PEREGRINAÇÃO de Fernão Mendes Pinto
Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, em data incerta (entre 1509-14), e faleceu perto de Almada (Pragal) a 8 de julho de 1583. Oriundo de uma família sem recursos e marcado por um forte espírito aventureiro, embarca, em 1537, numa armada composta por cinco naus rumo à Índia. Começam então as suas incríveis aventuras, repletas de peripécias, por Meca, Abissínia, Ormuz, Índia e Birmânia, pela Cochinchina, Sião, China e Japão, e pelas ilhas da actual Indonésia. Ao longo dessa jornada será um pouco de tudo: soldado, escravo, corsário, etnólogo avant la lettre, diplomata, corsário, mercenário, peregrino, naufrago e mercador.
Regressa definitivamente a Portugal em Setembro de 1558, estabelece-se numa quinta em Almada redigindo, entre 1569 e 1578, as suas memórias aventurosas sob o título Peregrinação, obra maior que o imortalizará, resgatando para sempre a sua extraordinária e longa jornada oriental das sombras do esquecimento.

fotos by SawCastro
na sinopse de uma das recentes edições, podemos ler:
Peregrinação é, seguramente, um dos grandes clássicos da literatura de viagens. Uma obra de tal modo importante que cristalizou no panteão dos vultos estelares do cânone universal o nome de Fernão Mendes Pinto, uma das figuras mais extraordinárias de toda a nossa literatura. Editada em 1614, tornou-se logo num sucesso editorial notável, sendo ainda hoje um dos livros portugueses mais traduzidos no mundo. E o caso não é para menos: trata-se de um relato excepcional não apenas pelo seu inegável merecimento literário, mas também por constituir um documento histórico de incalculável valor para se conhecer a vida e os costumes dos povos orientais no século XVI, bem como os meandros da presença portuguesa na Ásia, descrita sem condescendências por Fernão Mendes Pinto.