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Um oceano no topo da serra EarthCache

Hidden : 4/11/2026
Difficulty:
2.5 out of 5
Terrain:
2.5 out of 5

Size: Size:   other (other)

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Geocache Description:


Como Registrar esta EarthCache:

Para registrar esta EarthCache, envie um e-mail com as respostas às seguintes perguntas:

  1. Quantas amonites consegues identificar no local e qual é a maior e a menor que observaste (tamanho aproximado)?

  2. Para além das amonites, que outros fósseis consegues observar no afloramento? Indica pelo menos um tipo.

  3. Em que época do Jurássico (Aaleniano, Bajociano ou Batoniano) se enquadram os estratos observados na EarthCache onde ocorrem os fósseis?

  4. Foto Opcional: Tire uma foto a um fossil para documentar a sua visita. Esta foto é opcional.


Um oceano no topo da serra

 

A Serra da Boa Viagem, localizada na margem norte do rio Mondego, na região da Figueira da Foz, constitui uma das exposições mais representativas de unidades carbonatadas jurássicas da Bacia Lusitânica. Esta estrutura corresponde a um conjunto de estratos sedimentares mesozóicos intensamente deformados durante fases tectónicas associadas à abertura do Oceano Atlântico, apresentando atualmente uma geometria monoclinal com direção geral WNW–ESE e inclinação até cerca de 70º para sul. Esta disposição estrutural resulta do levantamento e rotação de depósitos originalmente formados em ambiente marinho de plataforma continental, permitindo a exposição progressiva de unidades estratigráficas desde o Aaleniano (norte, mais antigo) até ao Batoniano (sul, mais recente), com predominância de depósitos do Bajociano na área da Earthcache.

Na zona da Earthcache, observa-se uma sucessão de camadas calcárias e margosas bem individualizadas, expostas preferencialmente na vertente sul, uma vez que a vertente oposta se encontra parcialmente coberta por depósitos detríticos arenosos e vegetação que dificultam a observação do substrato rochoso. As unidades aflorantes apresentam espessuras variáveis, tipicamente entre 15 e 35 cm nas camadas calcárias mais competentes e entre 1 e 10 cm nas intercalações margosas. Este conjunto litológico define uma sucessão rítmica interpretada como ciclotema, associada a oscilações eustáticas do nível do mar e variações nas condições de sedimentação em contexto de bacia em subsidência ativa durante o Jurássico Médio.

O conteúdo fossilífero destas unidades é dominado por invertebrados marinhos mesozóicos, com especial destaque para cefalópodes Ammonoidea, acompanhados por Belemnitida, bivalves e, localmente, braquiópodes e foraminíferos. As amonites ocorrem de forma praticamente contínua ao longo da sucessão estratigráfica, sendo representadas por formas atribuíveis a géneros como Parkinsonia sp., Macrocephalia sp. e Leptosphinctes sp., típicos do Jurássico Médio europeu. Estes organismos, de hábitos nectónicos, possuem elevada relevância bioestratigráfica devido à sua rápida evolução morfológica e ampla distribuição paleogeográfica, permitindo correlações inter-regionais em escala global.

A presença simultânea de indivíduos em diferentes estágios ontogenéticos, incluindo formas juvenis e adultos bem desenvolvidos, sugere deposição relativamente contínua e ausência de transporte significativo pós-morte, indicando condições próximas de preservação autoctónica a parautoctónica. Os belemnites, representados por Hibolithes sp., reforçam a interpretação de um ambiente marinho aberto com boa oxigenação da coluna de água, enquanto os bivalves atribuíveis a cf. Posidonia sp. indicam condições de baixa energia e deposição em sedimentos finos de plataforma. A ocorrência destes grupos em associação com níveis margosos e superfícies de descontinuidade sugere que estes horizontes funcionaram como níveis preferenciais de acumulação e preservação fossilífera.

O estado de preservação dos fósseis é, em geral, moderado a fraco, predominando moldes externos, fragmentos e estruturas incompletas, o que é consistente com processos tafonómicos típicos de ambientes carbonatados sujeitos a diagénese ativa, dissolução parcial e compactação sedimentar. A concentração de fósseis em determinados níveis estratigráficos reforça a interpretação de deposição episódica em ambiente marinho relativamente estável, com variações periódicas nas condições sedimentares.

Este conjunto de evidências sedimentológicas, estratigráficas e paleontológicas enquadra-se num sistema deposicional de plataforma continental jurássica associado à evolução inicial da Bacia Lusitânica durante a abertura do Atlântico Norte. A evolução tectónica posterior conduziu ao levantamento e inclinação dos estratos, permitindo a exposição atual destas sucessões marinhas fossilíferas. Assim, os afloramentos da Serra da Boa Viagem constituem um registo contínuo de elevada relevância científica, integrando informação bioestratigráfica, paleoambiental e geodinâmica, particularmente significativa para a compreensão dos sistemas marinhos do Jurássico Médio na margem ocidental ibérica.

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