
BTTHAL é
uma equipa, formada por um conjunto de colegas e bons amigos,
funcionários do HAL (Hospital Amato Lusitano) de Castelo
Branco, profissionais de Enfermagem da (UCIP) Unidade de Cuidados
Intensivos Polivalente e da Equipa VMER/INEM (Viatura Médica
de Emergência e Reanimação do INEM) deste
Hospital. O grupo tem por base a prática de BTT, no entanto
abraça uma variedade de actividades desportivas outdoor,
como é o caso do Geocaching. Possuidores de um
blog na web (BTTHAL.BLOG.COM) aconselhamos a visita dos mesmos onde são relatadas e
documentadas com fotografia as diversas actividades da
equipa.

ALARES: Perto
das imponentes escarpas do Tejo
Internacional e numa região conhecida
desde há muito como o "Celeiro da Beira Baixa", emergem
no meio da terra xistosa e seca, as ruinas silenciosas da antiga
aldeia dos Alares, evocativas de imensas histórias de luta
pela sobrevivência, de guerra pela posse e de
precipitado abandono destas terras, numa região
fronteiriça cada vez mais flagelada pelo fenómeno da
desertificação humana e envelhecimento das
populações.
Esta antiga aldeia, em
conjunto com as aldeias da Cobeira e Cegonhas (Velhas), tiveram a
sua génese no inicio de 1800, pela mão dos povos de
Malpica do Tejo e de Monforte da Beira. Numa tentativa de
defenderem o produto das suas searas, das mãos
impiedosas dos Invasores Franceses aquartelados em Castelo Branco,
estes aldeões colonizadores começaram a cultivar,
às escondidas, a região fértil e inculta
compreendida entre o Rio Aravil e o Rio Tejo, já no
limiar do Rosmaninhal, obtendo boas e proveitosas
culturas, à custa de muito e suado trabalho
e inúmeros sacrificios. Os habitantes destes
montes (chamados de Monteses) viviam em casas baixas
construídas em xisto, com poucas janelas, sendo a porta de
entrada a principal fonte de luz natural. Por dentro era habitual o
uso do barro e das prateleiras de xisto para fazer armários,
ainda hoje visiveis.

Em 1865, foi acolhido pelo humilde povo da Cobeira um foragido
político - Visconde Morão, que apercebendo-se da
inexistência de qualquer titulo de registo de
propriedade ou aluguer da terra por parte daqueles gentios
ignorantes, tomou toda aquela vasta área como sua,
englobando as três aldeias numa propriedade única, sem
qualquer protesto ou desafio por parte dos seus habitantes, que
cedo se apressaram a pagar o foro anual ao seu novo
proprietário.

Já em 1920, começaram os problemas que iriam ser a
génese da Guerra dos Montes e que culminaram com a
destruição e abandono destas três aldeias.
Após a morte do filho do Visconde, os seus
4 herdeiros comunicaram a estes três povos que deviam
abandonar todas as casas, terras e haveres imediatamente,
recorrendo então, o povo, à justiça do
Governador Civil de Castelo Branco. Sem se entenderem entre si e
receosos da descoberta da sua ilegitima apropriação,
um dos herdeiros decide vender a sua parte aos 1200 habitantes das
três aldeias. Estes deixaram de pagar as rendas aos
outros netos do Visconde, que decidem então vender a sua
parte a 605 habitantes do Rosmaninhal.

Estava instalada a confusão e a guerra. Em 7 de Outubro de
1923, no dia seguinte ao acto desta escritura, os cerca de 3000
habitantes do Rosmaninhal invadiram os Alares, desvastando as
culturas, queimando celeiros e destruindo as alfaias e arados. No
dia seguinte foi a vez das Cegonhas e ao longo de todo o mês
de Novembro sucederam-se os mais variados actos vandalismo,
estragando e inutilizando tudo, havendo relatos da época em
que o mel e o azeite escorreram pelas ruas e o gado
foi esfolado vivo, entre outras barbaridades.

Ao longo de vários anos sucederam-se esses actos de
pilhagem, roubo e vandalismo puro, envolvendo a
destruição de culturas, a morte indiscriminada
de animais e ameaças de morte a homens, mulheres e
crianças que culminou em Setembro de 1924 com uma oportuna
intervenção do Govenador Civil para repor a ordem,
que já ameaçava com um carnificinio, tudo isto em
prole do uso e posse destas terras.
Esta célebre contenda só seria terminada em
1930 com a expropriação das terras por parte do
Governo e a sua distribuição aos
diferentes povos em parcelas equitativas (glebas) num sorteio
justo e planeado. Os habitantes dos Alares acabaram por fixar-se
nas terras da Raiz - actual aldeia das Soalheiras, o povo das
Cegonhas (Velhas) criaram um pouco mais longe as presentes Cegonhas
e o povo da Cobeira distribui-se por estas, indo também
alguns para Monforte, Malpica, Ladoeiro e Couto das
Correias.

Hoje não restam mais que algumas ruinas que emergem do solo,
como que a fomentar uma memória comum sobre esta
peculiar guerra. Entre paredes tombadas e fornos de pão
escancarados ainda se avistam cinchos e cântaros abandonados,
assim como as primitivas ruas do povo. Em redor destas ruinas
avistam-se algumas imponentes propriedades agrícolas,
soberbamente restauradas e actualmente mais vocacionadas para a
caça turística, ou não fosse esta uma
região previligiada para a caça grossa, sobretudo
veados, avistáveis mesmo de dia e em grande
número.
Bibliografia consultada: Chambino, Mário (2000) -
"Rosmaninhal - Lembranças de um mundo cheio".
Açafa, n.º 3

CACHE: A cache foi
implantada com três objectivos:
- O primeiro manter bem viva a memória encerrada nestas
paredes centenárias, carregadas de história e
simbolismo, para que não caia nas teias do
esquecimento.
- O segundo visa potenciar a visita dos amantes da natureza a
esta bonita e inóspita região, rica em
flora e fauna peculiares, onde os passeios pedestres, BTT
ou TT permitem momentos especiais de comunhão com
a Mãe-Natureza e oportunidades fotográficas
únicas.
- O terceiro objectivo, bem mais específico visa potenciar o
número de visitas dos Geocachers a esta e
às caches que por aqui coabitam - Foz do Aravil (Mitorigeikos) e Abutres (MAntunes), promovendo toda esta
região no mundo GC, ou não fossemos amantes da
Natureza.

CONSELHOS ÚTEIS: A cachada implica
uma deslocação até ás Soalheiras e
depois daqui há uma imensidão de estradões de
terra batida, uns mais transitáveis que outros, que levam
até à aldeia dos Alares onde está implantada a
cache.
Embora os caminhos em tempo seco sejam bastante estáveis
mesmo para uma viatura ligeira, aconselhamos o
recurso a viatura TT, bicicletas de BTT ou um bom par de
botas de caminhada e fazer um excelente passeio por esta paragens.
Pela rudeza e inóspito da região e a frequente
presença de caça grossa, desaconselhamos a
execução da cachada de noite ou em dias
tormentosos.
É igualmente aconselhável a consulta de mapas
detalhados da zona (militares ou Google Earth),
planeamento atempado da cachada e eventualmente o recurso
a um GPS outdoor actualizado. A distância entre os Alares e a
aldeia das Soalheiras é de 4,5 km pelo estradão mais
directo e de cerca de 3 km em linha recta.

A cache está escondida numa das casas centrais, em "banho
maria", debaixo de um banco de pedra rudimentar.

GEOCACHES BTTHAL:
- GB 1 - Jardim Enigmático
- GB 2 - Rio Pônsul
- GB 3 - Azenhas do Ocreza
- GB 4 - Da Pedra da Légua a Santa
Apolónia
- GB 5 - Sé Catedral Castelo Branco
- GB 6 - Serra das Olelas
- GB 7 - Pedra D' Ouro
- GB 8 - Azinheira Trackable Hotel Geo-BTTHAL