
Perto do Teatro da Comuna, em Lisboa, escondido entre as ruas estreitas e os edifícios carregados de história, existe um mistério que tem intrigado aventureiros e curiosos. Reza a lenda que, algures nas proximidades da Praça de Espanha, um geocacher anónimo, conhecido apenas pelo pseudónimo "Sombras do Tejo", deixou uma cache especial há mais de uma década. Não é uma caixinha vulgar, mas sim um enigma que exige perspicácia, atenção aos detalhes e um conhecimento subtil da alma lisboeta.
A cache, chamada "O Segredo do Palco", está supostamente ligada ao Teatro da Comuna, um espaço icónico que respira cultura e resistência. As pistas iniciais, partilhadas na comunidade de geocaching, apontam para referências teatrais: um verso de uma peça esquecida, um velho candeeiro que ilumina a entrada do teatro e até o som distante de aplausos que ecoam nas noites mais silenciosas. Alguns dizem que a localização exata está escondida num padrão de azulejos próximo, enquanto outros acreditam que é preciso decifrar uma mensagem gravada numa pedra discreta, à vista de todos, mas ignorada pelo bulício diário.
Os que já tentaram encontrá-la contam histórias de quase-sucessos. Um geocacher jura que viu uma marca suspeita numa árvore, mas foi distraído por um grupo de pombos. Outro afirma que sentiu o coração acelerar ao tocar numa grade perto do teatro, convencido de que estava a centímetros do prémio, apenas para descobrir que era uma falsa pista. O logbook virtual enche-se de relatos de frustração, mas também de fascínio — ninguém reclama da busca, porque o verdadeiro tesouro parece ser a jornada pelas ruas de Lisboa.
Até hoje, "O Segredo do Palco" permanece por desvendar. Será que o mistério está nas sombras do Teatro da Comuna, à espera de um olhar mais atento? Ou será que "Sombras do Tejo" criou um jogo impossível, um palco onde o público é, ao mesmo tempo, o protagonista e o espectador? Só quem se aventurar o saberá.