Entre muros antigos e nascentes escondidas, ergue-se um lugar onde o tempo corre devagar: a Quinta das Águas Livres, outrora conhecida como Casal da Água Livre.
As suas origens remontam à Antiguidade — romanos e mouros já aproveitavam estas águas puras que brotam das encostas de Belas. Durante o século XVI, os Cónegos de Santo Agostinho tornaram o local próspero e ergueram a ermida de São Mamede em 1591, que se tornou centro de devoção popular.
No século XVIII, com o Aqueduto das Águas Livres, o vale floresceu. Mais tarde, no século XIX, a quinta foi adquirida pela família inglesa Biester, que construiu um palácio ao estilo inglês envolto em jardins exuberantes e esculturas orientais. Após a morte de D. Isabel Biester, o legado passou para D. Maria do Patrocínio Biester de Barros Lima e o Conde de Vilalva, que lhe deram um toque ainda mais eclético.
Um incêndio nos anos 1930 e a decadência familiar levaram ao abandono do palácio.
Em 1979, a Polícia de Segurança Pública adquiriu a quinta, restaurando-a para instalar o Grupo de Operações Especiais (GOE) e, posteriormente, a Unidade Especial de Polícia (UEP).
Das ruínas da antiga ermida nasceu a atual Igreja de São Miguel Arcanjo, padroeiro dos polícias portugueses.
Hoje, o local combina memórias antigas e disciplina moderna — um espaço onde a história, a fé e o serviço público se cruzam.
Escuta com atenção… talvez ainda consigas ouvir o murmúrio das águas que deram nome a esta terra.
💧 "As águas livres correm eternamente — tal como a coragem daqueles que aqui servem."