Largo da Lameira (Mosteiró)
O Largo da Lameira assume-se, indiscutivelmente, como a sala de visitas e o centro nevrálgico da vida social de Mosteiró, sendo um espaço onde a memória histórica convive diariamente com a rotina da população. O próprio topónimo transporta-nos para a origem do lugar, evocando um terreno outrora alagadiço e húmido que foi transformado, ao longo dos séculos, no coração pulsante da freguesia. É aqui que se sente a verdadeira alma da terra, especialmente às quartas-feiras, dia em que o largo ganha uma nova vida com a realização da secular Feira da Lameira. Oficializada em 1896, esta feira transformou o largo num ponto de encontro incontornável para o comércio e troca de produtos, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e que atrai gentes de todo o concelho.
Para além do bulício do mercado, o Largo da Lameira funciona como um museu a céu aberto, pontuado por monumentos que contam a história da região. Num dos extremos, ergue-se o imponente Cruzeiro de 1756, mandado construir por Julião Dias da Rocha, uma estrutura granítica que se acredita ser uma prece de proteção na ressaca do grande terramoto de 1755. A complementar este cenário de antiguidade, encontra-se ali a Farmácia Azevedo, uma instituição de portas abertas desde 1737, ostentando o título de botica mais antiga do concelho de Vila do Conde. Assim, entre o comércio tradicional e as pedras seculares, o Largo da Lameira permanece como o símbolo máximo da identidade e da vitalidade de Mosteiró.
