Quinta da Caverneira
A Quinta da Caverneira situa-se num terreno elevado, de onde se usufrui de ampla vista para a Serra de Agrela a Nascente e sobre o vale do Leça a Poente. Este rio, nasce na dita serra, barreira física à penetração para interior das massas do ar atlântico húmido, que aqui se convertem em águas fluviais e para o citado curso de água convergem.
Este vale de terras férteis determinou desde tempos distantes a vocação agrícola destas terras. A bacia hidrográfica do Leça, vai assim interligar-se com a do Douro e do Ave, tomando a forma de anfiteatro, bem exposto e voltado ao atlântico. O terreno da propriedade é um afloramento granítico por excelência. Situava-se, na envolvente imediata, pedreiras de extração de granito amarelo (o granito do Porto, vulgarmente denominado ainda hoje “granito Caverneira”) a laborar até anos recentes sendo fonte principal de rendimentos da Vila. O substrato granítico do solo possibilita a infiltração lenta das águas, dando origem a nascentes de boa qualidade, “águas santas”, e a inúmeros pequenos cursos de água, incrementando naturalmente a produtividade dos solos. As construções estão localizadas numa pequena plataforma à cota mais alta da propriedade e simultaneamente da freguesia, onde se encontra um marco geodésico assinalado 165 metros de altitude.
Os antigos limites da propriedade faceavam a velha estrada de Guimarães, a Rua D. Afonso Henriques ou E.N.105. Aglutinadora de urbanização e progresso nas suas margens, onde já em 1911 circulava o moderníssimo carro elétrico em ligação à urbe Portuense. Este eixo viário é assim, o elemento mais dissonante da componente agrícola e bucólica do entorno.
Gozava esta vila, no princípio do séc. passado, de localização privilegiada em relação à grande cidade, à mistura com modernos meios de transporte como o caminho-de-ferro e o carro elétrico, sem perder o caracter rural e as benesses da vida no campo.
São estas as características que, nos fins do séc. XIX e princípios do séc. XX, aqui vão fomentar, pela parte de famílias abastadas, a construção de bonitas casas de habitação, férias e lavoura.
Foi neste contexto rural que foi construída a Quinta da Caverneira. Na propriedade onde o terreno era puro granito de antiga pedreira, surgiram terraços cultivados em socalcos, suportados por muros de granido miúdo, para onde incontáveis carros de bois transportaram terra sem cessar, de forma a permitir plantar. A casa, que se crê da última década do séc. XIX é claramente exemplo da “casa de brasileiro”. O ecletismo de estilos que a compõem formalmente, é disso prova evidente.
Sabe-se ter sido construída por industrial ligado ao têxtil, neste ponto elevado do terreno tornado ainda mais alto com a construção do torreão central com o intuito de ver, para Poente o Atlântico e para Nordeste a Serra do Marão, o que em dias claros se verifica. Dos elementos extravagantes que a fazem sobressair da paisagem, a mais evidente é essa alta torre com ameias. Podemos encontrar-lhe a origem na cópia de torres dos placetes barrocas atribuídas a Nazoni. Veja-se a torre da Casa do Rio ou mesmo a da Casa de Ramalde. Os telhados de inclinação excessiva, têm influência alpina, assim como as mansardas do primeiro piso. As altas janelas com varandas são um elemento comum a estas casas, tendo trazido à construção tradicional, mais fechada e de pequenas aberturas, a salubridade da luz.
Outro elemento comum é existência de um motor a vento, neste caso, já desaparecido. Diz-se que os “brasileiros” foram autênticos mineiros, procurando água nas nascentes próximas, abrindo poços, murando as condutas e utilizando os motores a vento para levar a água para dentro das habitações, onde era distribuída por modernas e inusuais à data, canalizações. Os muros altos, demarcado sem equívoco a propriedade, são outro desses traços comuns. O regresso às origens numa situação mais favorável, é marcado pela construção destas habitações vistosas, forma de jubilação após retirada do trabalho intenso que a emigração implicava, procurando a afirmação social a um nível mais elevado.
A emulação torna-se assim mais importante do que a inovação e daí advêm os excessos decorativos. O portão de ferro forjado trabalhado com a data de construção, encontrado vulgarmente neste tipo de construções, existiu já, segundo testemunhas na antiga entrada principal pela Rua D. Afonso Henriques. As decorações em ferro rendilhado dos beirais das mansardas, as nobres cantarias, proporções esguias de construção e o outrora frondoso jardim, retiraram o que restar de dúvidas sobre os traços comuns entre esta e a comummente designada “casa de brasileiro”.
Horário de Funcionamento
Segunda a Domingo: 09.00h - 00.00h.
