Numa manhã de verão, decidi acompanhar um amigo que trabalhava em estufas agrícolas no meio do campo. Não havia casas por perto — só terra, céu aberto e filas intermináveis de estufas de plástico branco a brilhar ao sol, como se fossem um pequeno mar ondulado no meio da planície.
Assim que entrei numa delas, senti o ar quente e húmido a envolver-me. Lá dentro, tudo parecia vivo e em movimento: plantas altas carregadas de tomates, o som suave da água a pingar dos sistemas de rega, e o cheiro intenso da terra molhada.
O meu amigo foi tratar de uma tarefa e disse-me para esperar ali. Claro que não esperei.
Comecei a andar pelos corredores estreitos entre as plantas, curioso como sempre. Cada fila parecia igual à anterior, e sem dar conta, fui avançando cada vez mais para dentro da estufa. A luz do sol atravessava o plástico por cima, criando sombras estranhas que se mexiam com o vento lá fora.
A certa altura, percebi que já não sabia por onde tinha entrado.
Tentei voltar atrás, mas todos os caminhos pareciam iguais. Ri-me sozinho no início — “não deve ser assim tão difícil sair daqui” — mas passados uns minutos, comecei mesmo a sentir-me perdido. O calor não ajudava, e o silêncio só era interrompido pelo som repetitivo da água a cair.
Foi então que ouvi um barulho diferente. Um leve arrastar… como passos.
Fiquei quieto.
O som repetiu-se, mais próximo desta vez. Afastei algumas folhas e vi… um cão. Um daqueles cães de quinta, magro mas ágil, que provavelmente ajudava os trabalhadores. Ele olhou para mim com ar curioso, como se estivesse a perguntar o que é que eu estava ali a fazer.
Sem pensar muito, comecei a segui-lo.
O cão caminhava com confiança pelos corredores, virando sempre nos sítios certos. E eu, sem melhor ideia, fui atrás. Depois de alguns minutos, comecei a ver mais luz ao fundo — a saída.
Quando finalmente saí da estufa, senti o vento fresco no rosto como se tivesse acabado de sair de outro mundo. O meu amigo estava lá fora, a rir-se.
— Perdeste-te, não foi?
Encolhi os ombros, ainda meio ofegante.
— Só estava a explorar…
Olhei para trás, para a estufa silenciosa e aparentemente igual a todas as outras. Sorri.
Às vezes, até num lugar feito para cultivar plantas, pode nascer uma pequena aventura.
Podes validar a solução do puzzle com
certitude