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Aldeia palafita

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Hidden : 12/20/2011
Difficulty:
1.5 out of 5
Terrain:
2.5 out of 5

Size: Size: micro (micro)

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Geocache Description:


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O património construído da cultura dos pescadores do Tejo originários da Praia de Vieira de Leiria (também conhecidos por Avieiros) representa uma das últimas manifestações de ocupações palafíticas ainda existentes na Europa Ocidental. As habitações, isoladas ou constituindo assentamentos de pequenas dimensões, testemunham um modo de vida singular, mas em acelerado processo de desaparecimento: pois, por um lado, são já poucos os Avieiros com experiência directa de uma vida passada no rio e, por outro, porque as construções eram erguidas com técnicas e materiais rudimentares e encontram-se hoje em avançado estado de degradação, prestes a desaparecer definitivamente. Neste artigo, apresenta-se um levantamento e diagnóstico do património construído Avieiro ainda existente, baseado em recolhas de campo efectuadas pela associação Arquitectos Sem Fronteiras Portugal. Os resultados que aqui se apresentam foram reunidos entre Outubro e Dezembro de 2008, período durante o qual foi visitada uma amostra significativa dos locais e construções representativos da presença das populações Avieiras no Vale do Tejo. Em cada um destes trabalhos de campo, foram recolhidas informações relativas à situação existente e depoimentos de Avieiros ou dos seus descendentes. Os dados assim recolhidos permitem fazer uma breve caracterização dos assentamentos Avieiros (aldeias, conjuntos edificados e construções isoladas) e dos traços que distinguem as construções palafíticas localizadas nas margens do Rio Tejo e servem de base à elaboração de estratégias de salvaguarda ou recuperação no âmbito do processo de candidatura da cultura Avieira a património nacional. A existência de uma cultura Avieira tem sido reconhecida em inúmeros estudos, desde há mais de 60 anos, que identificam um conjunto de especificidades (linguísticas, gastronómicas, arquitectónicas ou sociológicas) próprias de uma população originária da zona de Vieira de Leiria, que se instalou nas bacias dos rios Tejo e Sado. Na realidade, esta comunidade representa um dos diversos fluxos migratórios nacionais que ocorreram em Portugal e, mais concretamente, na área do Tejo e do Sado. Estes movimentos de população, de carácter sazonal ou permanente, estavam geralmente associados à procura de fontes de subsistência adicionais, complementares às existentes nos locais de origem: por exemplo, através de campanhas agrícolas relacionadas com épocas da apanha do tomate, do melão ou das vindimas. No caso da bacia do Tejo, de acordo com os registos disponíveis, o primeiro fluxo migratório ocorreu a partir da zona de Ovar, em meados do século XVIII, dando origem a uma população justamente conhecida pelos “Varinos”. Esta população instalou-se nas margens do Tejo, de Alhandra a Santarém, organizando-se em comunidades estáveis e dedicando-se à pesca do sável (peixe que, tal como o salmão, sazonalmente subia o rio para aí desovar). Este movimento migratório foi posteriormente seguido por outros provenientes da zona da Murtosa (conhecidos por “Murtoseiros”) e, em meado do século XIX, pelos naturais de Vieira de Leiria. À semelhança dos anteriores, os Avieiros saíam das suas terras de origem em busca de trabalho ou de rendimentos adicionais que compensassem a sua endémica pobreza e a impossibilidade de pescar no mar durante os meses de Inverno. A pesca de rio constituía-se como uma alternativa possível e viável e que não implicava uma ruptura profunda com o modo de vida destas populações. Durante o período de migração, os Avieiros viviam geralmente em condições muito precárias, nos próprios barcos ou em construções improvisadas a partir da matéria-prima disponível (caniços e ramos). Existem, no entanto, diferenças importantes entre a cultura “Avieira” e as outras que a precederam. Estas assentavam num forte sentido de comunidade e encontravam-se já instaladas e relativamente integradas quando os Avieiros chegaram. Inversamente, o movimento migratório Avieiro assentou sempre no núcleo familiar como forma primordial de organização, o que permitia uma forte mobilidade no território das bacias do Tejo e Sado, mas impedia a formação de um sentido de comunidade integrada com as existentes (ou até de disciplina colectiva, por exemplo, na acção concertada da pesca do sável). Estes factores, associados à pobreza e à precariedade das condições de vida dos Avieiros (existindo testemunhos directos de pessoas que nasceram e viveram literalmente num barco), levaram à qualificação geralmente depreciativa de “ciganos do Tejo”, inicialmente formulada por Alves Redol. Para ilustrar esta situação, existem depoimentos de Avieiros ou dos seus descendentes, que referem que quando estes chegaram ao Tejo já muitos dos Varinos tinham evoluído no sentido de não depender exclusivamente da pesca, tendo iniciado actividades de transporte de pessoas e mercadorias ao longo do rio e no abastecimento a Lisboa. Quando pescavam o sável, os Varinos seguiam princípios de organização não escritos, através dos quais os barcos se colocavam lado a lado ou suficientemente distanciados entre si para permitir iguais oportunidades de captura de um peixe que subia o rio sazonalmente. Certos relatos referem a existência de conflitos com os Avieiros, que, actuando individualmente, podiam, por exemplo, colocar o respectivo barco de forma a capturar o sável em prejuízo dos barcos situados mais acima do rio. A especificidade da cultura Avieira, expressa no modo de vestir, de falar, na gastronomia, no modo de construir abrigos ou nos artefactos da pesca, foi divulgada sobretudo através de Alves Redol [REDOL, 1942]. Este escritor neorealista passou uma curta temporada na Aldeia Avieira da Palhota (numa casa que ainda existe), tendo registado a sua experiência no romance “Os Avieiros”. Sem este forte testemunho, talvez esta cultura tivesse desaparecido (sem ser objecto de estudo) dada a precariedade das condições de vida dos Avieiros, expressa, nomeadamente, pela natureza provisória das construções que habitavam. O declínio da população Avieira dá-se em meados do Século XX, com o início da escassez do sável, alegadamente devido à construção das barragens do Tejo que se constituíram como barreira para o movimento deste peixe. Por essa época, muitos Avieiros diversificaram as suas fontes de rendimento, trabalhando nos campos ao redor do Tejo, por exemplo na apanha do melão, em pequenos trabalhos complementares ou procurando oportunidades rio abaixo, nas zonas de Vila Franca ou Alhandra. Póvoa de Santa Iria: núcleo palafítico que se divide em duas zonas: a primeira destinada a cais de embarcações de recreio e a segunda destinada aos pescadores; existem actualmente cerca de 35 pescadores ainda em actividade; os Avieiros viviam em três linhas de casas construídas por volta de 1960 pela Câmara de Vila Franca de Xira [ver fig.7], no denominado o Bairro dos Pescadores; em 2007, estas casas foram demolidas e os respectivos habitantes realojados em novos blocos habitacionais mais afastados do rio, em relação à aldeia original; os cais em madeira e os anexos para aprestos marítimos, ainda existentes, foram erigidos pelos pescadores em zona lodosa; os cais originais eram de altura fixa, quase de nível com a zona costeira, o que os tornava relativamente altos junto ao rio, especialmente em maré vazia – ainda existem cerca de três estruturas deste género; posteriormente, foram construídos cais flutuantes, com a ajuda de bidons de plástico.

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