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O Mistério da Villa da Fórnea

A cache by HSANTOS Send Message to Owner Message this owner
Hidden : 07/19/2009
Difficulty:
3 out of 5
Terrain:
1.5 out of 5

Size: Size: large (large)

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Geocache Description:



O Mistério da Villa da Fórnea




A Cache


Sendo está a minha primeira cache decidi que devia esmerar-me nela , para obterem as coordenadas finais, devem torcer os olhos e descodificar as imagens anteriores, sendo que a primeira corresponde aos 3 ultimos digitos das coordenadas N e a segunda os 3 ultimos da coordenada W.

Vila Romana da Fórnea

Embora estes não constituam os vestígios mais antigos da presença humana no território de Belmonte, uma vez que, se recuarmos aos tempos do Neolítico Final, com a presença aqui confirmada de sepulturas megalíticas – dólmenes, as ruínas romanas da Quinta da Fórnea, construídas somente 4.000 anos depois, vieram enriquecer, mais ainda, a História deste nobre concelho da Beira Interior. A importância desta estação arqueológica, posta em evidência através da sua escavação praticamente integral, é de tal ordem que, ao rescrever-se a História de Portugal, seria certamente uma falha gravíssima não se aludir, no capítulo do domínio romano, a este sítio.
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Embora ténues, constituídos essencialmente por cerâmicas de construção, foram suficientes para que logo se promovesse, através do então Instituto de Estradas de Portugal, um plano de trabalhos arqueológicos. Este plano contemplava a escavação arqueológica de uma boa parcela de terreno onde os vestígios à superfície eram mais abundantes, bem como o despiste de outros locais através da abertura de valas de sondagem ao longo do traçado projectado da via. No decurso da abertura de uma destas sondagens, a sudoeste do sítio em questão, e a escassas dezenas de metros, haveria ainda de ser identificada parte de uma necrópole do mesmo período.
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Procurava-se averiguar a natureza destes vestígios, bem como avaliar a real importância patrimonial e científica do arqueosítio em causa. Sabia-se, ainda assim, que sobre este sítio, no topo da serra da Boa Esperança, se encontravam as ruínas de um povoado amuralhado proto-histórico, há muito referido nas fontes históricas locais, e conhecido por Castro da Chandeirinha.
É dado o nome de Quinta da Fórnea a uma vasta porção de terreno, com aproveitamento agrícola, sobranceira à parte oriental da serra da Boa Esperança. O seu desenvolvimento ocorre sobretudo, ainda que em parte por terras de encosta, dentro já da zona de vale, a sul daquele maciço granítico. Embora administrativamente faça parte da freguesia de Belmonte, encontra-se nos limites desta com outra povoação importante deste concelho, Caria. Estas terras, pertencentes a ilustre família Cabral, em plena Beira Baixa, incluem-se ainda no conjunto de concelhos abrangidos pelo distrito de Castelo Branco.


A Quinta da Fórnea reparte-se hoje por diversas propriedades, aglutinadas nessa designação comum. Apesar de ladearem hoje uma estrada secundária – E.N.345 –, rodovia ainda importante a nível regional, usufruíram no passado da passagem de um troço de Via Imperial que, ligava, pelo interior, duas das capitais provinciais mais importantes do ocidente - Mérida e Bracara Augusta. Talvez o peso da interioridade destas terras fosse, ao tempo dos Césares, menor.
A construção dessa estrada antiga terá dado lugar, obviamente aliada a outros factores importantes, como a própria riqueza do subsolo, a uma crescente fixação humana no período romano desta parte do nosso território. As acessibilidades sempre foram, desde a antiguidade, embora alturas houve em que esta ideia tenha sido posta de parte, um factor importante de desenvolvimento. Todas as estradas, inevitavelmente, e dada a complexa rede rodoviária criada pelo império romano, iam, como se sabe, dar a Roma.

Totalmente desconhecidas até 1997, ano inicial dos primeiros trabalhos de escavação arqueológica neste local, que como já dissemos foram desenvolvidos no âmbito da construção um grande projecto rodoviário - A23 -, as ruínas postas a descoberto na altura demonstraram de imediato a importância deste sítio. Compreendiam, pelo que hoje sabemos, apenas parte de todo o conjunto hoje conhecido da área edificada de uma “Villa” romana. Deste complexo agrícola foram então postas a descoberto, essencialmente, as partes relativas à sua Parte urbana e Parte rústica, escavadas então quase na totalidade. A importância dos achados levou na altura a uma alteração significativa do projecto, tendo sido possível, pelo desvio do traçado, a preservação integral da estação arqueológica.
Mais recentemente, e após a doação dos terrenos da Quinta da Fórnea à autarquia de Belmonte, pelo Senhor Engenheiro António Rebelo de Andarde, o proprietário da Quinta da Chandeirinha, pôde ser desenvolvida um programa de trabalhos, com execução integral da empresa “Arqueohoje”, em parceria com a edilidade local, que visava a escavação integral do sítio e o restauro das estruturas postas a descoberto em 1997. O património, desta perspectiva, foi encarado, sem pudor, como um factor inequívoco de desenvolvimento, dentro das potencialidades únicas locais.
A importância científica e pedagógica deste sítio arqueológico advém do simples facto de existirem poucas “Villas” no nosso país totalmente escavadas. A par da Fórnea, e com significativas diferenças ao nível dos modelos arquitectónicos destes estabelecimentos agrícolas rurais, apenas se poderão referir os casos da Villa de S.Cucufate (Vidigueira, Beja) e Torre de Palma (Monforte), ambas no sul do país.
A “Villa”, como aqui se entende e pretende transmitir, é um elemento fundamental da paisagem rural romana. Dela fazem parte uma Pars urbana (alojamentos do proprietário ou Villicus responsável pela exploração, uma Pars rustica, onde se localizam os alojamentos dos trabalhadores e uma Pars fructuaria, constituindo-se esta última pelo conjunto de edifícios de cariz agrícola, como celeiros, lagar, adega…etc.
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Embora no nosso território o modelo de Villae de peristilo esteja amplamente documentado, essencialmente nas regiões centro e sul do país, pensamos que a Quinta da Fórnea possa enquadrar-se mais naquilo a que os investigadores britânicos designam por winged corridor villa, sem peristilo e com acessos a diferentes espaços, nalgumas partes do mesmo conjunto, por intermédio de alas cobertas – corredores. A Villa romana tradicional, e não será despropositada esta imagem, poderá comparar-se a uma grande quinta agrícola actual. A ordenação territorial e a gestão política destes territórios rurais provinciais eram feitas por intermédio de pequenos núcleos urbanos que, munidos do direito, das estruturas e instituições próprias administravam, segundo os desígnios do poder central e por interposição da respectiva capital provincial, todo esta parte do interior norte da Lusitânia. A organização do espaço edificado da Villa encontra raízes na arquitectura mediterrânea. A construção sucessiva, e facilitada, através de grandes blocos rectangulares dispostos perpendicularmente entre si dá origem ao desenvolvimento, propositado, de grandes áreas a céu aberto – pátios. Também na Quinta da Fórnea assistimos à construção regular, dentro do denominado pequeno aparelho, de diversos módulos. De configuração rectangular, embora de dimensões diversas, que se dispõem-se perpendicularmente entre si. Não há, nesta arquitectura, muitas aberturas ao exterior, fazendo-se o acesso ao coração da Villa apenas por uma única grande entrada lajeada. Não sendo comum a comunicação interna entre compartimentos, é pelos espaços internos da Villa a céu aberto que se faz a circulação entre compartimentos.

Nos edifícios da Quinta da Fórnea (I) assistimos à utilização pontual de elementos arquitectónicos reaproveitados de construções romanas, monumentais, mais antigas. Refira-se, por exemplo, os silhares almofadados, utilizados em cunhais de edifícios possantes do complexo, os fustes de coluna e alguns fragmentos de cornijas, todos em granito local. A sua construção, pelos elementos datáveis disponíveis terá ocorrido, atendendo também à própria reutilização dos elementos referidos, já no século II d.C.. Apenas os aposentos da Pars urbana são servidos por um corredor, voltado ao pátio central da Villa e de onde se acederia a grande parte dos compartimentos ali localizados. A Pars urbana da Villa, considerada aqui como o espaço onde o proprietário ou responsável pela herdade agrícola habitava, encontra-se a sul, abrindo-se também aqui a entrada principal e única do complexo. A Pars rustica desenvolve-se sobre o lado oeste e sudoeste da área edificada. Aqui, para além dos alojamentos dos trabalhadores da Villa, em pequenos cubicula, encontram-se presentes todas as outras áreas funcionais desta pequena comunidade. O compartimento onde facilmente se identifica uma grande lareira, terá servido, nesta parte, como local de refeição e encontro da comunidade servil da quinta. O módulo este, imediatamente sobre o lado direito da entrada, corresponde essencialmente a um conjunto de pequenos compartimentos, que à semelhança daqueles do lado imediatamente oposto, se dispõem de forma paralela, com poucas passagens internas entre eles e com entradas voltadas ao pátio. Estes compartimentos, num edifício de piso térreo apenas, poderão estar relacionados com zonas de arrumos e/ou armazenagem de produtos e alfaias agrícolas, já dentro do que poderá ser considerada parte da Pars fructuaria da Villa. Não será de descurar a utilização de alguns destes compartimentos, eventualmente, como pequenas áreas habitacionais. Esta hipótese é reforçada pela identificação, no interior de um deles, de uma lareira. Sobre o lado direito da entrada encontramos dois compartimentos, um dos quais apresentava, na altura que foi escavado, um tanque servido por uma conduta, esta ainda hoje visível. O tanque, dentro das acções de restauro levadas a cabo, e por imperativos de conservação, foi completamente obliterado. Podemos localizar aqui, dadas as evidências arqueológicas, uma pequena área industrial. O achado de um número significativo de pesos de tear em cerâmica, aliados á existência das infra-estruturas referidas levam-nos a equacionar a hipótese de aqui terem funcionado pequenas oficinas de confecção e tingimento de tecidos. Este trabalho, numa herdade que se queria praticamente auto-suficiente, era destinado à mão de obra feminina da Villa. Embora não se trate de uma Villa opulenta, sem grandes reflexos de um modus vivendi urbano em contexto rural, como outras existentes no nosso território, com a total ausência de mosaicos ou colunas de mármore, por exemplo, manteve-se até ao século IV da nossa era, data provável para o seu abandono, como um exemplo de uma arquitectura civil extremamente funcional, sobressaindo também aqui todo o engenho romano. A Villa da Fórnea não é, de todo, um ponto isolado no contexto da ocupação romana da Beira interior. Trata-se sim de mais um elemento, importante sem dúvida, de uma miríade que muito ainda terá para revelar. O estudo e os avanços do conhecimento sobre o período romano passarão, inevitavelmente, por aqui.

Additional Hints (Decrypt)

rfgrerbbbbbbbbb

Decryption Key

A|B|C|D|E|F|G|H|I|J|K|L|M
-------------------------
N|O|P|Q|R|S|T|U|V|W|X|Y|Z

(letter above equals below, and vice versa)



 

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