ROTA DAS FONTES
As fontes públicas permitiram a sobrevivência das populações até à chegada da água canalizada a todas as casas. Durante séculos, as populações deslocavam-se, de cântaro na mão ou à cabeça, para obter o maior bem essencial.
As fontes foram durante muitos anos locais de culto, encontro e convívio das gentes que viviam em seu redor. As suas histórias e lendas fazem assim parte da memória coletiva destas populações.
Neste projecto GC irão visitar algumas dos pontos de água potável mais importantes da freguesia de Santa Margarida da Coutada.
FONTE DE S. JOÃO - MALPIQUE
A Fonte de S. João, no lugar de Malpique, foi construído no século XIX. Nessa época seria de uma fonte de telha, localizada no antigo estradão de Malpique para Santa Margarida, por onde saía um fio de água. Mais tarde, na década de trinta, a câmara permitiu que a mina fosse limpa, e fez obras de aprofundamento da fonte e mudou a bica para outro local, permitindo um maior caudal de água. Em 2009 foi feita a requalificação da fonte pela Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada. Foi colocado um painel de azulejos feito a partir de uma fotografia do local que representa e perpetua os bons momentos que muitos passaram enquanto as bilhas enchiam.

Contam os antigos que é a água do São João que sela os amores e faz lindas as raparigas e por isso em Malpique era usual o povo erguer junto às fontes os arcos floridos, como sinal de agradecimento pelas dádivas anuais. A água da fonte ainda hoje é apontada por ter características sui generis, pois diz- se fresca nos dias de Estio e quente no Inverno.
Os populares recordam com saudade as imensas filas que se faziam junto da fonte, onde era permitido apenas encher um cântaro. Regra geral tudo decorria de forma ordeira. No entanto, havia sempre quem ousasse quebrar a rotina procurando desrespeitar a fila ou encher dois cântaros. Gerava, desde logo, algum burburinho, havendo por vezes recurso a atos mais violentos e mesmo à quebra de cântaros. Os populares recordam ainda o episódio de uma robusta senhora que desrespeitava a fila para dar de beber ao seu burro, utilizando mesmo expressões mais ousadas e reações mais violentas a quem a desafiasse.
Referências também para o cancioneiro popular que homenageia o santo protector e o seu espírito galanteador.
Era aqui o local de convívio das gentes de Malpique, fazendo verdadeiros arraiais junto da fonte, sobretudo por alturas dos Santos Populares.
Um idoso recorda com saudade o local onde namorava aquela que viria a ser a sua mulher. E, ainda hoje, na altura do São João, costuma brincar com a esposa cantando-lhe uma quadra que adaptou à sua maneira: Não te esqueças meu amor / Da noite de São João / Tu contavas as estrelas / E eu as pedras do chão.
S. João,
Diziam que eras malandro
Ou pior, que eras velhaco:
Ias p'rá fonte com três
Vinhas da fonte com quatro.
Mas se fosse neste tempo
O que farias talvez!?
Ias à fonte com cinco
Vinhas da fonte com dez.
Popular
(com o apoio e texto da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada)