Moinhos do Arco
Os Moinhos do Arco, localizados na margem do rio Leça, na zona entre Águas Santas e Ermesinde, representam um importante vestígio do património molinológico da região. Inseridos num vale estreito e arborizado, estes moinhos hidráulicos aproveitavam o caudal do Leça através de levadas e canais escavados na rocha, conduzindo a água até aos rodízios que movimentavam as mós. O nome “do Arco” provém da proximidade à antiga Ponte do Arco, uma estrutura em pedra que facilitava a travessia do rio e que, em tempos, fazia parte da paisagem funcional dos moinhos, servindo também de passagem para os moleiros e agricultores.
A arquitetura dos moinhos é simples, feita em alvenaria de pedra, com aberturas em arco e restos visíveis de canais de água. Estima-se que tenham funcionado entre os séculos XIX e XX, integrados numa rede de moinhos ao longo do Leça que alimentava a economia local com farinha de milho e trigo. Estas estruturas não eram apenas locais de trabalho — também eram pontos de encontro e convívio comunitário, funcionando por turnos e sendo partilhadas por várias famílias.
Com o passar do tempo e o avanço da industrialização, os Moinhos do Arco foram sendo abandonados e hoje encontram-se em estado de ruína. No entanto, continuam visíveis e acessíveis, integrados no percurso pedestre do Corredor Verde do Leça, um projeto intermunicipal que procura recuperar a relação entre o rio, o património e as populações. Os Moinhos do Arco, apesar da sua degradação, permanecem como testemunho vivo de um modo de vida antigo, em que a água, a pedra e o engenho humano se uniam para sustentar as comunidades ribeirinhas do norte de Portugal.
