
A atual igreja de Alcantarilha, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, terá sido construída nos inícios do século XVI, a julgar pela configuração tardo-gótica que a capela-mor apresenta. A primeira referência documental, conhecida, sobre aquele aglomerado urbano, data de 1490, aludindo a factos ali ocorridos em 1468, pelo que é provável que já ali existisse um outro templo. O corpo da igreja é composto por três naves, delimitadas por quatro tramos de colunas encimadas por capitéis oitavados. O formulário manuelino está patente na abóbada artesoada de três chaves, bem como no arco triunfal de volta perfeita decorado com arquivolta torsa, que a antecede. Em 1758 tinha 8 altares, a capela-mor, onde se encontrava o Santíssimo Sacramento e o orago, o altar do Espírito Santo, de Nossa Senhora do Rosário, o Senhor Jesus, Santa Luzia, Santo António, São Pedro e Almas. Uma intervenção no final daquele século reduziu os altares para 5, com a supressão de Santa Luzia, no lado do Evangelho e de Nossa Senhora do Rosário e das Almas, no lado da Epístola. Já no século XIX foi erguido o altar do Santíssimo Sacramento, o qual ostenta um retábulo, revivalista, da mesma época. Por sua vez, o retábulo-mor é de formulário rococó e foi contratado a Manuel Francisco Xavier e a António Ferreira de Araújo, em 1769. Não obstante, o sismo de 1755 não ter provocado danos em Alcantarilha, tal não impediu que a fachada da igreja fosse remodelada durante o bispado de D. Francisco Gomes de Avelar. Presumivelmente obra do arquiteto Francesco Saverio Fabri (também responsável pela construção do palácio da Ajuda, em Lisboa), a frontaria, exibe uma linguagem neoclássica, tripartida, é marcada pelo corpo central, onde se rasga um enorme janelão semicircular, rematado por frontão com urnas e acompanhado por aletas e pirâmides. Apresenta analogias com a igreja de Santa Maria de Tavira. Na lateral direita, evidencia-se a notável torre sineira, quadrangular, bem como a Capela dos Ossos, ambas de formulário barroco. Quanto à imaginária destaque para o Senhor Crucificado do século XVI e Santa Ana do século XVII. O templo foi intervencionado pela DGSU (Direcção-Geral dos Serviços de urbanização) e pela DGEMN, na década de 1970.