 O planalto da Serra de Arga
A altitude do planalto da Serra de Arga, cerca de 800 metros, é coincidente com a dos sectores rochosos mais bem conservados e mais regulares do interior da Península Ibérica.
A intensa erosão que afetou este território produziu uma vasta superfície aplanada, próxima do nível do mar, há cerca de 80 milhões de anos. Posteriormente, a ação tectónica levantou essa superfície, designada genericamente por Meseta Ibérica, até à altitude a que se encontra atualmente. Com o tempo, parte da mesma desapareceu devido aos processos de erosão e de incisão fluvial. O topo aplanado da Serra de Arga é uma rara expressão da altitude a que foi elevada a Península Ibérica por ação tectónica nos últimos 80 milhões de anos. A Serra de Arga constitui assim um relevo residual granítico, uma grande forma de relevo com significado muito especial.
No planalto da Serra de Arga, e em particular na área das Turfeiras das Chãs de Arga, destacam-se geoformas de pequena dimensão cuja génese se encontra relacionada com diversos fatores: o tipo de rocha predominante - neste caso o granito -, a rede de fraturas, a meteorização e a erosão.
O processo de meteorização foi particularmente ativo sob condições de clima subtropical ou temperado a quente que dominaram a Península Ibérica até há cerca de 2.5 milhões de anos. Originam-se assim geoformas do tipo bolas de granito, penhas, formas em pedestal, tafoni, pias, fendas e sulcos lineares que se destacam na paisagem (ver figura ilustrativa). As geoformas resultaram da remoção de grandes quantidades de rocha desagregada durante o processo de levantamento da superfície inicialmente situada próxima do nível do mar até à posição atual.
O aspeto mais marcante da morfologia granítica local é conferido pelo desenvolvimento de uma fraturação subhorizontal, conhecida por pseudo-estratificação. A pseudo-estratificação isola placas de rocha sobrepostas entre fraturas, apresentando, por vezes, uma abertura considerável. Estas características geomorfológicas, em especial a abertura nítida das fraturas subhorizontais, bem como o desenvolvimento dos pequenos alvéolos e a existência turfeiras, permitem considerar a evolução mais recente da paisagem em condições de clima periglaciário nos últimos 2.5 milhões de anos. Nos períodos mais frios, as variações térmicas sucessivas que originam ciclos de gelo e degelo, facilitaram a fraturação das rochas.
|  Arga Mountain plateau
Arga Mountain has a plateau about 800 meters high, the same altitude as the one presented by the most regular and well-preserved rocky sectors of inner regions of the Iberian Peninsula.
The strong erosion in the region led to the formation of a vast flat surface near sea level about 80 million years ago. Afterwards, tectonics lifted the surface, known as the Iberian Meseta, to its current altitude.
With time, part of the Iberian Meseta disappeared as a consequence of erosion and river incision. The flattened top of Arga Mountain is a remnant from the time when tectonics lifted the Iberian Peninsula to its highest altitude. Thus, Arga Mountain is a granitic residual landscape with a very particular meaning.
In the Arga Mountain plateau, and particularly in the area of the peat bogs, there are some small landforms whose origin is related to the prevailing rock type - granite in this case -, the fractures network, weathering, and erosion.
Weathering was particularly significant during subtropical or mild to hot climate that existed in the Iberian Peninsula until about 2.5 million years ago.
This circumstance allowed the formation of granite blocks, castle kopje, tors, tafoni, linear joints, etc. that stand out in the landscape (see illustrative figure). These landforms arose when large quantities of dismantled rock were removed while the surface was being lifted from where it was originally near sea level to its present altitude.
The most striking aspect of the local granitic morphology is the development of pseudo-bedding, which is a type of sub-horizontal fractures. Pseudo-bedding isolates overlapping rock slabs which can present considerable gaps between them.
These and other geomorphological characteristics, such as the development of small cavities and the existence of peat bogs, allow to consider that the landscape has evolved under periglacial climate conditions during the last 2.5 million years.
During colder periods, successive temperature variations that originate ice and thaw cycles promoted rock fracturing.
Fonte / Source:
www.geoparquelitoralviana.pt
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