Na Estrada Nacional 2, no quilómetro 346,5, perto da Sertã, paira um mistério que intriga moradores e viajantes. Reza a lenda que, numa noite de nevoeiro cerrado, um carro desapareceu sem deixar rasto. Era uma viatura antiga, conduzida por um homem de meia-idade, que seguia rumo ao sul. Testemunhas dizem ter visto as luzes dos faróis a piscar ao longe, mas, ao aproximarem-se, nada encontraram — nem marcas de pneus, nem sinais de acidente. Apenas o silêncio e a brisa fria da serra.
Os habitantes locais contam que o KM 346,5 é um ponto "amaldiçoado". Há quem jure ouvir, em noites de lua cheia, o ronco de um motor e vozes abafadas, como se o tempo ali se dobrasse sobre si mesmo. Outros falam de uma figura sombria que aparece à beira da estrada, de olhar fixo e mãos crispadas, antes de se desvanecer na escuridão. As autoridades investigaram, mas nunca encontraram explicação: não havia registo do carro, nem do condutor, como se ambos tivessem sido engolidos pela noite.
A Sertã, com as suas paisagens tranquilas e pinhais verdejantes, contrasta com este enigma inquietante. Alguns atribuem o fenómeno a lendas antigas de espíritos errantes; outros, mais céticos, sugerem uma ilusão causada pelo nevoeiro e pela fadiga dos viajantes. Seja como for, o mistério do KM 346,5 tornou-se parte do folclore da EN2, a mítica estrada que atravessa Portugal de norte a sul. Quem por ali passa, especialmente ao cair da noite, não pode evitar um arrepio — e a pergunta: será apenas imaginação, ou há algo mais escondido naquele troço solitário?