Há muitos séculos, o local que hoje conhece como Albufeira era uma pacata povoação romana chamada Baltum. Os romanos construíram ali pontes, estradas e desenvolveram o comércio e a agricultura, aproveitando a riqueza da terra e a proximidade com o mar.
O rumo desta terra mudou completamente no século VIII, com a chegada dos povos árabes. Fascinados pela falésia imponente sobre o Oceano Atlântico, decidiram construir ali uma fortaleza imbatível. Batizaram o local de Al-Buhera, que significa "Castelo do Mar". Durante séculos, esta foi uma praça militar e comercial árabe quase inexpugnável, protegida por muralhas altas e torres de vigia.
A paz do "Castelo do Mar" foi interrompida no século XIII. Os cavaleiros cristãos da Ordem de Santiago, liderados por D. Paio Peres Correia, cercaram a fortaleza após uma longa e violenta batalha. Al-Buhera caiu e passou para as mãos do Reino de Portugal. Anos mais tarde, em 1504, o Rei D. Manuel I concedeu um Foralà vila, organizando a sua administração e comércio.
A tragédia bateu à porta no dia 1 de novembro de 1755. O gigantesco Terramoto de Lisboa fez-se sentir com violência na vila. O abalo e o maremoto subsequente derrubaram as muralhas do antigo castelo, destruíram grande parte do casario e ceifaram muitas vidas. Albufeira ficou em ruínas e demorou décadas a recuperar o seu fulgor.
Após a reconstrução, a vila virou-se inteiramente para o mar de uma forma diferente: através da pesca. Durante os séculos XIX e XX, o porto encheu-se de barcos coloridos e surgiram fábricas de conservas de peixe. Albufeira vivia ao ritmo das redes e das marés, sendo uma comunidade piscatória unida e trabalhadora.
Tudo voltou a mudar na década de 1960. Viajantes de toda a Europa começaram a descobrir as praias de areia dourada e as águas quentes escondidas entre as falésias. O turismo cresceu rapidamente, as antigas casas de pescadores transformaram-se em hotéis e restaurantes, e a vila cresceu até se tornar a capital do turismo do Algarve, onde o passado histórico ainda espreita nas ruas estreitas e brancas do centro antigo.