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A primeira fase do Passeio Atlântico compreende o troço entre a foz da ribeira da Ribeira Grande e o miradouro do Palheiro, numa extensão de cerca de 900 metros.
É uma das obras emblemáticas do atual executivo camarário que devolve à Ribeira Grande a sua vocação natural, ou seja, uma cidade virada para o mar.
Esta fase do Passeio Atlântico que revitaliza e valoriza urbanística e ambientalmente a orla marítima da cidade, abrangeu a proteção da orla marítima numa extensão de cerca de 160 metros, entre o remate do esporão poente do complexo das piscinas e a foz da ribeira.
Numa segunda fase de construção do passeio atlântico, a proteção da orla vai prolongar-se por mais de 300 metros até ao Largo da Vila Nova.
É considerada uma obra essencial na perspetiva do saneamento básico da cidade dado ser um dos braços principais da rede que levará os esgotos até à futura ETAR.
Com a conclusão da primeira fase, a Câmara Municipal já equaciona a continuação do Passeio Atlântico em fases posteriores, nomeadamente o troço que compreende o miradouro do Palheiro e Santa Luzia.
Relativamente à primeira fase, a obra veio a criar uma nova zona de lazer e de estar para a população com a criação de passeios laterais à via que privilegiam o contacto com o mar e os passeios a pé. Foram ainda melhorados todos os aspetos de conforto e de acessibilidade aos vários espaços públicos existentes, nomeadamente com a redução de velocidade média dos veículos automóveis, com a introdução de pavimento em calçada, lancis baixos e de passadeiras e a criação de espaços públicos, reduzindo-se a diversidade dos materiais da pavimentação e eliminando-se degraus, desníveis entre lancis e pisos, originando uma pavimentação geral contínua.
Em todo o pavimento do passeio atlântico, a autarquia optou pela utilização não do vulgar betão, mas de pedra regional, em blocos ou lajes, recorrendo a técnicas tradicionais de revestimento (calçada à portuguesa, de calcário e basalto).
Ao longo do eixo principal da primeira fase foram criadas zonas de ensombramento, com colocação de árvores (metrosídeo) e de bancos, de forma a harmonizar e tornar mais confortável o estar e o passear na nova frente marítima da cidade.
Largo de Santo André
Conjetura-se que o povoamento inicial da Ribeira Grande terá ocorrido no Largo de S. André e na área envolvente, ou seja, a nascente da ribeira. O Dr. Jorge Gamboa de Vasconcelos refere que “este povoado, estabelecido na margem direita da foz da ribeira que lhe dera o nome, não passava, nessa altura, de insignificante aldeia onde mais eram os casebres cobertos de colmo, onde se abrigavam os pobres, do que casas de pedra e telha, onde habitavam, já à volta do largo de S. André, alguns dos homens mais abastados ou mais nobres”. De acordo com Ventura Rodrigues Pereira, “há razões para acreditar que esta ermida é a mais antiga que existe na vila”. No degrau da entrada está escrita a frase “é de pedra, não de abóbora”, porque não acreditavam que os lavradores fossem capazes de construir uma capela em pedra, “talvez de abóbora”. Quando concluída inscreveram a frase como resposta. Nesta ermida chegou a estar patente o célebre Tríptico de Santo André, pintura flamenga, que se encontra na sacristia da igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, à qual pertence esta ermida.
Piscinas Municipais da Ribeira Grande – Antigas “Poças”
As “Poças” eram piscinas naturais que foram modificadas no início deste século, com a construção de uma piscina artificial e de um pontão. Estas obras provocaram o assoreamento da costa e as antigas “poças” ficaram cobertas por areia, formando uma pequena praia.
Forte de Nossa Senhora da Estrela
Num dos extremos da Rua do Castelo, assim chamada porque aí se situava um forte, agora localiza-se um mirante. Foi um dos três fortes construídos no concelho da Ribeira Grande em plena Época Moderna. A sua edificação data do século XVIII. Há notícia que em 1767 se encontrava em ruínas. Para a primeira metade do século XIX, chegou a estar desartilhado e artilhado. À semelhança da maioria dos fortes das ilhas, foi construído sobre o litoral, tendo chegado a possuir 16 canhoneiras. Terá vigiado a costa da vila ribeira-grandense contra piratas-corsários. Foi adquirido pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, em estado de arruinamento, no ano de 1928. Tem um pátio decorado com calçada portuguesa e dele se avista a costa noroeste da ilha de S. Miguel, desde a Ponta da Bretanha até ao Miradouro de Santa Luzia, a nordeste. Nas falésias próximas nidificam aves como o Pombo-da-rocha, o Garajau e o Cagarro. Estes últimos podem ser avistados, fazendo voo rasante no início da noite, nos meses de verão, ouvindo-se o seu canto característico. Nas mesmas falésias existem exemplares da flora endémica do litoral, tal como a Vidália (Azorina vidallii).
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