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Feteira - Memórias de Infância Traditional Geocache

Hidden : 04/17/2019
Difficulty:
2.5 out of 5
Terrain:
2 out of 5

Size: Size:   other (other)

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Geocache Description:


FETEIRA
Memórias de Infancia 
 
Desde que me conheço por gente que este pedaço de terra faz parte da minha vida, do meu imaginário infantil: tantas e tantas histórias se passaram no chão deste olival enquanto os adultos trabalhavam e, eu, ocupava o tempo a brincar.
 
Antigamente, antes de a estrada romper unindo as duas aldeias – a Seara às Escávedas – e isso é anterior ao meu tempo, o caminho para as pessoas e para os carros de bois, o transporte mais largo de outrora, fazia-se aqui por cima onde passa este caminho alterado recentemente pela mão do homem mas quem quiser andar um pouco mais, em menos de cem metros, encontra uma grande extensão que se mantém feito com os muros originais em pedra de xisto. Ora, quando passou a estrada, separou o olival deste pequeno triângulo de terra. Por ser tão pequeno e não dar espaço suficiente para o cavalo que lavrava o chão dar a volta, o meu pai decidiu abandoná-lo fazendo apenas a manutenção necessária para não se transformar num silvado. No entanto, ainda lá ia para apanhar as azeitonas e, portanto, para podar as oliveiras.
 
Um pouco mais abaixo, ainda se consegue distinguir as paredes de um casulo já sem telhado. No tempo em que ter trigo determinava a existência de algo para toda uma família forrar o estômago, por estes bardos abaixo, semeava-se o trigo e neste casulo era onde se guardavam as alfaias agrícolas necessárias para essa tarefa.
 
Ainda a propósito de antigamente, no tempo em que a única luz de rua era a querosene e aqui estava muito longe para ela chegar, os homens que regressavam da Seara, de ir à mercearia comprar farinha ou vinho, eram frequentemente atacados por bruxas que lhes rasgavam os sacos de farinha, roubavam as roupas e os colocavam em cima do burro, virados para o rabo, e lhes atavam as mãos e os pés. Eram as bruxas ou o excesso de vinho que por esta altura era abundante e barato e servia também para espantar a fome do estômago.
 
Enquanto era pequena, e esse sonho morreu na adolescência quando descobri uma saída profissional nos livros, desejava ser latifundiária. Aumentar os hectares que os meus avôs de ambos os ramos da família já tinham e estavam ao cuidado dos meus pais. E, então, aquele triângulo que o meu pai enjeitava era a semente do meu vasto património que um dia, à semelhança de dona Adelaide Ferreira, eu ia conquistar a braços de todos os anos investir os excedentes do vinho a comprar mais e mais terra.
 
Esses sonhos perderam a força à medida que fui crescendo e comigo a crise económica que puxou o tapete à casa do Douro e à Região Demarcada do vinho do Porto mas, nas minhas memórias de menina, ficou para sempre este pedacinho de terra, onde erigi na fantasia do meu imaginário, o meu castelo de princesa com dois andares. O acesso à torre era feito através destas escadas de xisto cravadas na parede. Os meus jardins eram os musgos e as suculentas redondas e esponjosas que cresciam por aqui. O escombro, abaixo da parede, dava lugar à cozinha onde eu espalhava as minhas panelas de ferro (potes) que serviam para fazer a comida na lareira, feitas de bailoqueiros onde eu espetava três paus a fazer de patas e recortava a parte superior para fazer de testo. Não sei porque me inspirava a ser uma cozinha e não um salão de baile, ou, melhor ainda, a grande biblioteca do castelo mas a realidade é que os desenhos animados que passavam na televisão naquele tempo faziam uma lavagem ao cérebro de meninas sonhadoras para serem boas esposas e boas donas de casa.
 
Tempos diferentes. Tempos que deixam a nostalgia da saudade porque não há maneira de voltarem mais mas, a quem interessar ler este texto, saiba que neste pedacinho de terra acima da estrada, já couberam muitos sonhos de menina sonhadora.
 
 Texto de Maria João Gonçalves
 
 

Additional Hints (Decrypt)

Byrn rhebcnrn

Decryption Key

A|B|C|D|E|F|G|H|I|J|K|L|M
-------------------------
N|O|P|Q|R|S|T|U|V|W|X|Y|Z

(letter above equals below, and vice versa)