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O Passadiço do Agroal é como uma passagem secreta que nos conduz ao longo do Rio Nabão por uma fresca galeria ripicola, cheia de surpresas e mistérios naturais, até a caudalosa nascente do agroal. Neste percurso descendente passamos de um ambiente quente e seco para uma envolvente fresca e aquática, onde tudo é mais viçoso e a vegetação muda de cor.
O recanto mais conhecido do Agroal é, pois, a sua nascente, mas esta região, situada uma zona de confluência do Maciço Calcário das serras de Condeixa, Sicó e Alvaiazere com o maciço estremenho, possui outras maravilhas naturais dignas de realce.
A geomorfologia, devido á natureza calcária do território, apresenta uma grande diversidade, destacando-se a elevada qualidade de grutas (Lapas ou Algares) que "se abrem" na serra e outras formações rochosas resultantes da erosão superficial, como os campos de lápias ou o canhão fluviocársico do Agroal.
Aqui, também é elevada a diversidade de habitats associados as rochas cálcárias, ás nascentes e aos cursos de água, motivo pelo qual o Agroal se encontra no sitio de interesse Comunitário (SIC) de Sicó-Alvaiazere da rede Natura 2000, uma rede ecológica europeia que tem por objetivo assegurar e contruibir para a conservação da fauna e da flora selvagens e dos seus habitats naturais.
As colinas albergam uma das maiores e mais bem conservadas áreas de Carvalhal (carvalho-cerquinho - quercus faginea) do país e manchas de notáveis de azinhais (Quercus rotundifolia) que são acompanhados por arbustos como o medronheiro (arbutus unedo) e a aroeira (pistacia lentiscus) e por diversas espécies de orquideas).
Neste meio rochoso, cada pedacinho de solo proveniente da degradação dos calcários, por vezes denominado "terra rossa", é precisamente ocupado, incluindo nas escarpas, onde se encontram raridades como o narciso-dos-calcarios (narcissus calcicola). Nas suas cavidades abrigam-se as andorinhas-das rochas (ptynoprogne rupestris) e várias espécies de morcegos e de aves de rapina entre outros animais.
Nas margens do rio nabão e de alguns dos seus afluentes ainda galerias de vegetação ripicola praticamente continuas e bem preservadas que são compostas por diversas espécies de plantas ribeirinhas como o amieiro (alnus glutinosa) e o freixo-comum (fraxinus angustifolia)
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