No coração do Alto Alentejo, ergue-se o Castelo de Nisa, uma fortaleza medieval cujas pedras sussurram histórias de reis, cavaleiros e mistérios. Construído no século XIII, por ordem de D. Dinis, o castelo foi palco de batalhas e intrigas, mas também guarda um segredo que transcende o tempo. Conta a lenda que, numa noite de lua cheia, as muralhas ganham vida e revelam segredos a quem ousar escutá-las.
Em 1299, D. Dinis, conhecido como o Rei Poeta, ordenou a fortificação de Nisa para proteger a fronteira contra Castela. As torres robustas e as muralhas de granito testemunharam a resistência dos portugueses, mas também esconderam um enigma. Segundo a tradição oral, uma jovem chamada Leonor, filha de um cavaleiro local, apaixonou-se por um trovador proibido. Para preservar o seu amor, escondeu um manuscrito encantado nas entranhas do castelo, um texto que prometia revelar o caminho para um tesouro perdido.
No presente, Ana, uma arqueóloga de Lisboa, chegou a Nisa em 2025 para estudar as ruínas. Durante uma escavação, encontrou uma pedra com inscrições estranhas, que a levou a uma câmara secreta sob a torre principal. Lá, descobriu o manuscrito de Leonor, escrito em pergaminho, com versos que misturavam poesia trovadoresca e pistas crípticas. Ana, movida pela curiosidade, decifrou os versos à luz da lua, como indicava a lenda. As palavras guiaram-na a um compartimento oculto, onde encontrou um pequeno baú com joias e moedas de ouro, mas também uma carta de Leonor, confessando que o verdadeiro tesouro era o amor eterno que desafiava o tempo.
O Castelo de Nisa, com as suas muralhas gastas pelo vento alentejano, permanece como guardião destas histórias. Hoje, é um marco histórico, mas para os habitantes locais, é também um lugar de magia, onde o passado e o presente se encontram. Ana, ao partilhar a sua descoberta, trouxe nova vida à vila, atraindo curiosos e apaixonados por história. O castelo, mais do que pedra, é um portal para os sonhos de quem acredita que o amor e os segredos podem atravessar séculos.