Este espaço, exclusivo das mulheres, era um local de socialização, uma vez que neles juntavam-se várias mulheres em ambiente de amena conversa e convívio, onde se inteiravam dos boatos e mexericos e se falava da vida alheia, dos amores e desamores, eram os “pasquins” da aldeia. Foi nestes espaços que, muito provavelmente, surgiu a expressão popular “lavar a roupa suja”. Durante a lavagem das roupas, havia sempre quem cantasse e era aí que surgiam muitas das “modas” novas. Assim, transformava-se uma tarefa bastante dura e ingrata num momento de alegria. Esta tarefa era repetitiva e exigia grandes esforços, desde o transportar a roupa suja em trouxas até ao lavadouro, onde era ensaboada com o sabão ou clarim e esfregada na pedra áspera ao torcer. Como a roupa molhada era muito pesada, era normal estendê-la atando cordas às árvores existentes ou em arbustos próximos, deixando escorrer a água e para ficar a corar. Depois carregava-se à cabeça a bacia com as roupas de regresso a casa. Para facilitar esta tarefa comum e quase quotidiana e porque, na altura, era uma importante infraestrutura comunitária, quase todas as aldeias ou vilas tinham um ou mais lavadouros públicos, dispersos por vários lugares. Muitas vezes eram também fonte de subsistência económica, uma vez que as famílias mais abastadas contratavam estes serviços a lavadeiras profissionais, que executavam esse trabalho nestas estruturas. Já lá vai o tempo em que as mulheres lavavam as roupas e as de pessoas que lhes pagavam para executar esse trabalho. Hoje em dia, a tecnologia transformou o nosso quotidiano e as lavadeiras desapareceram, fruto desta evolução, restando uma salutar, ou talvez não, recordação.
Por imperativo dessa modernidade, a maioria dos lavadouros públicos deixaram de ser utilizados e foram desativados e destruídos, outros, muito poucos, continuam ativos recordando a labuta de outrora, onde as mulheres faziam fila para lavar roupa.
Em Nogueiró ainda existe o lavadouros