
A palavra MUSSEQUE tem origem no Kimbundo (língua banta falada no noroeste de Angola) e que no senso comum serve para designar grupo de palhotas ou bairro de cariz popular Luandense. Deriva da expressão “SEKE” que significa vermelho sendo que Musseque, por combinação de significados, significa literalmente bairro edificado sobre areia vermelha, tal a profusão e conspicuidade destas areias vermelho/ocre que se pode observar em inúmeros locais da cidade de Luanda e onde, também profusamente, se podem observar inúmeros Musseques.
A CACHE
Após viajares na estada de Catete o local da cache é no município de Viana que funciona como polo industrial da cidade de Luanda e onde a profusão destas areias é de grande amplitude.
Para logares a Earth Cache e uma vez no local, por favor responde às questões abaixo via mail do meu perfil. Não esqueças que de acordo com a alteração das guidelines (Jun. 2019), além das respostas, o teu log só será válido com o envio de uma foto comprovando a tua presença no local que pode ser do teu gps, nick escrito num pedaço de papel ou algo similar:
- Qual a principal característica dos sedimentos não coerentes?
- Com base na consulta da escala de Wentworth que consta da listing, classifica o sedimento de tom avermelhado.
- Embora muito mais escassos, no GZ existem outros sedimentos não coerentes? Se sim, classifica-os com o mesmo critério.
- Que processos estiveram na origem da exposição destes minerais avermelhados?
Evolução tectónico-sedimentar da bacia do Kuanza:
A cidade de Luanda repousa sobre uma bacia sedimentar denominada bacia sedimentar do Kwanza. Esta enorme bacia abrange uma área de 50.000 kms2 e situa-se entre os 8º e 11º graus Sul e os 12º e os 15º W. Formou-se no início do Jurássico superior – Cretáceo inferior (~ 150Ma – 145Ma) no decurso da abertura do oceano Atlântico originada pela desagregação do super – continente Gondwana que veio a dar origem ao continente africano a sul americano.
Do ponto de vista tectónico a evolução desta bacia sedimentar foi formada por uma forte dinâmica interna da terra caracterizada por um processo de estiramento da crosta, movimento divergente de placas, formação de nova litosfera designado tecnicamente por RIFTING, e a fenómenos associados de vulcanismo:

Ilustração da desagregação de Gondwana e do Rift Africano e Sul Americano
O pré-rifting e o início do processo de rifting caracterizou-se por um tectonismo suave que foi marcado, sobretudo no início do processo de separação das plataformas continentais, por fraturação de blocos e fenómenos de vulcanismo associado. Formaram-se assim várias bacias constituídas por massa continental submersa que se instalaram em discordância sobre o soco falhado e erodido.
Já em pleno processo de estiramento da litosfera (sin-rift) registou-se um forte movimento tectónico e de vulcanismo com a consequente fraturação e inclinação de blocos do soco criando, nesse movimento, um relevo de Horsts e Grabens tendo-se formado nestes últimos um sistema de lagos profundos.
À medida que o processo de afastamento continental prosseguia, foram reativadas algumas falhas devido ao aumento gradual do adelgaçamento e distensão crustal, provocando subsidência e erosão das zonas mais elevadas dos blocos Précâmbricos. No final desta fase (Aptiano) deu-se o início da rutura intracontinental (África e América do Sul), devido ao rápido estiramento e adelgaçamento da litosfera.
Finalmente, após cessar do processo de rifting, registou-se um tectonismo moderado e os processos de deposição sedimentar e tectónica foram dominados por transgressões e regressões marinhas regionais, ocorrendo a última regressão no Paleocénico com a ocorrência de subsidência e basculamento para oeste da bacia, induzido pela carga sedimentar acumulada na plataforma. Neste período e sobre a unidade carbonatada, depositaram-se espessos estratos de sedimentos argilosos típicos de águas profundas, margas e algumas areias com estruturas turbidíticas.
A formação de unidades geológicas:

exemplo de unidades geológicas de Luanda: estrato superior - formação Luanda. Estrado inferior - formação Quelo
Decorrente das movimentações inerentes à dinâmica do processo de rifting (fraturação, inclinação, soerguimento e abatimento de blocos, vulcanismo, regressões e transgressões marinhas) e do ponto de vista da deposição sedimentar, formaram-se unidades geológicas diferenciadas e possíveis de isolar com base no critério litogenético. São formações holocénicas, que constituem unidades superficiais em que se incluem, para além das ilhas e dos cordões litorais formadas por praias arenosas, os depósitos litorais, aluviões, coluviões e depósitos de vertente, e as formações estratigráficas da bacia em que se destacam cinco unidades diferenciadas:
Formação superficial Quelo: (Plio-Quaternária) constituída por areias ferruginosas e grés de cor vermelha. Depositou-se num ambiente continental.
Formação Quifangondo: (Oligocénica-Miocénica) representada por argilas com intercalações siltosas, calcários gresosos lumachélicos; e ricas em foraminíferos, depositada em ambientes de plataforma externa.
Formação Cacuaco: (Oligocénica) constituída por calcários com algas, equinodermes e bivalves, com calcarenitos; depositados num ambiente litoral a circo litoral;
Formação Luanda: (Pliocénica) composta por margas castanhas com foraminíferos, areias litorais e grés com conchas, depositada num ambiente litoral;
Formação superficial Cazenga (Plio-Quaternária) constituída sobretudo por argilas.
Os sedimentos detríticos não coerentes da Formação Quelo:
É precisamente a formação QUELO do período quaternário e da época correspondente ao holocénico que pretendemos destacar, pois é aí que se manifesta o fenómeno dos sedimentos detríticos não coerentes com intenso cromatismo vermelho.
A Formação Musseque ou Quelo (Plistocénico), caracterizada por uma cor castanho-avermelhada, domina a superfície da cidade de Luanda e é constituída por sedimentos marinhos, muito bem calibrados que se desenvolveram em profundidade e que, por alteração induzida por fenómenos de revolvimento formou uma fração argilosa constituída por caulinite, ilite e óxidos de ferro (geotite e hematite). Esta formação apresenta-se em geral com espessura até aos 17 m, existindo relatos de atingir os 50 m). A maior parte da área (85%) é constituída por solos denominados ‘Musseque’, compostos por areias vermelhas quartzosas e ferralíticas de granulometria média e fina.
Sedimentos detríticos podem ser classificados como coerentes ou não coerentes. Os sedimentos detríticos não coerentes têm esta designação devido ao facto de as suas partículas se encontrarem soltas, isto é, sem coesão como é o caso, por ordem decrescente do tamanho das suas partículas, dos blocos, seixos, calhaus e areão, da areia propriamente dita, silte e argila.
A escala de Wentworth (ver imagem abaixo) é a ferramenta que nos permite classificar os sedimentos detríticos não coerentes com base na medição da sua granulometria. Estes sedimentos estão normalmente conotados com o período quaternário da época Holocénica em que não decorreu o tempo necessário para a sua compactação e cimentação e constituem, por essa razão, os solos superficiais não consolidados que recobrem as rochas.
sedimentos detríticos podem também ser classificadas quanto à sua composição mineralógica e cor. Normalmente no caso das areias mais comuns, as mesmas são constituídas por Quartzo, um mineral excecionalmente resistente ao intemperismo e presente por exemplo nos granitos, arenitos e quartzitos, assumindo normalmente uma cor clara.
Intemperismo químico, cromatismo e granulometria:
Acontece que quando a presença de minerais é predominantemente de origem ferruginosa o fenómeno de intemperismo associado provoca reações químicas que conferem uma forte tonalidade vermelha aos sedimentos. As reações de intemperismo que provocam este cromatismo são respetivamente a Hidrólise e a Oxidação responsáveis pela decomposição química dos minerais primários das rochas, e a síntese (neoformação) de minerais secundários.
A Hidrólise (intemperismo provocado pela água) é uma reação química entre íons H+, provenientes da ionização da água, e cátions do mineral. O íon H+ entra nas estruturas minerais, deslocando principalmente os cátions alcalinos (K+ e Na+) e alcalino-terrosos (Ca2+ e Mg2+), que são liberados para a solução. A estrutura do mineral na interface sólido/solução de alteração acaba sendo rompida, liberando Si e Al na fase líquida. Esses elementos podem recombinar-se, resultando na neoformação de minerais secundários. A hidrólise ocorre sempre na faixa de pH de 5 a 9. Se há maior ou menor percolação de água, os componentes solúveis são eliminados completa ou parcialmente, resultando, respectivamente, na hidrólise total ou parcial.
A Oxidação consiste na mudança do estado de oxidação de um elemento, normalmente através de reação com o oxigênio. Essa reação produz a destruição da estrutura cristalina do mineral, afetando comumente rochas cujos minerais contêm ferro ferroso (Fe2+), que se oxida em ferro férrico (Fe3+). Diz-se que tais rochas "enferrujam" na presença de humidade, já que a reação é acompanhada por uma mudança de cor das superfícies alteradas para avermelhado ou amarelado.
Ambos os fenómenos provocam a desagregação dos minerais primários formados a altas temperaturas e/ou pressões em rochas ígneas e metamórficas, em minerais secundários, isto é, novos minerais, normalmente de tamanho menor e mais ajustados às condições existentes e que constituem as frações mais finas do solo como sejam as argilas que são constituídas por minerais secundários silicatados e minerais secundários oxídicos de Ferro e Alumínio designados por óxidos, hidróxidos ou oxihidróxidos (Fe e AL) que, resumidamente, têm alto poder pigmentante influindo fortemente na coloração dos solos.

The word MUSSEQUE originates in Kimbundo (Banta language spoken in the north-west of Angola) and that in the common sense serves to designate group of palhotas or neighborhood of popular character Luandense. It derives from the expression "SEKE" which means red and Musseque, by combination of meanings, literally means a neighborhood built on red sand, such a profusion and conspicuity of these red / ocher sands that can be observed in numerous places of the city of Luanda and where, also profusely, one can observe countless Musseques.
The Earth Cache
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1. What is the main characteristic of non-coherent sediments?
2. Based on the Wentworth Scale query in the listing classify the reddish-colored sediment.
3. Although much more scarce, in the GZ are there other non-coherent sediments? If so,rank them by the same criteria.
4. What processes led to the exposure of these reddish minerals?
Tectonic-sedimentary evolution of the Kuanza basin:
The city of Luanda rests on a sedimentary basin called the Kwanza sedimentary basin. This huge basin covers an area of 50,000 km2 and is located between 8º and 11º South and 12º and 15º W. It formed at the beginning of the Upper Jurassic - Lower Cretaceous (~ 150Ma - 145Ma) during the opening of the Atlantic Ocean originated by the disintegration of the Gondwana supercontinent that gave origin to the African continent to South American.
From the tectonic point of view the evolution of this sedimentary basin was formed by a strong internal dynamics of the earth characterized by a process of stretching of the crust, divergent movement of plates, formation of a new lithosphere designated technically by RIFTING, and associated phenomena of volcanism:

Illustration of the breakdown of Gondwana and the African and South American Rift
The pre-rifting and the beginning of the rifting process was characterized by a gentle tectonism that was marked, especially at the beginning of the process of separation of the continental shelves, by fracturing of blocks and associated volcanism phenomena. Several basins formed by submerged continental mass that settled in disagreement over the failed and eroded punch. In the process of stretching the lithosphere (sin-rift) there was a strong tectonic and volcanic movement with the consequent fracturing and inclination of blocks of the punch creating, in this movement, a relief of Horsts and Grabens was formed and a system of deep lakes settled in the Grabens. As the continental drift process continued, some faults were reactivated due to the gradual increase of crustal thinning and distension, causing subsidence and erosion of the higher zones of the Précambric blocks. At the end of this phase (Aptian) the intracontinental rupture began (Africa and South America) due to the rapid stretching and thinning of the lithosphere. Finally, after the rifting process, there was moderate tectonism and the processes of sedimentary and tectonic deposition were dominated by regional marine transgressions and regressions, with the last regression in the Paleocénico occurring with the subsidence and tipping of the basin to the west due to sediment load accumulated on the platform. In this period and on the carbonate unit, thick layers of clay sediments typical of deep waters, marls and some sands with turbidite structures were deposited.
The formation of Geological units:

example of geological units in Luanda: top strata - formation Luanda. Lower strata - formation Quelo
Due to the dynamics inherent of the rifting process (fracturing, inclination, uplift and abatement of blocks, volcanism, regressions and marine transgressions) and from the point of view of sedimentary deposition, different geological units were formed and can be isolated based on lithogetical criterion. They are holocene formations, which constitute surface units including, in addition to the islands and the coastal cords formed by sandy beaches, the coastal deposits, alluviums, coluviões and deposits of slope, and the stratigraphic formations of the basin in which five units stand out differentiated:
Quelo surface formation: (Plio-Quaternary) consisting of ferruginous sands and red stoneware. He settled in a continental environment.
Quifangondo Formation: (Oligocénica-Miocénica) represented by clays with silt intercalations, lumachélicos gresosos calcários; and rich in foraminifera, deposited in external platform environments.
Cacuaco Formation: (Oligocenic) consisting of limestones with algae, echinoderms and bivalves, with calcarenites; deposited in a coastal environment to the coastal circus;
Formation Luanda: (Pliocénica) composed of brown marls with foraminifera, coastal sands and stoneware with shells, deposited in a coastal environment;
Cazenga (Plio-Quaternary) surface formation consisting mainly of clays.
The non-coherent detritic sediments of the Quelo Formation:
It is precisely the QUELO formation of the quaternary period and the period corresponding to the holocene that we want to highlight, because it is there that the phenomenon of non-coherent detrital sediments with intense red chromatism is manifested. The Musseque or Quelo Formation (Plistocenic), characterized by a reddish-brown color dominates the surface of the city of Luanda and is constituted by marine sediments, very well calibrated that have developed in depth and that, due to the alteration induced by the phenomena of revolvement formed a clay fraction consisting of kaolinite, ilite and iron oxides (geotite and hematite). This formation is generally thick up to 17 m, with reports reaching 50 m). Most of the area (85%) consists of soils called 'Musseque', composed of quartz red and ferralitic sands of medium and fine granulometry.
Sediments can be classified as either coherent or non-coherent. Non-coherent detrital sediments have this designation because their particles are loose, that is to say, without cohesion as is the case, in descending order of the size of their particles, of the blocks, pebbles, pebbles and gravel, of the sand itself silt and clay. The Wentworth scale (Fig. 1) is the tool that allows us to classify non-coherent detrital sediments by measuring their granulometry. These sediments are usually connoted with the quaternary period of the Holocene period in which the time required for their compaction and cementation did not elapse and thus constitute the unconsolidated surface soils that cover the rocks.

Detrital sediments can also be classified according to their mineralogical composition and color. Normally in the case of the most common sands, they consist of quartz, a mineral exceptionally resistant to weathering and present for example in granites, sandstones and quartzites, usually assuming a light color.
Chemical weathering, chromatism and granulometry:
It happens that when the presence of minerals is predominantly of ferruginous origin the phenomenon of associated weathering causes chemical reactions that impart a strong red hue to the sediments. The weathering reactions that cause this chromatism are respectively Hydrolysis and Oxidation responsible for the chemical decomposition of the primary minerals of the rocks, and the synthesis (neoformation) of secondary minerals.
Hydrolysis (weathering caused by water) is a chemical reaction between H + ions from water ionization and cations of the mineral. The H + ion enters the mineral structures, displacing mainly alkali (K + and Na +) and alkaline earth (Ca 2+ and Mg 2+) cations, which are released into the solution. The structure of the mineral at the solid interface / alteration solution ends up being broken, releasing Si and Al in the liquid phase. These elements can recombine themselves, resulting in neoformation of secondary minerals. The hydrolysis always occurs in the pH range of 5 to 9. If there is more or less water percolation, the soluble components are completely or partially eliminated, resulting, respectively, in total or partial hydrolysis.
Oxidation consists of changing the oxidation state of an element, usually through reaction with oxygen. This reaction produces the destruction of the crystalline structure of the mineral, affecting commonly rocks whose minerals contain ferrous iron (Fe2 +), which oxidizes in ferric iron (Fe3 +). These rocks are said to "rust" in the presence of moisture, as the reaction is accompanied by a color change from the altered surfaces to reddish or yellowish.
Both phenomena cause the disintegration of the primary minerals formed at high temperatures and / or pressures in igneous and metamorphic rocks, in secondary minerals, that is, new minerals, usually of smaller size and more adjusted to the existing conditions and that constitute the finer fractions of the soil, such as clays that are composed of silicate secondary minerals and oxidic secondary minerals of Iron and Aluminum, referred to as oxides, hydroxides or oxyhydroxides (Fe and AL), which, in brief, have a high pigment power, strongly influencing the coloring of soils.