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ENDOVÉLICO

A cache by alfa6393 Send Message to Owner Message this owner
Hidden : 11/01/2011
Difficulty:
1.5 out of 5
Terrain:
1.5 out of 5

Size: Size: small (small)

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Geocache Description:

Endovélico é uma divindade da Idade do Ferro venerada na Lusitânia pré-romana. Deus da medicina e da segurança, de carácter simultaneamente solar e ctónico, depois da invasão romana seu culto espalhou-se pela maioria do Império Romano, subsistindo por meio da sua identificação com Esculápio ou Asclépio, mas manteve-se sempre mais popular na Península Ibérica, mais propriamente nas províncias romanas da Lusitânia e Bética.

Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1997, processo que define a zona de afectação como “non aedificandi”, este arqueo-sítio localiza-se num outeiro, perto da ribeira de Lucefecit, tendo sido alvo, desde finais do século XIX, de algumas intervenções arqueológicas que permitiram a recolha de mais de oito centenas de epígrafes latinas e estatuária votiva, entre as ruínas da ermida de São Miguel, cuja planta foi levantada por Gabriel Pereira, em 1889, e os vestígios das estruturas do santuário, cuja fundação está atribuída à primeira centúria da nossa era.


O sítio de S. Miguel da Mota, Alandroal, está de há longa data associado a Endovélico, uma divindade indígena cultuada sob o domínio romano, admitindo-se que ali se localizaria o seu santuário. O abundante acervo epigráfico e escultórico aí recolhido por Leite de Vasconcellos, em 1890, tem dado origem a diversos textos. Contudo, nunca se realizaram no local intervenções, que permitissem contextualizar o culto.


Do santuário aparentemente resta uma plataforma quadrangular, permanecendo no local vestígios de fragmentos e artefactos marmóreos, sendo que um estudo recente (2002) aponta para uma sobreposição construtiva entre os dois monumentos, com reutilização na ermida dos elementos arquitectónicos pertencentes ao santuário. A área circundante aparenta estruturar-se em plataformas, onde foram recuperados materiais cerâmicos consentâneos com uma ocupação romana exclusiva do espaço, estando ausente espólio da Idade do Ferro e autóctone, constatação que refuta a tese de um culto pré- existente.

«Aspecto da impressão da grande ara de Hélvia Ávita (IRCP 496) no cunhal nordeste da ermida. Escavações de 2002»

As últimas investigações topográficas e arqueológicas efectuadas por Amílcar Guerra, Thomas Schattner, Carlos Fabião e Rui Almeida, iniciadas em 2002, no âmbito de um projecto de investigação, permitiram confirmar as observações publicadas por Manuel Calado, em 1993, e confrontar alguns dos pressupostos avançados por Leite de Vasconcelos, a quem se devem os primeiros trabalhos arqueológicos no local, destacando-se o abundante acervo epigráfico e escultórico recolhido em 1890 e nas intervenções posteriores.

A escavação agora efectuada permitiu reconhecer que o objectivo a que se propunha Leite de Vasconcelos implicara a demolição da ermida cristã, de forma a recolher todos os elementos nela reaproveitados provenientes do santuário, embora não tenham sido atingidos alguns alicerces, onde os trabalhos recentes vieram a detectar sepulturas, estatuária e aras votivas epigrafadas dedicadas a Endovélico.

Campanha de 2002(*)

«Escavação da fossa, vendo-se o conjunto escultórico. (2002)»

Em 2002, realizou-se um projecto de investigação que visa responder a esta interrogação.

Procurou-se, neste primeiro ano do trabalho, realizaram-se as seguintes acções: levantamento topográfico da zona, prospecção sistemática da área e sondagens no local onde se ergueu a ermida de S. Miguel da Mota, que tinha reaproveitado inúmeros elementos do antigo santuário.

«planta do sitio arqueológico»

As prospecções permitiram identificar vários elementos arquitectónicos indicadores de antigas construções que usaram silharia de granito e elementos de mármore, ambos geologicamente estranhos ao local, sobretudo reutilizados nas construções recentes que ali se encontram, bem como uma área de particular concentração de vestígios de época romana, a encosta Este do serro onde se erguia a ermida. Uma recolha sistemática de materiais permitiu concluir que não subsistem vestígios de ocupações pré-romanas e que a utilização de época romana parece circunscrever-se ao período compreendido entre o século I e os inícios do III d.C.

As sondagens realizadas na área da ermida revelaram que a intervenção de Vasconcellos em 1890 tinha sido de facto profunda, afectando praticamente toda a sua estrutura, até aos alicerces. Foi possível esclarecer que não existe qualquer templo romano sob esta construção, embora se tenham encontrado indícios aparentemente anteriores à fase moderna da ermida, particularmente sepulturas de inumação, estruturadas com lajes de xisto e orientadas E-W.

Fora de contexto, foram recolhidos materiais de fase tardo-romana, duas moedas do século IV, um fundo de ânfora lusitana tardia, um fragmento de sigillata clara D e uma lucerna Atlante X. Estes materiais de cronologia avançada contrastam com os recolhidos nas prospecções da encosta nascente.

Os novos achados do Santuário

No decurso das sondagens foi possível recolher um notável e variado conjunto escultórico, que se encontrava sepultado sob as estruturas da ermida, bem como três novas aras consagradas a Endovélico.

Escultura

«Figura feminina vestida»

«Estátua, portadora de oferendas»

«Estátua, togado»

«Estátua torso masculino com manto pelo ombro, trata-se, provavelmente, de representação da divindade, já conhecida em outros fragmentos recolhidos em S. Miguel da Mota»

«Estátua de javali»

Finalmente, procedemos a prospecções geofísicas na encosta nascente que revelaram um conjunto de estruturas soterradas que parece indicar a existência de um “santuário de terraços”. Assim, o santuário de Endovélico terá sido uma construção monumental de plano clássico, edificada em época romana, que será investigado em futuras campanhas.

O Santuário

Ruínas de um importante santuário de uma divindade pré-latina chamada Endovélico. O que sabemos hoje desta divindade resulta essencialmente de um conjunto de mais de oitenta inscrições latinas recolhidas ao longo de quatrocentos anos no local. O seu culto teve uma aceitação extraordinária no período romano, verificando-se que entre os seus cultuantes se encontra uma grande diversidade de pessoas.

«Cabeça de homem barbado onde sobressaem os olhos abertos de forma amendoada, a boca fechada de lábios finos, o cabelo em madeixas cobrindo parte da testa e tapando parcialmente as orelhas. A magestade da peça que, tudo o indica, pertenceu a uma estátua de divindade de feição clássica, levou vários autores a pensar que se trataria da cabeça de Endovélico, divindade indígena cultada em S. Miguel da Mota desde um período anterior à romanização no “santuário“ aí existente. (J. L. Matos, 1995) – I d.C. Lusitano/Romana (Matriznet/MNA)»

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«Estátua de um personagem masculino revestido de túnica e toga clássica, com as dobras (“sinus“ e “umbo“) da época imperial. Faltam a cabeça, o braço direito e toda a porção inferior aos joelhos. A mão e o pulso direitos, que seguram as dobras da toga junto às ancas, encontram-se fragmentados e toda a superficíe da escultura apresenta escaras por vezes profundas. De pequeno tamanho, comparativamente às dimensões de outros togados aparecidos em território português, a estátua é muito estreita e destinava-se provavelmente a ficar encostada a uma parede. Execução rude e apressada. (J.L.M., 1995) Trata-se de um ex-voto oferecido a Endovélico, figurando um indivíduo a favor do qual se invocara a protecção do deus. – II d.C (Matriznet/MNA)

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As últimas investigações topográficas e arqueológicas efectuadas por Amílcar Guerra, Thomas Schattner, Carlos Fabião e Rui Almeida, iniciadas em 2002, no âmbito de um projecto de investigação, permitiram confirmar as observações publicadas por Manuel Calado, em 1993, e confrontar alguns dos pressupostos avançados por Leite de Vasconcelos, a quem se devem os primeiros trabalhos arqueológicos no local, destacando-se o abundante acervo epigráfico e escultórico recolhido em 1890 e nas intervenções posteriores.

«Fragmento de uma estátua mostrando dois pés calçados de cáligas ou botas militares com os respectivos atilhos, bem como uma porção da perna esquerda, quase até ao joelho, nua, por detrás da qual se vêem as pontas de um manto recurtado, além do “umbo“ interior ou botão central da parte de dentro de escudo e a ponta de uma lança. Nas costas da estátua repousa sobre o plinto um escudo rectângular de legionário, com o respectivo umbo e os “episemas“ ou símbolos destintivos de unidade e posto, de pequeno tamanho já que é meramente simbólico. Todo o conjunto repousa sobre uma base aparada e arredondada inferiormente. O fragmento apresenta mutilações e escaras em toda a superfície.(J. L. Matos, 1995) – (Matriznet/MNA) Ex-voto a Endovélico. – I d.C.- II d.C.»

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A escavação agora efectuada permitiu reconhecer que o objectivo a que se propunha Leite de Vasconcelos implicara a demolição da ermida cristã, de forma a recolher todos os elementos nela reaproveitados provenientes do santuário, embora não tenham sido atingidos alguns alicerces, onde os trabalhos recentes vieram a detectar sepulturas, estatuária e aras votivas epigrafadas dedicadas a Endovélico.

Ainda assim, a quantidade de informação fornecida sobretudo pelo acervo epigráfico permite-nos percepcionar a abrangência da divindade e contextualizar o culto. Quanto ao primeiro ponto, os estudos efectuados apontam para uma divindade latina, tradicionalmente relacionada com a presença de uma fonte ou fontes que brotariam no santuário, onde existiria um corpo sacerdotal e funcionários dedicados a receber os ofertantes e a proceder aos sacrifícios e rituais; por outro lado, trata-se de um deus tutelar, vocacionado para atender os pedidos dos seus fiéis, conforme atestam as fórmulas e relevos simbólicos expressos nos registos ali deixados.

«Pedestal (?) (…). Sobre a cornija, um plinto em cuja face anterior se apontou um amplo frontão e uma sugestão de toros laterais; na parte superior, um buraco central de 4,5 cm de profundidade e de lado variável entre 36 (o maior) e 21 (o mais pequeno). “ENDOVELLICVS é, aqui, denomindo “Sanctus“, atributo que poderá revelar influência de concepções basicamente orientais. O voto foi cumprido segundo a resposta do deus, presumivelmente através de oráculo. A onomástica é totalmente latina.“ (J.C. Ribeiro). (Matriznet/MNA)»

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José Cardim Ribeiro, no seu texto publicado no extenso catálogo da exposição Religiões da Lusitânia «Loquuntur saxã» (Ribeiro, 2002, p. 79-90) resume o carácter poderoso desta divindade, praesentissimi et praestantissimi numinis, expressão que Sextus Cocceius Craterus Honorinus, eques romanus utilizou para qualificar o deus.

(Exposição a decorrer no Museu Nacional de Arqueologia até 30 de Junho de 2011)

«Estátua de um personagem vestido de túnica e manto. Segura com a mão esquerda, junto ao peito, uma pomba, descansa a direita sobre a anca por cima da faixa que aperta a cintura. Falta-lhe a cabeça e pescoço bem como os pés e base de assentamento. Trata-se de uma peça estecticamente incorrecta, de proporções distorcidas e relevos esquemáticos. Oferecendo a Endovélico uma pomba, animal utilizado nos sacrifícios, o jovem, presente em efígie cumpre o voto anteriormente feito. (J.L.M.) – II d.C.»

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É portanto uniformemente reconhecida a necessidade de dar continuidade às investigações sobre o santuário de Endovélico, património de excepção que ultrapassa consideravelmente as evidências de qualquer outra divindade “indígena” nas províncias europeias (Encarnação, 1984, p. 801).

BIBLIOGRAFIA

CALADO, M. (1993), Carta Arqueológica do Alandroal, Alandroal.

ENCARNAÇÃO, J. d’ (1984), Inscrições Romanas do Conventus Pacensis, Coimbra.

GUERRA, A. et alli (2003), Novas investigações no santuário de Endovélico (S. Miguel da Mota, Alandroal): a campanha de 2002, Revista Portuguesa de Arqueologia, 6, nº 2, Lisboa, p. 415-479.

PEREIRA, G. (1889), O Santuário de Endovélico, Revista Archeologica, III (9-10), Lisboa, p. 145-149.

RIBEIRO, J. C. (2002), Endovellicvs, Religiões da Lusitânia, Loquuntur Saxa, M.N.A., Lisboa, p. 79-90.

VASCONCELOS, J. L. (1890), O Deus Lusitano Endovélico, I notícia sucinta, Dia, reproduzida em Opúsculos, V, Imprensa Nacional, Lisboa, p. 197-206.

Fontes:

(*)Novas investigações no santuário de Endovélico (S. Miguel da Mota, Alandroal): a campanha de 2002 (Igespar)
Por AMÍLCAR GUERRA* THOMAS SCHATTNER**CARLOS FABIÃO*** RUI ALMEIDA
(Info: (visit link)


Almanaque Alentejano – O Santuário de Endovélico, São Miguel da Mota – Alandroal
Por Silvana Silvério.


*

Matriz – Inventário e Gestão de Colecções Museológicas

(visit link)

Additional Hints (Decrypt)

ABGN: Aãb fr cerbphcr pbz nf cynpnf qr "Cebcevrqnqr Cevinqn", n zrfzn é ivfvgniry, ab ragnagb fr dhvfre ivfhnyvmne b ybpny baqr fr rapbagenin b fnagháevb, greá dhr fr qrfybpne ngé nb znepb trbqéfvpb dhr fr rapbagen ab pvzb qb zbagr.

Decryption Key

A|B|C|D|E|F|G|H|I|J|K|L|M
-------------------------
N|O|P|Q|R|S|T|U|V|W|X|Y|Z

(letter above equals below, and vice versa)



 

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