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Em Portugal existem vários locais de partida e caminhos percorridos pelos peregrinos, com destino a Santiago. O Caminho da Geira e dos Arrieiros é um dos mais antigos, recentemente reconhecido como um caminho jacobeu.
De Braga a Santiago de Compostela, percorrendo os mais belos troços do Minho e da Galiza.
São 240 Km de paisagens surpreendentes, florestas, rios e quedas de água cristalina, bosques e vinhedos, tudo num estado semi selvagem.
A Paisagem pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês (Parque Natural do Xurês, na Galiza) é um das mais-valias deste Caminho, já que a beleza paisagística do percurso é deslumbrante, com paisagens surpreendentes, florestas, rios e quedas de Água Cristalina, bosques e Vinhedos, tudo num estado semi-selvagem.
Geira (Via Nova, ou XVIII) é o nome pela qual é conhecida a via de comunicação, construída pelo império romano, na dinastia dos flávios, que ligava Braga a Astorga. Estas vias eram de extrema importância para o império romana, pois serviam para os seus exércitos se deslocarem, numa altura em que as conquistas eram de importância máxima para o crescimento e manutenção do império.
Estas vias, cujo traçado era muito bem estruturado, não tinham descidas/ subidas acentuadas e o seu uso foi mantido muito para além da queda do império romano, tendo sido integrados nos caminhos de santiago e percorria por milhares de romeiros e utilizada até cerca do inicio do séc XX. Ao longo da via, assinala-se a existência de um magnífico espólio de marcos miliários, que serviam para indicar a distância, em milhas, á capital da provincia, mas também para homenagearem os imperadores romanos.
Parte de Braga em direcção a Caldelas ou a Terras de Bouro, passando a seguir por Campo do Gerês, Lóbios, Castro Laboreiro, Cortegada, Ribadavia, Beariz, Codeseda e Pontevea, antes de chegar ao nosso destino, Santiago de Compostela.
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Este monumento foi erguido a 16 de Maio de 2021 na vila histórica de Berán, na provincia de Ourense, promovida por uma iniciativa sócio-cultural com o objetivo de assinalar o quilómetro 100 do caminho da Geira e dos Arrieiros e a homolgação pela Igreja deste itierário jacobeu que liga Braga a Santiago de Compostela.
O Monumento foi erguido junto da Capela de São Roque que consiste numa escultura que alude à peregrinação e à comarca de O Ribeiro, da autoria e oferecida por Abdón Fernandez, Porta-Voz da Plataforma Berán no Caminho.
Em simultâneo foi apresentado o livro intitulado “Berán Histórico – Berán Vila Termal no Caminho de Santiago”, da autoria de Adolfo Luís Soto, residente na localidade.
O Arcebispado de Santiago de Compostela reconheceu o Caminho da Geira e dos Arrieiros em 28 de março 2019, mas a passagem do segundo aniversário da efeméride não pôde ser assinalada na data certa, porque a organização “pretendia a participação das associações portuguesas e galegas, o que não era possível devido à pandemia e ao encerramento das fronteiras”, explicado por Abdón Fernández, presidente da associação fundadora do projeto (AJCMR) e porta-voz da Plataforma Berán no Caminho, com sede no município de Leiró.
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A História do Caminho de Santiago começou no século IX, embora haja muitas teorias que asseguram que o Caminho de Santiago já tinha existência em época pré-cristã. Mas a partir de 812 o Caminho a Santiago toma o rumo do culto ao Apóstolo Santiago ou São Tiago Maior.
Especula-se que a peregrinação cristã deu continuidade a uma peregrinação pagã anterior que terminava no cabo Fisterra (em latim: Finisterrae, literalmente "fim da terra", durante muitos séculos considerado o local mais ocidental do mundo, mas não há quaisquer referências históricas que apoiem tal tese. Porém, de acordo com estas teorias, o Caminho a Santiago já era rota de povos pré-cristãos, como os celtas. De acordo com os restos arqueológicos encontrados e os estudos que se realizaram deles, é sabido que a cidade de Santiago de Compostela era uma necrópole pré-cristã, com dólmens e outros elementos funerários de tempos anteriores ao nascimento de Cristo.
Em 812 produz-se o achado dos supostos restos de Santiago Apóstolo, motivo pelo qual muitos marcam o início do Caminho de Santiago nesta data assinalada. No final do século IX, as culturas cristãs em Europa fazem-se eco deste achado histórico e como muitos devotos do Apóstolo começam a se interessar pelas relíquias de Santiago o Maior e, movidos pela religião, começam a sua peregrinação a Santiago desde diferentes pontos da Europa Cristã.
Conhece-se com certeza a data em que se acharam estes restos, mas a história de como se acharam em aquele lugar e por quê é mais incerta. No momento do achado existia a crença de que as relíquias de Santiago o Maior se encontravam no noroeste da Península Ibérica. Segundo a tradição mais estendida, foi um eremita chamado Pelágio quem viu uma estrela sobre o bosque de Libredón, e isso mesmo comunicou ao bispo Teodomiro de Iria Flávia, quem se deslocou ao local e identificou o achado como sendo o sepulcro do Apóstolo, nos restos de uma antiga capela.
Em menos de dois séculos, a peregrinação a Santiago aumentou de forma considerável. Já no século XI, o número de peregrinos a Santiago é realmente alto. Trata-se de um aumento excepcional para a época, pois as vias de comunicação da Europa eram muito precárias na altura.
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Desde os inícios do Caminho de Santiago, certamente muitas coisas mudaram. Com o passar dos séculos, os motivos de peregrinação variaram, mas outros aspetos do espírito Jacobeu continuam intactos.
Os Caminhos de Santiago espalham-se por toda Europa e vão entroncar nos caminhos espanhóis terminando na Catedral de Santiago de Compostela. Esta rota é percorrida por peregrinos procedentes de vários pontos da Europa e embora tem uma forte essência na religião cristã, o Caminho de Santiago é aliás uma via cultural, de contato entre diferentes culturas europeias.
É o primeiro itinerário cultural e religioso da Europa e, desde 1993, está listado como Património da Humanidade pela UNESCO.
O Caminho de Santiago é uma peregrinação que atrai pessoas de todo o mundo por motivos que podem ser religiosos, culturais ou turísticos.
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