As tradicionais Sopas do Espírito Santo juntaram-se milhares de pessoas no Campo de S. Francisco, em Ponta Delgada, Açores, onde os lugares sentados disponíveis ficaram todos ocupados duas horas antes de começar a distribuição das sopas.

"Venho todos os anos mais cedo para garantir um lugar sentado", afirmou Maria Medeiros, uma das cerca de 12 mil pessoas que a organização estima que tenham comparecido nesta iniciativa, que é um dos pontos altos do programa das Grandes Festas do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada.
No Campo de S. Francisco foram montados vários quilómetros de mesas e bancos corridos para receber todos os que ali quiseram comer as típicas Sopas do Espírito Santo, uma tradição comum a todas as ilhas dos Açores, ainda que a receita varie conforme o local onde são feitas.
A preparação das sopas para o almoço de hoje esteve a cargo de Zélia Botelho, que já desempenha há seis anos esta missão.

"Começamos a preparar a sopa na sexta-feira à noite e não paramos até à hora de servir", afirmou Zélia Botelho, em declarações à Lusa, destacando também o apoio de 80 voluntárias que ajudaram a preparar o almoço numa cozinha improvisada no Coliseu Micaelense, nas imediações do Campo de S. Francisco.
No total, foram preparados 6.000 litros de sopa em 48 panelas de 50, 100 e 150 litros, tendo cada uma estado ao lume entre quatro a cinco horas para cozer os 1.400 quilos de carne de vaca, 180 repolhos e 150 quilos de cebolas.
A receita destas sopas, segundo Zélia Botelho, foi elaborada pelo Coral de S. José e não tem batata, apenas vinho branco, hortelã, louro, alho, pimenta da jamaica e cravinho.
"Nunca faltou sopa em nenhuma edição das festas", frisou, acrescentando que este facto bem pode ser considerado "um milagre do Espírito Santo", atendendo ao número crescente de pessoas que aparece para comer todos os anos.
Além da sopa, este almoço incluiu ainda 750 pães caseiros, 10 mil doses de arroz doce e 900 bolos de massa, tudo acompanhado com vinho de cheiro e sumo.
"Estas sopas são o alimento da alma", afirmou António Santos, que reuniu a família para vir a Ponta Delgada comer as Sopas do Espírito Santo, acrescentando que, pelo menos hoje, "não há fome que não dê em fartura".
Também Amélia Araújo não escondeu a sua satisfação por participar nesta iniciativa, o que acontece pela primeira vez e porque está em S. Miguel a passar férias.
Este mega-almoço prolonga-se por cerca de três horas e, quando acabar, estará a começar o Desfile Etnográfico, outro ponto alto do programa das festas, que percorrerá a avenida marginal de Ponta Delgada com 50 carros de bois, mais de 40 carros alegóricos e 20 grupos de foliões.
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