões. Na frente abria-se uma boca, sempre virada a Norte por virem daí os ventos predominantes. No extremo oposto, uma gateira, para o ar poder passar. Ateado o forno, com a ajuda de um forcado, fechava-se de imediato a boca dele e abriam-se uns quantos buracos laterais, sete ou oito, com o cabo da enxada, para sair o fumo da combustão. Quando o fumo estava azul, era sinal de que a lenha estava em carvão. Nessa altura podia-se orientar o fazer do carvão, abrindo ou fechando buracos para adiantar ou atrasar a combustão. Se o forno começasse a abrir fendas, queria dizer que o carvão estava pronto. Então era preciso alagar essa parte do forno, batendo com a pá da enxada.
O carvão fazia-se sempre da boca para a gateira, por alagamentos sucessivos, e nisto se podiam levar sete dias, ou dez, ou quinze, dependendo do tipo de lenha, do tamanho do forno e da qualidade que se pretendia dar ao carvão. Durante esse tempo todo tinha o carvoeiro de ser vigilante, verificando o estado do forno de manhã, ao almoço à tardinha e à noite, quatro ou cinco vezes em cada 24 horas. E quando tudo estava pronto, quando o forno dava à costa, no dizer dos carvoeiros, era então empoado: tapavam-se todos os buracos para que a combustão terminasse de vez no interior. Ficando bem tapado, estaria o carvão pronto a tirar ao cabo de dois ou três dias. Para essa tarefa eram necessários dois homens: um, com enxada, que ia puxando a terra, desfazendo o forno; outro com uma grade, uma espécie de ancinho como o das eiras mas com dentes de ferro, para separar o carvão da terra, tirando torrões e terra que estivessem misturados. Durante mais dois ou três dias o carvão ficava às serras para que se apagasse qualquer brasa mais teimosa. E depois era pesar e ensacar. E no ensacar também havia perceito porque nada é ao acaso: eram grandes sacas que se usavam e que eram ajoanadas, ou seja, tapava-se-lhes a boca com marganiças, torciam-se as pontas e atavam-se uma à outra. Só então é que estava o trabalho pronto.
A entrada do forno

Quero com esta cache dar a conhecer os Fornos de carvão de Cavernães, a todos aqueles que ainda não conhecem e para aqueles que conhecem mas talvez esteja esquecido, espero que gostem de os visitar, pena é estar tudo em ruinas mas dá para apreciar muito bem o seu interior.
Como era este local à uns anitos atrás.

O interior dos fornos todos eles forrados a tijolo burro.

Obs: É favor deixar tudo como encontraram, e não proceder a alterações sem o meu consentimento, uma vez que tem causado alguns transtornos noutros caches que nem eu próprio encontro. Obrigado.
Boas Cachadas!!!
Uma cache by: Jsousa40