| Igreja Matriz de Santa Maria, 1627 |

A Igreja erigida na Praça Marechal Carmona em Alcanena, foi construído em 1627 e desde o início foi dedicada ao orago de Santa Maria. A Paróquia de São Pedro, em Alcanena é criada em 1758 e doada a José de Mascarenhas, 8.º Duque de Aveiro, morto na sequência do celebre Processo dos Távoras em 1759, data a partir da qual a vila passa para a Coroa.

Alcanena é um conselho conquistado pela força da sua população, as localidades de Alcanena e Minde são as principais povoações e centros da indústria de curtumes e lanifícios. Alcanena foi desde sempre uma localidade do povo, são poucos os vestígios da presença senhorial apesar da sua antiguidade, pois foi reconhecida a presença muçulmana e judaica na região. A sua conquista como referência nacional nos curtumes de peles, deve-se sobretudo a presença dos três elementos essenciais, água do Rio Alviela, abundante criação de gado e árvores cujas cascas ricas em tanino, substância essencial para a conservação das peles e provavelmente ao fator experiência herdada pelos povos ancestrais que habitaram a regiam
Como "terra liberal por excelência" que era, Alcanena desde cedo se demonstrou como forte apoiante de causa republicana em detrimento do poder real e eclesiástico, um lema ao qual ficou indissociavelmente ligada “Para o País a República, para Alcanena o Concelho”. Desta feita, já nos finais do século XIX se denotava um ambiente de hostilidade em relação à igreja, os novos pensamentos eram liderados, sobretudo, pelos industriais de curtumes, personalidade emergentes no poder local, cuja aversão à igreja se acentua após a vitoria do poder Republicano.
Com efeito, se a 5 de outubro de 1910 foi proclamada a República, a 8 de maio de 1914 é elevada a vila e sede de concelho pela Lei n.º 156, o prometido foi cumprindo.
Nesta sequência, o Pároco de São Pedro de Alcanena, Francisco Brás das Neves, natural do Pedrógão, apoiante da causa republicana, por contrariar as instruções dimanadas do Patriarcado, reforma-se compulsivamente e encabeça uma Junta Paroquial formada por gente fortemente hostil à Igreja.
Na sequência destes "incidentes" o Patriarcal de Lisboa, ordena a interdição ao culto na igreja em 1911, e apesar de, logo a seguir, o Pároco se ter publicamente retratado e pedido perdão, o poder eclesiástico não recuou na sua decisão.
Nos princípios de 1915, com os ânimos sociais mais calmos e moderado o ambiente político e social, as autoridades que nessa altura governavam determinaram a reentrega da Igreja ao Patriarcado e a sua reabertura ao culto. A 13 de Abril de 1915 compareceu em Alcanena o Vigário da Vara de Torres Novas para receber as chaves da Igreja e para reabrir o templo. Todavia, a Junta de Paróquia transmitiu que pretendia que a abertura fosse marcada pela presença de todos os seus membros, pedindo que a mesma fosse remarcada para o dia 15, ou seja, dois dias depois.
O que se passou em seguida, é ainda hoje uma incógnita, na madrugada do dia 14 de abril de 1915, a igreja foi incendiada, e as responsabilidades estão ainda por apurar, apesar das evidentes suspeitas, não foram reunidas provas suficientes para condenar um responsável.
O incêndio que devorou a igreja, também consumiu todo o seu recheio, entre o qual a imagem de Nossa Senhora da Soledade, muito antiga e de aparência gótica.
A memória deste célebre incêndio está inclusive registada no site da Câmara de Alcanena, nas informações sobre a igreja que se construiu, nas proximidades, em 1921.
| Igreja Matriz de São Pedro, 1921 |

Depois do triste episódio, foi necessário construir uma nova igreja, desta vez ao orago a São Pedro, a 17 de julho de 1921 era inaugurado o novo templo de características revivalistas, erguido no centro da povoação. Ao contrário do que é normal, o novo templo não foi construído no local da antiga Igreja Paroquial de Alcanena, destruída por um incêndio em 1915, uma vez que na sequência de escavações, foram encontrados elementos arqueológicos, que o impediram.
O corpo central, formado por uma única nave, rematado por uma torre sineira, esta igreja tem na fachada um portal ao gosto neogótico em arco redondo e arquivoltas. No interior, de linhas simples, para além de uma imagem setecentista de S. Pedro, padroeiro da vila, encontra-se um Cristo Crucificado de grandes dimensões, ambos provenientes do Mosteiro das Francesinhas. A capela-mor é separada por um arco e tem um altar em mármore assente em duas colunas.
| Igreja Matriz de Santa Maria, Mãe de Deus, 1998 |

Depois da Igreja de Santa Maria, destruída pelas chamas, e da igreja de São Pedro, inaugurada na década de 20, surgem novas necessidades paroquiais, e é neste sentido que a 20 de junho de 1998, inaugurava-se a nova Igreja de Santa Maria Mãe de Deus, junto da qual foi construído um complexo paroquial, inaugurado no ano de 2000, que no conjunto foi batizado de "Complexo Paroquial Jubileu 2000". Para além da Igreja de Santa Maria, Mãe de Deus, possuidora de uma arquitetura religiosa moderna, o complexo inclui também uma capela mortuária, salões e bar para iniciativas paroquiais.
| Capela de São Lourenço – Peral (Alcanena) |

Erguida em 1663 no lugar do Peral (Alcanena), é uma pequena e modesta capela alpendrada que, segunda a lenda, terá albergado o poeta Luís Vaz de Camões. O padroeiro desta capela é São Lourenço, que está representado no altar ao lado das imagens de Cristo e Nossa Senhora de Fátima.
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