quote:
Falar de um jogo entre Portugal e Inglaterra é, automaticamente, recordar a partida épica que aconteceu nos Quartos-de-Final do Euro 2004.
Reconhecido unanimemente por todos como o grande jogo do torneio realizado no nosso País, este encontro teve tudo: foi emotivo, disputado e durinho até ao fim; não faltaram golos, dois para cada lado; e o suspense continuou nas grandes penalidades como todos se recordam.
Beckham não acertou na baliza, Rui Costa, autor de um “senhor golo”, imitou a estrela inglesa, Hélder Postiga teve a frieza de fazer um “Panenka” ao “gigante” David James, e Ricardo chamou a si a atenção nos últimos momentos, defendendo, já sem luvas, o remate de Darius Vassell, para depois marcar ele mesmo o penalti decisivo.
No caminho até ao “mata mata”, Portugal e Inglaterra fizeram os mesmos resultados: perderam o jogo inaugural por 1-2 e acabaram a fase de grupos com seis pontos, com a diferença dos ingleses terem sido 2ºs no Grupo B e da “equipa das Quinas” ter ganho o Grupo A, factor que os colocou frente-a-frente logo nos Quartos.
Sem Pauleta, a cumprir castigo por acumulação de amarelos, Scolari lançou Nuno Gomes, “herói” contra a Espanha quatro dias antes, e manteve o resto da equipa titular que finalizou a fase de grupos; enquanto que do outro lado, Sven-Göran Eriksson também manteve o seu onze habitual, não podendo contar com Nicky Butt, lesionado, e com Ledley King, que na manhã do jogo viajou para Inglaterra para assistir ao parto da esposa.
Falando da partida em si, dificilmente Portugal podia ter começado pior: 3 minutos, pontapé longo de David James, Costinha falha o atraso para Ricardo, e Michael Owen, isolado, só teve que desviar a bola do guardião luso, abrindo o marcador.
Faltava ainda muito tempo para se jogar, é certo, contudo, o relógio foi avançando e Portugal não chegava ao golo apesar das mudanças de Scolari: a nossa Seleção entrou nos últimos dez minutos regulamentares com Cristiano Ronaldo e Simão nas alas, Nuno Gomes e Hélder Postiga na frente, Rui Costa no apoio, e Deco… a defesa direito.
Mas pouco depois de ter trocado Miguel por Rui Costa (aos 79′) e esgotado as substituições, o técnico brasileiro viu a audácia ser recompensada: Simão tentou tirar um primeiro cruzamento na esquerda que Beckham intercetou, mas o extremo português insistiu e o segundo saiu direitinho para Hélder Postiga, que empatou o jogo aos 83′.
Ainda antes do suíço Urs Meier apitar para o fim dos 90 minutos, susto para Portugal: um livre de Beckham encontrou a cabeça de Owen, com este a rematar à trave; e na recarga, Sol Campbell ainda introduziu a bola na baliza, porém, o árbitro marcou falta do central inglês sobre Ricardo.
Chegou o prolongamento, e com ele um grande momento de magia: Rui Costa pegou na bola, avançou durante largos metros, deixou Phil Neville para trás e, à entrada da área, rematou sem hipótese para David James. Um autêntico golaço do “Maestro”.
Estavam decorridos 110 minutos, Portugal estava perto de vencer e chegar às Meias-Finais, mas a dupla do Chelsea, composta por Terry e Lampard, logo tratou de fazer a desfeita: canto batido por Beckham, o central dos “blues” cabeceia para o colega de equipa, e este, sozinho à beira da pequena área, rodou e bateu Ricardo para o 2-2 aos 115 minutos.
Não havia como fugir: os penaltis estavam ali para definir o vencedor do jogo e as emoções fortes naquela noite de Verão ainda não tinham acabado. Foram marcados catorze penaltis, só três não deram golo, e o momento alto da noite acabou por ser, já se disse e todos nos lembramos, quando Ricardo tirou as luvas para travar as intenções de Vassell.
A “lotaria” iniciou-se com David Beckham a enviar a bola “para as nuvens”, algo que Deco (1-0), Owen (1-1), Simão (2-1) e Lampard (2-2) não fizeram. Depois de Rui Costa não conseguir marcar, rematando igualmente por cima, seguiram-se seis penaltis convertidos com sucesso: Terry (2-3), Cristiano Ronaldo (3-3), Hargreaves (3-4), Maniche (4-4), Ashley Cole (4-5) e Hélder Postiga (5-5).
Ao sétimo penalti para cada lado, a “coisa” decidiu-se: Ricardo defendeu o remate do avançado inglês, “voando” para a sua esquerda, e assumiu a marcação da última grande penalidade, batendo James e apurando Portugal para as Meias-Finais.
Não há dúvidas que estamos perante um dos grandes jogos da história do futebol português. Um jogo imortal e que merece ser recordado para sempre.
Ficha de Jogo:
Estádio: da Luz, em Lisboa – Portugal
Equipa de Arbitragem: Urs Meier (Árbitro Principal – Suíça); Rudolf Käppeli e Francesco Buragina (Árbitros Assistentes)
Portugal: Ricardo; Miguel (Rui Costa 79′), Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha (Simão Sabrosa 63′), Maniche e Deco; Luís Figo (Hélder Postiga 75′), Nuno Gomes e Cristiano Ronaldo.
Treinador: Luiz Felipe Scolari. Suplentes Não Utilizados: Moreira e Quim; Beto, Fernando Couto, Paulo Ferreira, Rui Jorge, Petit e Tiago.
Inglaterra: James; Gary Neville, Terry, Campbell e Ashley Cole; Beckham, Lampard, Gerrard (Hargreaves 82′) e Scholes (Phil Neville 57′); Rooney (Vassell 27′) e Owen.
Treinador: Sven-Göran Eriksson. Suplentes Não Utilizados: Robinson e Walker; Carragher, Bridge, Butt, Dyer, Joe Cole e Heskey.
Disciplina:
Amarelos: Gerrard 37′; Gary Neville 45′; Costinha 56′; Deco 85′; Phil Neville 92′; Ricardo Carvalho 119′.
Marcador: 0-1 Owen 03′; 1-1 Hélder Postiga 83′; 2-1 Rui Costa 110′; 2-2 Lampard 115′.
Penaltis: Beckham falha; 1-0 Deco; 1-1 Owen; 2-1 Simão Sabrosa; 2-2 Lampard; Rui Costa falha; 2-3 Terry; 3-3 Cristiano Ronaldo; 3-4 Hargreaves; 4-4 Maniche; 4-5 Ashley Cole; 5-5 Hélder Postiga; Vassell falha; 6-5 Ricardo.