Numa pequena cidade chamada Algarismo, o Sete era considerado por todos a verdadeira estrela local. Oito dias por semana — se tal existisse —, o Sete exibia o seu topo elegante e a sua linha diagonal impecável. Afinal, eram sete as maravilhas do mundo, sete as cores do arco-íris e sete os dias da semana. O Sete achava-se simplesmente perfeito.
Ao seu lado vivia o Zero. O Zero era perfeitamente redondo, suave e pacífico, mas carregava uma tristeza silenciosa.
— Não sirvo para nada — suspirava o Zero, rolando devagar pela calçada. — O Um indica o vencedor, o Três forma o triângulo e o Oito até parece um biscoito engraçado. Mas eu? Eu represento o vazio, o nada. BAAABAAAAAABBAB AAABBAABAABABBB
Um dia, a cidade de Algarismo enfrentou um problema colossal. Um enorme dragão de poeira invadiu o vale, ameaçando cobrir todas as casas. A única forma de o afastar era erguer uma barreira numérica de força imensa: precisavam de alcançar o valor exacto de cem.
O Sete correu para a frente, estufando o peito. — Deixem comigo! — gritou. Mas, por mais que se somasse a outros Sete, a conta ficava sempre confusa e emperrada nos decimais.
O Cinco tentou ajudar, o Nove deu saltos mortais, mas nenhum deles conseguia alcançar o poder de escala necessário a tempo. O dragão aproximava-se, fazendo estremecer a terra.
Foi então que o Um, um número simples e reto, olhou para o pequeno Zero, que observava tudo a uma distância de segurança.
— Zero, vem cá! — chamou o Um. — Preciso da tua ajuda.
— Minha? — estranhou o Zero. — Mas eu não valho nada...
— Sozinho, podes ser a ausência de valor — disse o Um, estendendo-lhe a mão. — Mas ao meu lado, tu multiplicas o nosso destino.
O Zero hesitou, mas rolou depressa até se colocar à direita do Um. Instantaneamente, o ar vibrou e o valor transformou-se em Dez. O dragão recuou um passo.
Ao ver aquilo, outro Zero que passeava por ali percebeu o seu papel e correu para se juntar à fila, alinhando-se logo a seguir. Em menos de um segundo, a união do Um com os dois Zeros fez erguer um brilhante e majestoso Cem.
A força do número foi tão avassaladora que criou um vento forte, varrendo o dragão de poeira para muito longe da cidade.
Nessa noite, a cidade de Algarismo celebrou. O Sete fez um discurso humilde, admitindo que a verdadeira grandeza nem sempre está no valor que se carrega sozinho. E o Zero, finalmente a sorrir, percebeu que o "nada", quando colocado no lugar certo e ao lado dos amigos certos, tem o poder de mudar tudo.
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