Passei por aqui uma vez e achei que este local merecia uma cache.
A primeira vez que ouvi falar deste sítio foi na televisão e fiquei com curiosidade de o conhecer.
À passagem por cá não resisti a colocar uma cache para que outros também o conheçam. E fui à procura da sua história…
O Olho Marinho na Antiguidade
A antiguidade do Olho Marinho como povoação, é hoje uma realidade, inicialmente baseada na tradição popular e depois de 1860, através do espólio arqueológico entretanto recolhido nesta zona, com especial destaque para a Gruta "Cova da Moura", considerada uma das mais importantes de Portugal.
Recentemente, nos finais da década de 80 do século XX, um grupo de arqueólogos, numa das visitas efetuadas à Gruta "Cova da Moura", localizada nas imediações da povoação Olho Marinho, encontra mais um conjunto de ossadas humanas onde se destaca um Crânio, um dos mais antigos da Europa, pertencente ao Homem Neandertal, também conhecido por "Homem das Cesaredas", confirmando deste modo o que vinha sendo transmitido pela tradição popular relativamente à presença humana nesta zona.
Porém, alguns historiadores, dizem que a formação do Olho Marinho terá começado mais tarde, no século VIII ou IX, durante o período que mediou a ocupação árabe.
Hoje também se sabe que este território, ao longo dos tempos, esteve ocupado por diversos e distintos povos, onde se destacam os romanos e os árabes, sendo que a força e a presença dos Romanos, ao longo de quatro séculos, como foi referida pelo famoso historiador romano Plínio, deixaram para os vindouros valores muito importantes, que hoje nos permitem avaliar e estudar a presença dessa civilização tendo por base, neste caso, as ruínas da cidade romana Eburobrittium, uma das mais importantes da Península, localizada a cerca de 2 quilómetros da Vila de Óbidos.
Origem da Povoação
Sobre a data correta da formação da povoação "Olho Marinho" pouco se sabe, apesar da presença humana neste território ser muito antiga.
Datam do século XII os documentos mais antigos até hoje conhecidos com referências ao Olho Marinho, "Olhos d''Água" e Quinta do Furadouro.
O crescimento do núcleo populacional do Olho Marinho, apesar de ser anterior à fundação da Quinta do Furadouro, só se evidenciou nos finais do século XII, graças à dinâmica e influência dos fundadores da Quinta, assim como, das famílias que se sucederam até aos finais do século XIX.
O topónimo
A única certeza sobre a origem do topónimo "Olho Marinho" é a de que está relacionado com os "Olhos d''Água", cujas propriedades mineromedicinais já tinham sido reconhecidas pelos romanos quando se fixaram na zona. Outros defendem que o topónimo poderá ter surgido mais tarde, no século IX, de origem árabe. Outros ainda, consideram, que a origem deste topónimo tem por base a tradição popular.
Olho Marinho, domínio de senhorios
O facto do território que, atualmente, corresponde à freguesia do Olho Marinho ter estado, durante séculos, sob a influência das Quintas do Furadouro e do Ceilão, condicionou de certa forma, o crescimento e o desenvolvimento económico e social desta população.
Esta situação manteve-se até aos finais do século XVIII, quando se extinguiu a Quinta do Ceilão. Nesta data foi iniciado o parcelamento rural, que consistiu no desmembramento de uma vasta área de terrenos, pertencentes à antiga Quinta do Ceilão, em parcelas (talhos) com cerca de um hectare cada. Posteriormente, estas parcelas foram distribuídas pelo povo do Olho Marinho e, ainda hoje, as designações: - Talhos da Charneca, Charneca do Povo, Talhos da Cidoira, Talhos da Rainha, Talhos da Quinta de Cima e Talhos do Ceilão, traduzem a importância desse momento histórico. Após a distribuição das terras, o lugar do Olho Marinho registou um enorme crescimento demográfico e económico.
Carta Régia
A primeira referência conhecida, até à presente data, à povoação do Olho Marinho, em documentos oficiais, data de 1449, com a publicação da "Carta Régia de Doação da Terra do Olho Marinho a João Vaz", emitida pelo Rei D. Afonso V, como reconhecimento pelos serviços prestados por este cavaleiro ao Príncipe D. Fernando, até à sua morte, durante o seu cativeiro em Fez.
A Carta Régia, depositada no Arquivo Nacional Torre do Tombo, assim decreta: Carta Régia, Transcrição integral 1449
Emancipação
Tendo por base um dos livros, Memórias Paroquiais, datado de 1758, o Olho Marinho, apesar de estar integrado na freguesia da Amoreira, tinha cerca de 300 habitantes distribuídos por 95 fogos, ao longo do chamado Olho Marinho Velho, Casais da Arruda, Perna de Pau e Casal Lameiro. Esta população, no século XVIII tinha uma estrutura económica, baseada em parte nas oito azenhas, movidas pelas águas que corriam ao longo do Rio Olho Marinho, em paralelo com um tipo de agricultura com alguma dimensão; desenvolvida pelos proprietários das Quinta do Furadouro e Ceilão, os maiores empregadores locais, juntamente com uma agricultura de subsistência praticada pelos restantes residentes. Para além da estrutura económica agora descrita, possuía também no sector religioso, uma Ermida em honra de Santa Iria; localizada no Centro do Olho Marinho; uma Capela particular na Quinta do Furadouro (em honra de N. Sra. do Livramento); na Quinta do Ceilão, a Capela particular (em honra de N. Sra. da Penha de França) e no lugar Serra Pequena a Capela em honra de N. Sra. do Amparo.
Entretanto o lugar do Olho Marinho e os seus casais conseguem atingir um forte crescimento demográfico, sendo que, no final da primeira metade do século XIX, em 1845, já é visível um certo desenvolvimento socioeconómico, situação que motiva e incentiva os homens mais influentes da povoação, a reivindicarem com mais força a elevação do Olho Marinho a Freguesia.
A nova Freguesia passou a situar-se a sul do concelho de Óbidos, com uma área global de 1.832 hectares, distribuídos da seguinte forma: 1.300 hectares, aproximadamente, constituem um conjunto de parcelas classificadas como Reserva Agrícola Nacional, áreas urbanizadas e urbanizáveis; sendo os restantes 532 hectares, localizados maioritariamente no Planalto das Cesaredas.
A freguesia faz presentemente fronteira com os concelhos de Bombarral, Lourinhã e Peniche.
Informação obtida no site da Junta de Freguesia