Na noite de 15 de Julho de 2005, a estação de Barcelos, um marco da Linha do Minho, tornou-se o epicentro de uma geocache mistério que atraiu caçadores de tesouros de todo o país. A Linha do Minho, inaugurada em 1875, estende-se por 134 km, ligando Porto a Valença, e é famosa pelos seus trilhos cénicos que atravessam o rio Cávado e vilas pitorescas. Mas, nesta geocache, a estação de Barcelos, construída em 1877 e adornada com azulejos tradicionais, guardava um segredo.
A geocache, intitulada "O Comboio Perdido", foi criada por um misterioso geocacher conhecido apenas por "MinhoVagabundo". A descrição online desafiava os participantes a decifrar pistas escondidas na estação para encontrar uma cache que, segundo a lenda, continha um artefacto ligado à história da linha. A primeira pista, gravada numa placa perto da plataforma 2, referia o Intercidades para Valença, que passa diariamente às 22h30. Os geocachers tinham de observar o comboio e procurar um código numérico nas janelas.
A segunda pista envolvia a história real da modernização da Linha do Minho. Os participantes deviam localizar uma caixa de sinalização elétrica, onde um enigma matemático revelava coordenadas falsas, um clássico das geocaches mistério. A chave estava nos azulejos da estação: um padrão específico formava um mapa estilizado do rio Cávado, apontando para um velho armazém ferroviário desativado.
No armazém, os geocachers encontraram a cache – uma caixa metálica disfarçada de peça de comboio, contendo um diário fictício de um maquinista da CP dos anos 40. O texto narrava a descoberta de um túnel secreto sob a estação, supostamente usado para contrabando durante a Guerra Civil Espanhola. Embora ficção, o diário incluía factos reais, como a importância de Barcelos na rede ferroviária minhota.
A geocache tornou-se lendária, com centenas de registos no logbook virtual. A estação de Barcelos, com os seus comboios pontuais e névoas do Cávado, continua a atrair aventureiros, que sonham desvendar não só a cache, mas também os mistérios que a Linha do Minho ainda esconde.
Nota: para resolver o enigma ou para procurar a cache não é obviamente necessário entrar dentro da estação e muito menos do espaço ferroviário.