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São Paio de Gramaços - fonte de N.ª S.ª dos Milagres (1883) - simbologia e partes integrantes.
A nascente e o aquífero da fonte (grande cisterna natural), fica situado por baixo da Capela do Santuário de N.ª S.ª dos Milagres, sendo depois a água orientada para uma cisterna subterrânea, que se situa logo atrás das saídas de água, que permite a decantação, bem como garante que a saída da água se mantenha relativamente estável. Em tempos dizia-se que a bica mais à direita era de melhor água, porque ficava do lado Capela e por isso vinha diretamente da N.ª S.ª dos Milagres. Não passa de um mito, porque de facto ligam ambas ao reservatório, e por isso a água em ambas as bicas vêm do mesmo local.
A existência de duas bicas denota a abundância de água na nascente, que nunca faltou, mesmo no anos de maior calor, em que houve falta de água em vários locais e fontes da região.
Entre as bicas existe um trabalho no granito representativo de uma concha, que é um símbolo da fecundidade, que é a própria água, e simboliza também a prosperidade e a sorte (o simbolismo da fecundidade, do prazer sexual e do erotimo - talvez represente também os muitos encontros de namorados que se davam na fonte ou na ida à fonte).
Para além destes aspetos a fonte de São Paio de Gramaços tem várias características arquitetónicas que não é fácil encontrar noutras fontes, e que nos dias de hoje podemos não perceber porque foram construídas e qual a razão da sua existência.
Ao Centro tem as “bicas”, por onde sai a água, e mais atrás existe um ferro muito grosso que está fortemente agarrado a 2 pedras de granito, fortemente implantadas no chão. Este ferro servia para fixar os bois, as mulas, os animais que transportavam a água,ou os animais que iam guiados à mão e eram ali amarrados para o seu dono ou o homem que os guiava, poder beber água descansado e/ou descansar um pouco.
A água que cai das bicas para a pia antes de chegar ao cimo da pia sai pelo lado direito e é guiada por um sulco feito na rocha (agora esse sulco está tapado, provavelmente por questões higiénicas), até uma segunda pia, ligeiramente mais pequena, que era o local onde se levavam os animais a beber água (bois, mulas, burros, etc.).
Logo de seguida a água era guiada para o lado direito através de um pequeno sulco, caindo num enorme tanque, que ainda hoje é usado para lavar (em especial peças grandes como tapetes), o qual era esvaziado semanalmente para limpeza.
Do lado esquerdo vê-se uma pedra elevada, para onde se transportavam os cântaros cheios de água. Da pedra que está dentro de água, por baixo da “bica”, após o cântaro encher, elevava-se para a borda da pia, e de seguida para o cima dessa pedra. Uma vez em cima da pedra, pela altura que tem, permite que a mulher se “agachasse” e o coloque à cabeça para o transportar.
Portanto desde a saída de água dupla, à existência da pia para os animais beberem, o tanque para lavar, o local de amarrar os animais até à pedra elevada para facilitar a colocação do cântaro à cabeça, faz deste conjunto arquitetónico um lugar único a manter e a preservar.
(agradece-se retificações, outros contributos, melhoramentos e sugestões, no sentido de aumentar o conhecimento de todos).
Additional Hints
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