
melro-preto (Turdus merula), vulgarmente conhecido apenas
como melro ou mérula, é uma ave pertencente ao género Turdus.[1] Ocorre naturalmente na Europa, Norte de África, Médio Oriente, Ásia Meridional e Ásia Oriental,[2] e foi introduzida na Austrália e Nova Zelândia na segunda metade do século XIX.[2][3][4] Dependendo da latitude, pode
ser residente, migratória ou parcialmente migratória.[2][5] A espécie tem numerosas subespécies na sua vasta área de distribuição, algumas das quais são consideradas espécies distintas por alguns autores.[5]

O melro-preto é omnívoro, consumindo uma grande variedade de insetos, vermes, bagas e drupas.[6] Apresenta um forte dimorfismo sexual; o macho adulto da subespécie nominal T. m. merula é completamente preto, com exceção do bico e do anel orbital de cor amarela, e tem um vasto repertório de vocalizações, enquanto que a fêmea adulta e os juvenis são predominantemente de cor castanha.[7]
Esta espécie nidifica em bosques e jardins, construindo ninhos em forma de taça com ervas e lama[9] em trepadeiras ou arbustos, e pode ser encontrada tanto em florestas como em campo aberto e zonas urbanas.

[10] Ambos os sexos exibem um comportamento territorial nos locais de nidificação, cada qual com comportamentos agressivos distintos, mas é mais gregário durante as migrações e nas áreas onde inverna.[6] Tanto os machos como as fêmeas podem permanecer no seu território durante todo o ano desde que o clima seja suficientemente temperado e haja alimento disponível durante o inverno.
Apesar de poderem ocorrer flutuações locais nas populações devido a ameaças específicas, possui uma grande área de distribuição geográfica e uma grande população global, pelo que não se considera que se encontre globalmente ameaçada.[11] Existem numerosas referências literárias e culturais ao melro-preto, frequentemente relacionadas com o canto melodioso dos machos. O melro-preto é a ave nacional da Suécia.[12]

melro-preto foi descrito em 1758 pelo zoólogo sueco Carolus Linnaeus no seu livro Systema Naturae como Turdus merula, caracterizado como "Turdus ater, rostro palpebrisque fulvis" ("Tordo negro, com bico e pálpebras amarelas").[13] O seu nome binomial deriva de duas palavras em latim, turdus, "tordo", e merula, "melro".[14] O filósofo e enciclopedista romano Varrão indica um diminutivo de mera, "só", como explicação etimológica para o termo merula, que significaria assim quod mera, "quase só", o que descreve bem o carácter solitário desta ave.[15] Este termo (e a sua forma tardia merulu) deu ainda origem à designação comum para esta espécie não só em português[1][16] ('melro', com síncope do 'u' e metátese do 'r'), como também noutras línguas românicas como o castelhano ('mirlo'),[17] o francês ('merle')[18] e o italiano ('merlo').[19] Já em inglês (blackbird, lit. "ave negra")[20] e em sueco (koltrast, lit. "tordo de carvão")[21] a designação comum parece derivar da sua aparência. Em Portugal, é normalmente conhecido como o melro, apesar do termo se referir de forma mais abrangente a diversos membros da família Turdidae, como o melro-de-peito-branco (Turdus torquatus) e o melro-das-rochas (Monticola saxatilis).[1]

A taxonomia desta espécie, particularmente a das subespécies asiáticas, é complexa. As subespécies encontradas no subcontinente indiano, T. m. simillimus, T. m. nigropileus, T. m. bourdilloni, T. m. spencei e T. m. kinnissi, são relativamente pequenas (apenas 19–20 cm de comprimento) e possuem um anel orbital largo, para além de terem proporções, formato das asas, cor do ovos e vocalizações diferentes das outras subespécies de melro-preto. Por essas razões, são por vezes consideradas uma espécie separada, Turdus simillimus.[22][23][24] A subespécie T. m. maximus dos Himalaias é bastante maior (23–28 cm de comprimento) do que o grupo da T. m. simillimus, e difere de todas as outras subespécies de melro-preto pela total ausência do anel orbital e pelas suas vocalizações reduzidas, pelo que é por vezes considerada uma espécie separada, Turdus maximus.[22][24] As restantes subespécies asiáticas, as relativamente grandes T. m. intermedius e T. m. mandarinus, e a menor T. m. sowerbyi, também diferem em estrutura e vocalizações, e podem também representar uma espécie separada, Turdus mandarinus.[5] Alternativamente, alguns autores sugerem que sejam consideradas subespécies de Turdus maximus,[2] mas diferem desta em estrutura, vocalizações e existência do anel orbital.[5][22]
O parente mais próximo em termos evolutivos do melro-preto aparenta ser o Turdus poliocephalus, presente no Sudeste Asiático e em algumas ilhas do sudoeste do Pacífico, que provavelmente divergiu do melro-preto recentemente.[2
