Ao meio dia e meia os viajantes entreviram por instantes o forte Halleck, que domina aquela região. Daí a umas horas a travessia das Montanhas Rochosas estaria completa e podia-se pois esperar que nenhum acidente assinalaria a passagem do comboio por esta difícil região.
Depois de um almoço bastante confortável servido no próprio vagão, Mr. Fogg e os seus parceiros recomeçavam o interminável whist quando violentos apitos se fizeram ouvir e o comboio parou.
Mrs. Aouda e Fix por um instante recearam que Mr. Fogg pensasse em descer para a via, mas o gentleman contentou- se em dizer ao criado:
— Veja o que se passa.
Passepartout saltou para fora do vagão. Uns quarenta passageiros já tinham abandonado os seus lugares, entre eles o coronel Stamp W. Proctor.
O comboio tinha parado por causa de um sinal vermelho que impedia a passagem. O maquinista e o condutor discutiam acaloradamenre com um guarda ferroviário que o chefe de estação de Medicine Bow, a próxima estação, tinha enviado ao encontro do comboio. Viajantes tinham-se aproximado e participavam da discussão — entre eles achava-se o mencionado coronel Proctor, com a sua voz alta e os seus gestos imperiosos.
Passepartout, tendo-se unido ao grupo, ouviu o guarda-ferroviário dizer:
— Não! Não há forma de passar! A ponte de Medicine Bow está aluída e não suportaria o peso do comboio.
A ponte de que falavam era uma ponte suspensa sobre um desfiladeiro a uma milha de distância do lugar onde o comboio tinha parado. No dizer do guarda ameaçava ruir, muitos dos fios estavam partidos e era impossível arriscar a sua travessia. O guarda não exagerava de modo algum afirmando que não se poderia passar. E além disso, com os hábitos negligentes dos americanos, pode-se dizer que quando eles se põem a ser prudentes é loucura não o ser.